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agosto 21, 2026

PÉS DE BARRO



60 anos da Ponte sobre o Tejo… 
e um livro para atravessar a História



No passado dia 6 de agosto, a Ponte sobre o Tejo completou 60 anos.
Inaugurada em 1966, aquela que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril transformou para sempre a paisagem de Lisboa e a ligação entre as duas margens do Tejo.






Mas como era viver e trabalhar em Lisboa quando a ponte ainda estava a nascer?

É precisamente nesse tempo que nos leva Nuno Duarte, no seu romance Pés de Barro, vencedor do Prémio LeYa 2024.
Estamos em 1962, num Portugal marcado pelo Estado Novo, quando começa a construção da primeira grande ponte suspensa sobre o Tejo. Cerca de três mil homens são necessários para erguer aquela obra monumental. Entre eles está Victor Tirapicos, um jovem serralheiro de 22 anos, através de cujos olhos acompanhamos o crescimento da ponte e, ao mesmo tempo, as vidas, dificuldades, sonhos e contradições de quem habitava os pátios operários de Alcântara.
Este romance é, assim, muito mais do que a história de uma ponte. É um retrato de um país em transformação, onde uma ponte une enquanto uma guerra separa, com a Guerra Colonial como pano de fundo.


60 anos depois da inauguração da Ponte sobre o Tejo, talvez seja uma boa altura para voltar a atravessá-la… através da leitura.




 


Nuno Duarte nasceu em Sintra, em 1973. Cresceu rodeado de livros, descobrindo desde cedo a literatura através dos livros que o pai tinha em casa, de autores como John Steinbeck, Fiódor Dostoiévski, Ernest Hemingway, Ferreira de Castro e José Saramago, mas também através da banda desenhada, com autores como Goscinny, Hergé, Edgar P. Jacobs, Christin e Moebius. 
Estudou Design Gráfico no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual e iniciou uma carreira na área da publicidade. Trabalhou como diretor criativo em algumas das principais agências do mercado, tendo recebido diversas distinções nacionais e internacionais. 
Apesar de a literatura e a escrita fazerem parte da sua vida há muitos anos, foi apenas na idade adulta que decidiu dedicar-se à escrita literária. Aos 51 anos, Nuno Duarte estreou-se como romancista — e fê-lo da melhor forma possível: conquistando o Prémio LeYa 2024 com o seu primeiro romance, Pés de Barro e que hoje sugerimos para leitura no seu fim de semana
Esta estreia tardia é, talvez, um dos aspetos mais interessantes do seu percurso: demonstra que nunca é tarde para começar uma nova aventura e transformar uma paixão antiga num projeto literário.
O romance que marcou a sua estreia foi ainda finalista do Prémio Wook Novos Autores 2025 e nomeado para o Prémio Livro do Ano Bertrand 2025.



"Um retrato muito dinâmico e vivo do Portugal dos anos 1960"
                                                                                  Manuel Alegre, Presidente do Júri






Venha descobri-lo e conhecer, através da literatura, as histórias das pessoas que ajudaram a construir uma das obras mais emblemáticas de Portugal.




agosto 12, 2026

MARIDOS E AMANTES

 






Maridos e Amantes, de Beatriz Williams, é um romance envolvente que entrelaça duas histórias separadas por mais de setenta anos, revelando como os segredos do passado continuam a moldar o presente.
Na Nova Inglaterra dos dias de hoje, Mallory Dunne enfrenta a maior provação da sua vida quando o filho adoece gravemente. Enquanto procura desesperadamente um dador compatível, descobre verdades inesperadas sobre a história da sua família e vê-se obrigada a revisitar um amor que julgava encerrado. Em paralelo, o leitor é transportado para o Cairo dos anos 1950, onde Hannah Ainsworth, sobrevivente do Holocausto, se vê dividida entre o dever, a paixão e os perigos de um mundo marcado pela espionagem e pela instabilidade política.
Com uma escrita elegante e personagens profundamente humanas, Beatriz Williams constrói um romance onde o amor, a perda, a maternidade, os sacrifícios e os laços familiares se cruzam de forma emocionante.
Entre cenários históricos fascinantes e um enredo repleto de mistério, Maridos e Amantes é uma leitura cativante que convida a refletir sobre as escolhas que fazemos e o impacto que elas podem ter ao longo de várias gerações.



Venha descobrir este romance na Biblioteca Municipal da Marinha Grande
deixe-se envolver por uma história inesquecível, 
onde o passado nunca deixa verdadeiramente de nos acompanhar.








Beatriz Williams é uma escritora norte-americana reconhecida pelos seus romances de ficção histórica, nos quais combina acontecimentos reais, mistério, romance e personagens memoráveis. Antes de se dedicar à escrita, licenciou-se na Universidade de Stanford e trabalhou durante vários anos na área das finanças, em Londres e Nova Iorque.
Estreou-se como romancista em 2012 e, desde então, tornou-se uma presença constante nas listas de livros mais vendidos do The New York Times. As suas obras distinguem-se pela cuidada recriação histórica, pelos enredos que alternam entre diferentes épocas e pela forma como explora as relações humanas, os segredos de família e o papel das mulheres em momentos marcantes da História.
Traduzidos para diversas línguas, os seus livros conquistaram leitores em todo o mundo, consolidando Beatriz Williams como uma das vozes mais apreciadas da ficção histórica contemporânea.



"Este trabalho de Williams, uma ficção histórica disfarçada de leitura de verão, acompanha um casal fascinante e brilhantemente criado, e as descrições de um tenso Cairo pós-guerra são simultaneamente imponentes e detalhadas. O resultado é um livro que nos agarra como um bom filme, e que nos apanha de surpresa"
                                                                                                            The New York Times










julho 15, 2026

A CARTEIRA

Este é um romance para quem aprecia personagens inesquecíveis, 
retratos de época rigorosos e romances que recordam 
que uma única pessoa pode transformar a vida de muitos.
Uma leitura emocionante que celebra a liberdade,
 a resiliência e o poder das pequenas ações para mudar o curso da História.


A Carteira é um romance que nos transporta até ao sul de Itália dos anos 30, onde a tradição e os costumes parecem determinar o destino de cada pessoa. É neste cenário que surge Anna Allavena, uma mulher vinda do Norte, cuja independência, coragem e determinação desafiam as convenções de uma pequena aldeia.
Quando decide candidatar-se ao lugar de carteira, tornando-se a primeira mulher a distribuir correspondência na comunidade, Anna não leva apenas cartas de porta em porta. Leva esperança, aproxima pessoas, guarda segredos, testemunha amores, despedidas e reencontros. Ao longo de duas décadas marcadas pelas transformações sociais  e pela Segunda Guerra Mundial, torna-se o elo invisível que une uma população inteira.


Francesca Giannone  nasceu em 1982, na região da Apúlia, no sul de Itália, onde vive atualmente. Formou-se em Ciências da Comunicação e trabalhou durante vários anos no setor da comunicação, antes de se dedicar inteiramente à escrita. 
Estreou-se na literatura com este romance, que sugerimos aos nossos leitores, e que foi inspirado na história da sua bisavó, a primeira mulher carteiro numa pequena localidade da Apúlia.
Publicado em 2023, o livro tornou-se um enorme sucesso editorial em Itália, conquistando leitores e crítica, permanecendo durante meses no top de vendas. 
A escrita de Francesca Giannone destaca-se pela capacidade de recriar ambientes históricos, construir personagens femininas fortes e explorar temas como  a família, a identidade, a emancipação feminina e o poder das relações humanas. 
Este romance foi distinguido com o prestigiado Prémio Bancarella 2023, um dos mais importantes galardões literários italianos.



Deixe-se conquistar por este romance inesquecível.
Requisite-o na Biblioteca e descubra porque há histórias que permanecem connosco muito depois da última página.





junho 17, 2026

REFÚGIO NO TEMPO - UMA VIAGEM AO PASSADO QUE QUESTIONA O FUTURO


Uma Biblioteca é muito mais do que um lugar onde se guardam livros. É um espaço de descoberta, de encontro com diferentes culturas, épocas e formas de olhar o mundo. Entre as suas principais funções está a de dar a conhecer novos autores, promovendo vozes consagradas e revelando escritores menos conhecidos, mas igualmente capazes de surpreender e cativar os leitores.


É o caso do autor que hoje apresentamos, o escritor búlgaro Gueorgui Gospodinov, nascido a 7 de janeiro de 1968, na cidade de Yambol
Licenciou-se em Filologia Búlgara na Universidade de Sófia e iniciou a sua carreira literária como poeta na década de 1990.
Considerado uma das vozes mais importantes da literatura europeia contemporânea, é poeta, romancista, contista, dramaturgo e ensaísta, tendo a sua obra sido traduzida em mais de vinte e cinco línguas.
A sua obra é profundamente marcada pela experiência da Bulgária durante o período comunista e pelas transformações políticas e sociais do continente europeu.
Ler Gospodivov é entrar num universo literário onde as pequenas histórias do quotidiano se cruzam com as grandes questões da humanidade.
Como afirmou a escritora Olga Tokarczuk, a sua escrita é "uma literatura requintada sobre a nossa perceção do tempo e da sua passagem."


O seu romance que hoje divulgamos, Refúgio no Tempo,
 foi o vencedor do Internacional Booker Prize 2023,
e obteve o Premio Strega Europeo 2021


Sobre ele, a presidente do júri, Leila Slimani, declarou: "O nosso vencedor é um romance brilhante, cheio de ironia e melancolia. É um trabalho profundo que lida com uma questão muito contemporânea: o que nos acontece quando as nossas memórias desaparecem?"


"No andar de cima instalaram-se os anos 50. Ali era o reino de Elvis Presley, de Fatt Domino, Dizzy Gillespie, Miles Davis, onde se podia ouvir toda aquela maravilhosa mistura de jazz, rock and roll, pop, bem como o sinfónico, mas já fora de moda, Frank Sinatra. Ali estavam Intriga Internacional, Hitchcook, Gary Grant, As Noites de Cabíria, Fellini, Mastroianni, Brigitte Bardot, Dior... O mundo estava a recuperar da guerra e tinha vontade de viver.
Uma parte do mundo conseguia fazê-lo com uma relativa facilidade. Para a outra parte, havia uma zona separada ao fundo do corredor, alguns apartamentos destinados aos países do Leste. Um para os anos 50 da Europa de Leste, um outro só para os anos 50 soviéticos (bem financiados, aliás). De maneira semelhante, foram reconstituídos os anos 50 na China."


Refúgio no Tempo é um daqueles romances que desafiam as fronteiras entre a memória, a História e a imaginação. Gaustine cria uma clínica para doentes de Alzheimer onde cada piso recria uma década do século XX, com os seus móveis, músicas, jornais e objetos, permitindo aos pacientes reencontrarem as suas recordações. Mas aquilo que começa como uma terapia para a perda de memória transforma-se numa reflexão profunda sobre a sociedade contemporânea. A nostalgia deixa de ser um sentimento individual e converte-se num fenómeno coletivo: países inteiros desejam regressar ao seu passado, escolhendo as décadas em que gostariam de voltar a viver.
O autor lança então uma pergunta inquietante: O que acontece quando uma sociedade prefere refugiar-se nas memórias em vez de enfrentar o futuro?


Será possível viver apenas de recordações?

Uma leitura fascinante para quem aprecia romances inteligentes, originais e capazes de lançar um olhar crítico sobre o nosso tempo através da memória do passado.



junho 05, 2026

UMA HEROÍNA ESQUECIDA PELA HISTÓRIA



Há livros que nos transportam para lugares distantes, não apenas geografias diferentes, mas formas diferentes  de sentir, resistir e recordar. O livro que hoje divulgamos junto dos nossos leitores, A Mulher sem Sepultura, da escritora argelina Assia Djebar, é uma dessas obras raras que abre portas para outras latitudes e outras vozes, tantas vezes ausentes das estantes mais procuradas. 
Inspirado na história real de Zoulikha, heroína da resistência argelina desaparecida durante a luta contra a ocupação francesa, este romance mistura memória, testemunho e poesia para reconstruir a vida de uma mulher cuja ausência continua viva. 
Mais do que contar uma história individual, Assia Djebar dá voz às mulheres silenciadas pela guerra, pela tradição e pelo tempo.
A escrita é delicada, intensa e profundamente humana. Ao longo das páginas, o leitor entra numa Argélia marcada pela violência e pela esperança, mas também descobre emoções universais tais como a coragem, a perda, a dignidade e a necessidade de preservar a memória.

Ler A Mulher sem Sepultura é também descobrir uma literatura diferente da habitual tradição europeia ou norte-americana. É viajar através da cultura magrebina, conhecer outras realidades históricas e perceber como a literatura pode aproximar mundos aparentemente distantes.
Para quem gosta de romances marcantes, de histórias de mulheres fortes e de livros que nos ajudam a olhar o mundo de uma forma mais ampla, esta é uma leitura indispensável.


"Assia Djebar, oscilando entre a esperança e o desespero, narra de forma emocionante a luta travada pelas mulheres para poderem, finalmente, olhar de frente o Sol"
                                                                           Le Monde


Assia Djebar, pseudónimo literário de Fatema Zohra Imalayen, nasceu a 30 de junho de 1936, na cidade de Cherchell, na Argélia, então sob o domínio colonial francês, e tornou-se uma das mais importantes vozes da literatura francófona do século XX.
Escritora, historiadora, cineasta e intelectual, dedicou grande parte da sua obra à condição das mulheres argelinas, à memória coletiva e às marcas do colonialismo.
Filha de um professor, teve acesso à educação numa época em que muitas raparigas argelinas eram privadas da escola. Estudou em Argel e mais tarde na prestigiada École Normale Supérieure, em Paris, sendo uma das primeiras mulheres argelinas a frequentar aquela instituição.
Ativista na sua juventude, foi expulsa temporariamente daquela instituição após participar em greves estudantis a favor da independência da Argélia.


Em 2005, Assia Djebar foi eleita para a Academia Francesa, tornando-se a primeira autora do Magrebe a integrar esta instituição, um reconhecimento internacional da importância da sua obra literária e intelectual.
O seu nome foi apontado como forte candidato ao Prémio Nobel da Literatura por inúmeras vezes e os seus livros estão traduzidos em 23 línguas.
Faleceu em Paris, a 6 de fevereiro de 2015, mas continua a ser uma referência essencial da literatura africana e francófona contemporânea e uma das maiores vozes da emancipação das muçulmanas. Os seus livros permanecem atuais pela forma como abordam temas como a liberdade, a memória, a guerra e o papel das mulheres na sociedade.


Porque a Literatura não tem fronteiras, cada novo livro vindo de outras latitudes é uma oportunidade de alargar horizontes.





maio 27, 2026

DESGRAÇA

Entre a culpa, a solidão e a tentativa de redenção, Desgraça é um daqueles romances que não deixam o leitor indiferente.
Escrito por J.M.Coetzee, este livro mergulha-nos numa África do Sul em mudança, marcada por tensões sociais, desigualdades e feridas abertas.
Com uma escrita intensa, elegante e profundamente humana, o autor constrói um romance inquietante, capaz de provocar desconforto e reflexão. Este romance não oferece respostas fáceis e talvez seja precisamente isso que o torna tão marcante.
Vencedor do Booker Prize em 1999, este é um livro para quem aprecia literatura que desafia, questiona e permanece connosco muito depois da última página.
Este romance, Desgraça está incluído na lista dos 100 melhores romances, indicado pelo jornal The Guardian.
Em 2008 foi adaptado ao cinema pelo realizador Steve Jacobs, tendo o ator John Malcovich no papel de David Lurie.

"Uma obra-prima... talvez o melhor romance a arrecadar o Booker em uma década"
                                                                                                                         The Independent


Depois de anos a ensinar poesia romântica na Universidade Técnica da Cidade do Cabo, David Lurie, um professor de meia-idade divorciado por duas vezes, tem um romance impulsivo com uma aluna. O caso entretanto azeda, e David é acusado de assédio sexual e convocado a comparecer perante uma comissão disciplinar. Disposto a admitir a sua culpa, mas recusando-se a ceder à pressão para se arrepender publicamente, David demite-se e retira-se para a pequena propriedade isolada da sua filha Lucy. 
Durante algum tempo, a influência da filha e os ritmos naturais da quinta prometem trazer harmonia à sua vida dissonante. Mas as tentativas de David para se relacionar com Lucy e com uma sociedade feita de novas complexidades raciais são perturbadas pela violência de um ataque selvagem que os vais transformar, a ele e à sua filha, de uma maneira que jamais poderia prever.


J. M Coetzee nasceu a 9 de fevereiro de 1940 na Cidade do Cabo, na África do Sul. 
Considerado um dos maiores escritores contemporâneos, destacou-se pela profundidade moral e filosófica das suas obras centradas em temas como a violência, a culpa, o poder, o colonialismo e a condição humana.
Formado em Literatura e Linguística, foi professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo, tendo mais tarde mudado para a Austrália, país onde adquiriu a nacionalidade.
A sua obra é marcada por uma escrita sóbria e intensa. Os seus romances abordam as tensões sociais e políticas da África do Sul, especialmente durante e após o apartheid, mas os seus temas alcançam uma dimensão universal. 
Em 2003 recebeu o Prémio Nobel da Literatura, sendo reconhecido pela forma como retrata "o envolvimento surpreendente do estranho"
Coetzee foi também o primeiro escritor a vencer por duas vezes o Booker Prize, um dos mais importantes prémios da literatura em língua inglesa.

Ler J.M. Coetzee é entrar numa literatura exigente, humana e profundamente atual, que convida o leitor a refletir sobre a sociedade, a ética e os limites da humanidade.




abril 29, 2026

OS ALFERES

"Sabia lá eu o que era Timor... Uma vaga ilha no termo do mundo, verdejante e quente, exótica a mais não poder, mas em paz, sobretudo em paz. Por esses dias, fui muito felicitado. Perguntavam-me que empenhos tinha arranjado, que influências teria enternecido... Nada, a minha sorte deveu-se ao castigo duma falta militar análoga ao abandono de posto, numa vez em que me coube ser oficial de dia no meu quartel. Por uma destas ironias em que os costumes militares são vezeiros, elegendo por sistema o que for adverso ao senso comum, como efeito dos cinco dias de prisão a que então fui condenado, coube-me Timor na rifa." 


Publicado originalmente em 1989, Os Alferes, do escritor Mário de Carvalhoé um livro do contos marcante da literatura portuguesa contemporânea, onde o seu autor nos conduz a cenários de guerra e de ocupação colonial, explorando as contradições humanas em situação limite.

Três histórias. Três jovens oficiais. 
Três momentos em que a guerra revela o melhor e o pior do ser humano.

As histórias que compõem este livro, que hoje divulgamos, decorrem em cenários da Guerra Colonial, em África, Angola e Timor, conflito esse que foi longo, desgastante, que marcou profundamente a sociedade portuguesa, e foi uma das principais causas que conduziram à Revolução de 25 de Abril.
Os jovens oficiais aqui retratados vivem a incerteza, o medo e o absurdo da guerra. São homens comuns, muitas vezes sem compreender muito bem o sentido da missão que lhes foi confiada, o que ajuda a entender o ambiente de desgaste e contestação que antecedeu a revolução.

Este livro foi publicado no Brasil, França e Itália, país onde recebeu o Prémio Internazionalle Città di Cassino.

O primeiro conto, "Era uma vez um Alferes", foi adaptado por duas vezes para cinema pelos realizadores Luís Filipe Costa e Júlio Alves, e uma vez para teatro, por Otile Ehret.


Mário de Carvalho nasceu a 25 de setembro de 1944 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo esteve ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de prisão, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois do 25 de Abril, exerceu advocacia em Lisboa. 
O seu primeiro livro causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional. A sua obra tem diversos géneros literários (romance, conto, novela e teatro), percorrendo várias épocas e ambientes, com uma escrita extremamente versátil. 
Os seus livros estão traduzidos em várias línguas.
Recebeu, ao longo da sua carreira vários prémios, entre eles: 
  • Prémio Fernando Namora  
  • Prémio Vergilio Ferreira
  • Prémio Giuseppe Acerbi e Citá Cassino (em Itália)
  • Prémio Pen Clube
  • Prémio Internacional Pégaso
Em 9 de junho de 2014 foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Miliar de Sant'Iago da Espada e a 22 de novembro de 2021, foi agraciada com o grau da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.


"Os Alferes" é uma leitura breve, intensa e inesquecível sobre escolhas, medo e humanidade.
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.


Ler este livro é compreender melhor o caminho 
que levou Portugal à democracia  



abril 24, 2026

ABRIL


"Não conheço quem não tenha "o dia mais feliz da minha vida". (...) Mas é muito frequente encontrar quem diga sem rodeios que o 25 de Abril foi o dia mais feliz da sua vida. Pode ser que se trate de uma declaração política para os contemporâneos ou para os descendentes. (...)
Este facto traduz a importância da data e o significado do acontecimento. Para os que têm mais de 50 anos, esse dia foi muito. Ou quase tudo. Foi a liberdade de ler, de ver, de ouvir, de falar, de andar na rua, de trabalhar, de estudar, de namorar e de procurar profissão e carreira. Até esse dia, havia futuros hipotecados. Vidas suspensas. Censores empenhados. Espiões cuidadosos. Polícias atentos. Denunciantes zelosos. Companhias a evitar. De repente, quase realmente de um dia para o outro, tudo parecia possível. Tudo era possível. A paz. O trabalho. A viagem. O namoro. O conhecimento. O teatro. Recordar Abril é recordar tudo. Por isso é tão festejado. Não é unânime, mas é universal, ou consensual, como se quiser."

O que é afinal "Abril"?
Uma revolução? Um dia? Um Ideal? Uma promessa?


Neste seu livro, o sociólogo e ensaísta António Barreto convida-nos a olhar para o 25 de Abril com lucidez, espírito crítico e sentido histórico. Mais do que celebrar a data, o autor propõe compreender, revisitando os acontecimentos, o que mudou e o que ficou por cumprir.
Recorda que os direitos conquistados em Abril exigem memória, responsabilidade e participação.  cívica. Ler sobre Abril é uma forma de preservar a nossa história e transmiti-la às novas gerações. Ajuda-nos a entender o que mudou em Portugal e porque a democracia continua a ser uma conquista que se deve cuidar todos os dias. 

Ler Abril é compreender a Liberdade
É conhecer o passado para valorizar o presente e proteger o futuro



António Barreto nasceu a 30 de outubro de 1942 no Porto. Viveu em Vila Real, Coimbra, Genebra e em Lisboa. Até 1974, foi exilado político
Licenciou-se, em 1968 e, doutorou-se em 1985, em Sociologia na Universidade de Genebra. Foi Assistente na Universidade de Genebra e Investigador no Instituto das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. 
Em 1974 regressou a Portugal. Foi Professor na Universidade Nova de Lisboa e Investigador na Universidade Católica e no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Foi deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República. 
Em 1975 foi Secretário de Estado do Comércio Externo, em 1976 foi Ministro do Comércio e Turismo e Ministro da Agricultura e Pescas.
Em 2004 foi Prémio Montaigne
Sócio da Academia das Ciências desde 2008. Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos de 2009 a 2014. Fundador da PORDATA. É, desde 1995, membro do Júri do Prémio Pessoa.
De 2009 a 2011 foi Presidente das Comemorações do Dia de Portugal.
Recebeu, em 2012 a Grã-cruz da Ordem Militar de Cristo e, em 2017 a Grã-cruz da Ordem da Liberdade.
Desde 1990 é colunista do jornal Público.
António Barreto é autor de livros nas áreas da sociologia, da política, da fotografia e do Douro. Coordenador do Dicionário de História de Portugal, 1925/1974 (volumes 7,8 e 9). 
Autor da série de televisão Portugal, Um Retrato Social e da longa metragem Horas do Douro.


Abril é o melhor mês.
 Mistura memórias e desejos. Cravos e jacarandás.
                                                                                                          Público, março de 2024







abril 15, 2026

DEMOCRACIA



Estamos em Lisboa, no início de 1975, numa casa grande e vazia,  situada entre o Largo do Rato e as Amoreiras, onde 12 amigos se reúnem. Há um país em processo revolucionário, poucos meses após o derrube da ditadura. Há entre eles muita incerteza no ar e uma pergunta por todos partilhada: 
O que fazer com toda esta liberdade.

Num tempo de celebração e reflexão, este romance que hoje divulgamos, recorda-nos que a democracia não é apenas uma herança do passado, mas sim um compromisso permanente com o futuro.
O autor revisita o país que saiu da Revolução dos Cravos, acompanhando as transformações, as expetativas e os desafios vividos ao longo de 50 anos de liberdade. Através de personagens comuns, o romance mostra que a democracia não é apenas um regime político, mas uma experiência vivida no quotidiano de cada cidadão. Somos transportados para o Portugal que nasceu após o 25 de Abril e vamos acompanhando as mudanças, esperanças e desafios vividos ao longo de cinco décadas de liberdade.


Alexandre Andrade nasceu em Lisboa, em 1971, cidade onde reside e desenvolve a sua atividade literária e académica. É professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e concilia a carreira universitária com a escrita de ficção, sobretudo conto e romance. A sua obra é marcada pela reflexão sobre a sociedade, a política e a vida urbana. Colaborou regularmente em revistas literárias como a Granta, LER e Ficções, e participou em projetos coletivos de escrita e teatro.
Em 2017, recebeu o Prémio PEN Clube Português de Narrativa pela obra "Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa", reconhecimento que consolidou o seu lugar no panorama literário nacional.



Neste romance, Alexandre Andrade convida-nos a olhar para o caminho 
percorrido desde o 25 de Abril e a refletir sobre o valor da liberdade,
 da participação e da responsabilidade cívica.






janeiro 21, 2026

SUSAN SONTAG, 1933-2004

 



Foi uma das mais influentes ensaístas, críticas culturais e intelectuais do século XX, destacando-se pela forma como pensou a literatura, a arte, a fotografia, o cinema, a doença, a guerra e a responsabilidade moral do intelectual.
Nasceu a 16 de janeiro de 1933, em Nova Iorque mas cresceu em Los Angeles. Demonstrou desde cedo grande precocidade intelectual: entrou na Universidade da Califórnia em Berkeley com apenas 15 anos e continuou os estudos na Universidade de Chicago, onde se formou em Filosofia, Literatura e História. Mais tarde estudou em Harvard, tendo passado por Paris e Oxford, o que contribuiu para a sua forte ligação ao pensamento europeu.
Susan Sontag tornou-se uma figura central da vida cultural norte-americana a partir dos anos 1960, com a publicação do ensaio "Notes on camp" (1964), que a consagrou como uma voz inovadora na crítica cultural.
Para além de ensaios, escreveu romances, contos e peças de teatro.
Da autora fazem parte do fundo bibliográfico da BM as seguintes obras, disponíveis para empréstimo domiciliário: 
Foi também realizadora de cinema e manteve um forte envolvimento político, posicionando-se contra a Guerra do Vietname e denunciando violações de direitos humanos em vários contextos internacionais. Durante a Guerra da Bósnia, viveu em Sarajevo sitiada, onde encenou a peça À Espera de Godot, num gesto simbólico de resistência cultural.

Ao longo da sua carreira recebeu vários prémios:

Susan Sontag faleceu a 28 de dezembro de 2004, em Nova Iorque, vítima de cancro.



É a biografia definitiva de uma das mais importantes e estimulantes intelectuais do século XX, 
que hoje divulgamos aos nossos leitores.






Neste livro, Prémio Pulitzer de Biografia 2020, Benjamin Moser, brilhante biógrafo e escritor, narra os acontecimentos e o trabalho sobre o qual a reputação de Susan Sontag se construiu.
Inclui várias fotografias e inúmeras entrevistas conduzidas pelo mundo inteiro, tem como fontes os arquivos privados da autora e testemunhos inéditos de várias pessoas que com ela privaram.

Sontag, Vida e Obra é o grande romance americano sob a forma de biografia.






Quando a biografia se torna uma reflexão cultural




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