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abril 29, 2026

OS ALFERES

"Sabia lá eu o que era Timor... Uma vaga ilha no termo do mundo, verdejante e quente, exótica a mais não poder, mas em paz, sobretudo em paz. Por esses dias, fui muito felicitado. Perguntavam-me que empenhos tinha arranjado, que influências teria enternecido... Nada, a minha sorte deveu-se ao castigo duma falta militar análoga ao abandono de posto, numa vez em que me coube ser oficial de dia no meu quartel. Por uma destas ironias em que os costumes militares são vezeiros, elegendo por sistema o que for adverso ao senso comum, como efeito dos cinco dias de prisão a que então fui condenado, coube-me Timor na rifa." 


Publicado originalmente em 1989, Os Alferes, do escritor Mário de Carvalhoé um livro do contos marcante da literatura portuguesa contemporânea, onde o seu autor nos conduz a cenários de guerra e de ocupação colonial, explorando as contradições humanas em situação limite.

Três histórias. Três jovens oficiais. 
Três momentos em que a guerra revela o melhor e o pior do ser humano.

As histórias que compõem este livro, que hoje divulgamos, decorrem em cenários da Guerra Colonial, em África, Angola e Timor, conflito esse que foi longo, desgastante, que marcou profundamente a sociedade portuguesa, e foi uma das principais causas que conduziram à Revolução de 25 de Abril.
Os jovens oficiais aqui retratados vivem a incerteza, o medo e o absurdo da guerra. São homens comuns, muitas vezes sem compreender muito bem o sentido da missão que lhes foi confiada, o que ajuda a entender o ambiente de desgaste e contestação que antecedeu a revolução.

Este livro foi publicado no Brasil, França e Itália, país onde recebeu o Prémio Internazionalle Città di Cassino.

O primeiro conto, "Era uma vez um Alferes", foi adaptado por duas vezes para cinema pelos realizadores Luís Filipe Costa e Júlio Alves, e uma vez para teatro, por Otile Ehret.


Mário de Carvalho nasceu a 25 de setembro de 1944 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo esteve ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de prisão, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois do 25 de Abril, exerceu advocacia em Lisboa. 
O seu primeiro livro causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional. A sua obra tem diversos géneros literários (romance, conto, novela e teatro), percorrendo várias épocas e ambientes, com uma escrita extremamente versátil. 
Os seus livros estão traduzidos em várias línguas.
Recebeu, ao longo da sua carreira vários prémios, entre eles: 
  • Prémio Fernando Namora  
  • Prémio Vergilio Ferreira
  • Prémio Giuseppe Acerbi e Citá Cassino (em Itália)
  • Prémio Pen Clube
  • Prémio Internacional Pégaso
Em 9 de junho de 2014 foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Miliar de Sant'Iago da Espada e a 22 de novembro de 2021, foi agraciada com o grau da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.


"Os Alferes" é uma leitura breve, intensa e inesquecível sobre escolhas, medo e humanidade.
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.


Ler este livro é compreender melhor o caminho 
que levou Portugal à democracia  



abril 24, 2026

ABRIL


"Não conheço quem não tenha "o dia mais feliz da minha vida". (...) Mas é muito frequente encontrar quem diga sem rodeios que o 25 de Abril foi o dia mais feliz da sua vida. Pode ser que se trate de uma declaração política para os contemporâneos ou para os descendentes. (...)
Este facto traduz a importância da data e o significado do acontecimento. Para os que têm mais de 50 anos, esse dia foi muito. Ou quase tudo. Foi a liberdade de ler, de ver, de ouvir, de falar, de andar na rua, de trabalhar, de estudar, de namorar e de procurar profissão e carreira. Até esse dia, havia futuros hipotecados. Vidas suspensas. Censores empenhados. Espiões cuidadosos. Polícias atentos. Denunciantes zelosos. Companhias a evitar. De repente, quase realmente de um dia para o outro, tudo parecia possível. Tudo era possível. A paz. O trabalho. A viagem. O namoro. O conhecimento. O teatro. Recordar Abril é recordar tudo. Por isso é tão festejado. Não é unânime, mas é universal, ou consensual, como se quiser."

O que é afinal "Abril"?
Uma revolução? Um dia? Um Ideal? Uma promessa?


Neste seu livro, o sociólogo e ensaísta António Barreto convida-nos a olhar para o 25 de Abril com lucidez, espírito crítico e sentido histórico. Mais do que celebrar a data, o autor propõe compreender, revisitando os acontecimentos, o que mudou e o que ficou por cumprir.
Recorda que os direitos conquistados em Abril exigem memória, responsabilidade e participação.  cívica. Ler sobre Abril é uma forma de preservar a nossa história e transmiti-la às novas gerações. Ajuda-nos a entender o que mudou em Portugal e porque a democracia continua a ser uma conquista que se deve cuidar todos os dias. 

Ler Abril é compreender a Liberdade
É conhecer o passado para valorizar o presente e proteger o futuro



António Barreto nasceu a 30 de outubro de 1942 no Porto. Viveu em Vila Real, Coimbra, Genebra e em Lisboa. Até 1974, foi exilado político
Licenciou-se, em 1968 e, doutorou-se em 1985, em Sociologia na Universidade de Genebra. Foi Assistente na Universidade de Genebra e Investigador no Instituto das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. 
Em 1974 regressou a Portugal. Foi Professor na Universidade Nova de Lisboa e Investigador na Universidade Católica e no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Foi deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República. 
Em 1975 foi Secretário de Estado do Comércio Externo, em 1976 foi Ministro do Comércio e Turismo e Ministro da Agricultura e Pescas.
Em 2004 foi Prémio Montaigne
Sócio da Academia das Ciências desde 2008. Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos de 2009 a 2014. Fundador da PORDATA. É, desde 1995, membro do Júri do Prémio Pessoa.
De 2009 a 2011 foi Presidente das Comemorações do Dia de Portugal.
Recebeu, em 2012 a Grã-cruz da Ordem Militar de Cristo e, em 2017 a Grã-cruz da Ordem da Liberdade.
Desde 1990 é colunista do jornal Público.
António Barreto é autor de livros nas áreas da sociologia, da política, da fotografia e do Douro. Coordenador do Dicionário de História de Portugal, 1925/1974 (volumes 7,8 e 9). 
Autor da série de televisão Portugal, Um Retrato Social e da longa metragem Horas do Douro.


Abril é o melhor mês.
 Mistura memórias e desejos. Cravos e jacarandás.
                                                                                                          Público, março de 2024







abril 15, 2026

DEMOCRACIA



Estamos em Lisboa, no início de 1975, numa casa grande e vazia,  situada entre o Largo do Rato e as Amoreiras, onde 12 amigos se reúnem. Há um país em processo revolucionário, poucos meses após o derrube da ditadura. Há entre eles muita incerteza no ar e uma pergunta por todos partilhada: 
O que fazer com toda esta liberdade.

Num tempo de celebração e reflexão, este romance que hoje divulgamos, recorda-nos que a democracia não é apenas uma herança do passado, mas sim um compromisso permanente com o futuro.
O autor revisita o país que saiu da Revolução dos Cravos, acompanhando as transformações, as expetativas e os desafios vividos ao longo de 50 anos de liberdade. Através de personagens comuns, o romance mostra que a democracia não é apenas um regime político, mas uma experiência vivida no quotidiano de cada cidadão. Somos transportados para o Portugal que nasceu após o 25 de Abril e vamos acompanhando as mudanças, esperanças e desafios vividos ao longo de cinco décadas de liberdade.


Alexandre Andrade nasceu em Lisboa, em 1971, cidade onde reside e desenvolve a sua atividade literária e académica. É professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e concilia a carreira universitária com a escrita de ficção, sobretudo conto e romance. A sua obra é marcada pela reflexão sobre a sociedade, a política e a vida urbana. Colaborou regularmente em revistas literárias como a Granta, LER e Ficções, e participou em projetos coletivos de escrita e teatro.
Em 2017, recebeu o Prémio PEN Clube Português de Narrativa pela obra "Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa", reconhecimento que consolidou o seu lugar no panorama literário nacional.



Neste romance, Alexandre Andrade convida-nos a olhar para o caminho 
percorrido desde o 25 de Abril e a refletir sobre o valor da liberdade,
 da participação e da responsabilidade cívica.






janeiro 21, 2026

SUSAN SONTAG, 1933-2004

 



Foi uma das mais influentes ensaístas, críticas culturais e intelectuais do século XX, destacando-se pela forma como pensou a literatura, a arte, a fotografia, o cinema, a doença, a guerra e a responsabilidade moral do intelectual.
Nasceu a 16 de janeiro de 1933, em Nova Iorque mas cresceu em Los Angeles. Demonstrou desde cedo grande precocidade intelectual: entrou na Universidade da Califórnia em Berkeley com apenas 15 anos e continuou os estudos na Universidade de Chicago, onde se formou em Filosofia, Literatura e História. Mais tarde estudou em Harvard, tendo passado por Paris e Oxford, o que contribuiu para a sua forte ligação ao pensamento europeu.
Susan Sontag tornou-se uma figura central da vida cultural norte-americana a partir dos anos 1960, com a publicação do ensaio "Notes on camp" (1964), que a consagrou como uma voz inovadora na crítica cultural.
Para além de ensaios, escreveu romances, contos e peças de teatro.
Da autora fazem parte do fundo bibliográfico da BM as seguintes obras, disponíveis para empréstimo domiciliário: 
Foi também realizadora de cinema e manteve um forte envolvimento político, posicionando-se contra a Guerra do Vietname e denunciando violações de direitos humanos em vários contextos internacionais. Durante a Guerra da Bósnia, viveu em Sarajevo sitiada, onde encenou a peça À Espera de Godot, num gesto simbólico de resistência cultural.

Ao longo da sua carreira recebeu vários prémios:

Susan Sontag faleceu a 28 de dezembro de 2004, em Nova Iorque, vítima de cancro.



É a biografia definitiva de uma das mais importantes e estimulantes intelectuais do século XX, 
que hoje divulgamos aos nossos leitores.






Neste livro, Prémio Pulitzer de Biografia 2020, Benjamin Moser, brilhante biógrafo e escritor, narra os acontecimentos e o trabalho sobre o qual a reputação de Susan Sontag se construiu.
Inclui várias fotografias e inúmeras entrevistas conduzidas pelo mundo inteiro, tem como fontes os arquivos privados da autora e testemunhos inéditos de várias pessoas que com ela privaram.

Sontag, Vida e Obra é o grande romance americano sob a forma de biografia.






Quando a biografia se torna uma reflexão cultural




novembro 28, 2025

CANÇÃO DO PROFETA

 


Paul Lynch nasceu a 9 de maio de 1977, em Limerick, Irlanda.
É conhecido pela sua prosa intensa, poética e profundamente emocional. Antes de se dedicar totalmente à ficção, foi crítico de cinema e jornalista.
Autor de vários romances premiados, venceu em 2023 o Booker Prize, um dos mais importantes prémios britânicos para livros em língua inglesa, com o romance Canção do Profeta, a nossa sugestão de leitura para o fim de semana.
Escrito quase sem pausas, com descrições imagéticas e sensoriais, o romance cria uma República da Irlanda num regime totalitário após a ascensão da extrema-direita ao poder.

Segundo os jurados, a obra "é um triunfo da narrativa emocional, estimulante e corajosa. Com grande vivacidade, Canção do Profeta capta as ansiedades sociais e políticas do nosso momento atual. Os leitores acharão isso comovente e verdadeiro, e não esquecerão tão cedo os seus avisos."

Em 2024, foi nomeado Distinguished Writing Fellow da Universidade de Maynooth e eleito para a Aosdána, a academia irlandesa das artes que honra artistas distintos. Os seus romances estão traduzidos em mais de 30 línguas.


Numa noite escura e chuvosa em Dublin, a cientista e mãe de quatro filhos Eilish Stack abre a porta de sua casa e depara-se com dois oficiais da recém-formada polícia secreta da Irlanda que pretendem interrogar o seu marido, um sindicalista. Depois do marido, também o seu filho mais velho desaparece.
A Irlanda está a desmoronar-se. O país está sob o domínio de um governo que se inclina para a tirania e Eilish só pode assistir impotente enquanto o mundo que conhecia desaparece.
Até onde irá ela para salvar a sua família? E o que - ou quem - está disposta a deixar para trás para o conseguir?


"Eu estava a tentar ver o caos atual. A agitação nas democracias ocidentais. O problema da Síria - a implosão de uma nação inteira, a escala da sua crise de refugiados e a indiferença do Ocidente. A invasão da Ucrânia nem sequer tinha começado. Não consegui escrever diretamente sobre a Síria, por isso simulei o problema na Irlanda." 


"(...) Não tenho o direito de entrar nesta casa. Certo. Isso pensa você. Não sou eu que penso, é um facto perante a lei. Um facto. Sim, há um Estado de direito, não pode infringir os nossos direitos desta maneira. Um Estado de direito. Exatamente. Diz essa palavra, direito, como se compreendesse o que significa, ora diga-me lá que direitos nasceram com o homem, mostre-me lá em que tábuas estão inscritos, onde é que a natureza decretou que é assim."



"Um dos romances mais importantes desta década."
                                                                                                      Ron Rash


novembro 19, 2025

EU VOU ENCONTRAR-TE



Estão no segredo dos Deuses as filmagens da nova série da Netfilx 
de mais um thriller de Harlan Coben

 


Enquanto isso ... 

a Biblioteca Municipal tem para empréstimo domiciliário o mais recente e alucinante thriller que a Netflix irá apresentar possivelmente em 2026 

Seja o primeiro a saber se ele o vai encontrar




"Mathew tem três anos e vive com os pais, David e Cheryl Burroughs. A vida da família parece um sonho, mas... o pior acontece: David acorda a meio da noite, coberto de sangue do filho, e é condenado a prisão perpétua. Ele sabe que é inocente, mas as provas põe-no atrás das grades. 
Cinco anos passam, e a irmã de Cheryl visita David na prisão. Consigo, leva uma fotografia que uma amiga tirou. No fundo da imagem, está um menino. Esse menino parece-se muito com Matthew. David sente imediatamente que o filho está vivo, tem a certeza, e a única solução é fugir parta o encontrar.
Qual será a verdade?  
Conseguirá rever Matthew e provar a sua inocência?
Quem está por trás de tudo aquilo?"



"A história e a forma como está contada são de génio"
                                                                                                       Financial Times







Harlan Coben é um dos autores mais requisitados na Biblioteca Municipal.
Nasceu a 4 de janeiro de 1962, em Newark, Nova Jersey. Ao longo dos anos construiu uma carreira de sucesso escrevendo thrillers cheios de mistério e suspense, com personagens cativantes. A sua escrita tem um estilo dinâmico que envolve e prende o leitor do principio ao fim.
Foi o primeiro autor a vencer os três mais prestigiados prémios da literatura policial nos Estados Unidos da América: o Edgar Award, o ShamusAward e o Anthony Award.
Tem mais de 80 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e a sua obra está traduzida em 45 línguas.



"- E o quê? - A voz de Cheryl era puro gelo. - Viste um miúdo parecido com o meu filho morto e resolveste dar cabo da vida de toda a gente?
Da tua vida, não, pensou Rachel, mas achou que era melhor não o dizer."











novembro 05, 2025

CRIME NAS CORRENTES D'ESCRITAS

"Foi no ano em que as ainda jovens escritoras Tânia Ganho e Gilda Barata participaram pela primeira vez nas Correntes d' Escritas que ocorreu o inesperado e misteriosos desaparecimento do manuscrito que o veterano jornalista e também famoso ficcionista, Mário Zambujal, pretendia apresentar à direção do celebrado evento, pensa-se que com vista à obtenção de um patrocínio da parte da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim destinado à sua publicação."


Germano Almeida nasceu a 31 de julho de 1945 na ilha da Boa Vista e é um dos mais importantes escritores cabo-verdianos contemporâneos.
Formou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa e, depois de regressar ao seu país, exerceu advocacia e foi mais tarde procurador da República.
Além da carreira jurídica, destacou-se na literatura e retrata de forma singular a sociedade cabo-verdiana, com humor, ironia e com um olhar crítico sobre as contradições do seu país.
Pelo conjunto da sua obra, reconhecida pela originalidade, humor e profundidade social, foi em 2018 distinguido com o Prémio Camões, o mais importante galardão literário em língua portuguesa.
Tem obras publicadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega, Dinamarca, Cuba, Estados Unidos, Bulgária e Suíça.

"Desde a primeira edição das Correntes d' Escrita que fui sucessivamente convidado a nela participar, pelo que devo seguramente contar umas vinte presenças. (...) E foi desses dias de agradável convívio que me surgiu a ideia de escrever uma paródia que deveria passar-se durante os quatro dias de uma edição das Correntes, e que decorreria à volta de um misterioso desaparecimento de um manuscrito  pertencente a um dos escritores convidados."



Este romance, que hoje divulgamos, é uma divertida e irónica homenagem ao próprio mundo literário e ao famoso festival de escritores que se realiza 
na Póvoa de Varzim - as Correntes d' Escritas. 
O romance mistura ficção policial e sátira e mostra como se comportam 
os escritores quando se reúnem para falar de literatura.



"A gente tem que aprender com quem sabe como se faz, e olha que ninguém vai estranhar, nem mesmo esses pretos, eles estão, não diria já habituados, direi antes, já treinados para serem acusados de qualquer coisa má que aconteça em qualquer lugar e recebem a acusação sem refilar. (...)
Está bem, contemporizo, vamos então arranjar outra mais convincente, deixemos os palops gozarem as Correntes d' Escritas em paz, acabaremos por encontrar alguma outra vítima que nos sirva, é pena não estar nenhum escritor cigano nestas jornadas literárias".








outubro 31, 2025

O QUE TERÁ JANTADO ...

"(...) Comecei a questionar-me sobre o que poderiam dizer aqueles que estavam na cozinha em momentos chave da História. O que poderia estar a borbulhar nos tachos enquanto se jogavam os destinos do mundo? 
(...) Rapidamente, surgiram outras perguntas. O que terá comido Saddam Hussein depois de ter mandado gasear dezenas de milhares de curdos? Não terá tido dores de barriga? E o que comia Pol Pot na época em que quase dois milhões de Khmers morriam à fome? E o que jantou Fidel Castro quando pôs o mundo à beira de uma guerra nuclear? qual deles gostava de comida picante? Quem comia muito e quem se limitava apenas a debicar o que punha no prato? (...)
Não tinha escolha. Tantas eram as perguntas à espera de resposta que tive de ir à procura dos cozinheiros dos ditadores."


Witold Szablowski é um premiado jornalista e escritor polaco nascido em 1980. É conhecido pelas suas reportagens que cruzam história, política e experiências humanas marcantes. Trabalhou como repórter no jornal Gazeta Wyborcza, onde se destacou pelo olhar sensível e crítico sobre a realidade pós-comunista.


"(...) Levei quase quatro anos a escrever este livro. Durante esse tempo, passei por quatro continentes: desde uma aldeola esquecida por todos na savana queniana, às ruínas da antiga Babilónia no Iraque, ou à selva do Camboja, onde se esconderam os últimos Khmers Vermelhos.
(...) Foi-me difícil convencê-los a conversar comigo. Alguns ainda não tinham recuperado do trauma de trabalhar para alguém que podia matá-los a qualquer momento.
 (...) Graças às conversas com os cozinheiros, compreendi como os ditadores aparecem no mundo. É um conhecimento importante num tempo em que, segundo o relatório da organização americana Freedom House, há quarenta e nove países governados por ditadores. Ainda por cima, este número tem crescido constantemente. O ambiente atual é favorável a ditadores e vale a pena sabermos o mais possível sobre eles."

Para leitura no seu fim de semana, escolhemos um livro que apresenta as histórias
 dos cozinheiros que trabalharam para Saddam Hussein (Iraque), Idi Amin Dada (Uganda), 
Enver Hoxha (Albânia), Fidel Castro (Cuba) e Pol Pot (Camboja). 

O livro mostra-nos que até na cozinha dos ditadores há histórias 
que dizem muito sobre o século XX e sobre a condição humana.



 
Um livro de leitura compulsiva a que não falta, 
mesmo sob um pano de fundo de horrores, uma pitada de humor.




outubro 03, 2025

COMO PODIA AQUILO TER ACONTECIDO?


Continuamos a dar destaque às novas aquisições e hoje 
sugerimos para leitura do seu fim de semana,
 o romance de estreia de Leonor Sampaio da Silva,
 finalista do Prémio Leya em 2023

Passagem Noturna



Certa noite, um fenómeno natural súbito e inexplicável deixa um hotel completamente isolado e rodeado por uma cratera funda, o que não só resulta numa perda de liberdade de movimentos para os hóspedes (que não podem sair e têm de passar a ocupar posições específicas para não desequilibrarem um edifício em perigo de derrocada), mas também num convívio forçado entre pessoas de contextos e gerações muito diferentes que eventualmente nunca chegariam a conhecer-se.
O "sinistro"- como virá a ser referida a catástrofe - é pressentido pela filha do Engenheiro responsável pela construção do hotel, uma pré-adolescente que perdeu a mãe em circunstâncias pouco claras dois anos antes; leitora voraz e de imaginação fértil, a Menina Sem Sorte Nenhuma crê que recebeu a mensagem do abalo e, cansada das namoradas do pai, resolve lançar-se numa aventura, pondo-se em contacto com a Guia Turística que se encontra sitiada no hotel.




"No dia seguinte, ninguém sobreviveu. Assim poderia começar este livro - com a história de um crime em tudo oposto à ficção de Saramago. Mas não foi dessa maneira que as autoridades competentes classificaram o acontecimento. Uma catástrofe. Uma tragédia. Um credo na ponta da língua. Uma desgraça, meu Deus, nas pontas de outras línguas. Um agora-é-arregaçar-as-mangas-e-aprender-com-os-erros-do-passado, nas línguas mais práticas. Diria Saramago que aprenderam sobretudo os que não sobreviveram e que pouco nos valerá a lição, pois não estarão cá para no-la contar. Mas eu estou e, tendo sobrevivido, contarei a minha versão."



Leonor Sampaio da Silva é natural de Ponta Delgada, ilha de São Miguel.
É professora Associada no Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade dos Açores. Além do seu trabalho académico, dedica-se à escrita literária, contando com várias obras publicadas, nos géneros do conto e da poesia. Estreou-se como escritora com o livro de contos Mau Tempo e Má Sorte - contos pouco exemplares, que foi distinguido com o Prémio de Humanidades Daniel de Sá em 2014.
Passagem Noturna é o seu romance de estreia e foi finalista do Prémio LeYa em 2023.

"Do outro lado da cratera, o Senhor Engenheiro fez uma recomendação surpreendente: pediu ao Diretor do Hotel que mandasse todos os hóspedes para os seus quartos. Com o peso dos turistas concentrados no lóbi, o edifício inclinara-se para sul e ele ainda não decidira se essa seria a melhor direção da derrocada"


BOA LEITURA



setembro 05, 2025

JÁ LEU ESTES LIVROS?

 


E estes também?




Venha conhecer o novo romance de
uma das autoras mais lidas na nossa biblioteca





É a nossa sugestão para leitura do seu fim de semana

Entrelaçando passado e presente, O vento conhece o meu nome conta-nos a história de duas personagens inesquecíveis, ambas em busca da família e de um lar. É uma sentida homenagem aos sacrifícios que fazemos em nome dos filhos e uma carta de amor às crianças que sobrevivem a perigos inimagináveis - sem nunca deixar de sonhar.

Viena, 1938. Samuel Adler tem apenas 5 anos quando o pai desaparece, na infame Noite de Cristal - a noite em que a sua família perde tudo. Para garantir a segurança do filho, a mãe consegue-lhe lugar num comboio que transporta crianças judias para fora do país, agora ocupado pelo regime nazi. Samuel embarca sozinho, deixando a família para trás, tendo o seu violino como única companhia. 

Arizona, 2019. Anita Díaz e a mãe tentam entrar nos EUA, fugindo à violência que reina no seu país, El Salvador. No entanto, são separadas na fronteira, ao abrigo de uma nova lei que regulamenta a emigração, forçando à separação das famílias. A mãe desaparece sem deixar rasto e Anita é colocada em sombrias instituições de acolhimento. O caso desperta a atenção de Selena Durán, uma californiana de ascendência latina, e de Frank Angileri, um promissor advogado, que tudo farão para reunir de novo mãe e filha. Juntos, vão conhecer de perto a violência que muitas mulheres sofrem em silêncio, sem que dela consigam escapar.




Isabel Allende é uma das escritoras latino-americanas mais lidas e traduzidas em todo o mundo. Nasceu a 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai, Tomás Allende, era diplomata chileno.
Após a separação dos pais, mudou-se ainda criança para o Chile, país com o qual se identifica profundamente.
Trabalhou como jornalista em revistas e televisão antes de se dedicar à literatura. Em 1981, após o golpe militar de Pinochet, partiu para o exílio na Venezuela, experiência essa que marcou fortemente a sua obra.
A estreia literária aconteceu em 1982 com o romance A Casa dos Espíritos, que rapidamente se tornou um "clássico contemporâneo" e um exemplo do realismo mágico latino-americano.  A obra deu lugar a um filme, realizado por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas como protagonistas, tendo grande parte do mesmo sido filmado em Lisboa e no Alentejo.

A sua escrita cruza ficção histórica, memória pessoal e critica social, sempre com personagens femininas fortes, explorando temas como o exílio, a identidade, a liberdade e a justiça. Está traduzida em 40 línguas e vendeu mais de 75 milhões de exemplares, sendo a escritora mais lida em língua espanhola.

Recebeu mais de 60 prémios internacionais:
  • Prémio Nacional de Literatura do Chile em 2010, 
  • Prémio Hans Christian Andersen em 2012 na Dinamarca
  • A Medalha da Liberdade nos Estados Unidos atribuída por Barack Obama em 2014
  • Em 2018 tornou-se a primeira escritora de língua espanhola premiada com a medalha de honra do National Book Award, nos Estados Unidos, pelo seu enorme contributo para o mundo das letras.

Atualmente vive nos Estados Unidos, onde fundou a Fundação Isabel Allende, dedicada a causas sociais e de defesa dos direitos das mulheres e das crianças.


Ler é sempre uma boa ideia





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