abril 10, 2026

O QUE FIZEMOS DA NOSSA LIBERDADE

"Olhando para os quase nove séculos da história de Portugal, não se encontra tão longo período de estabilidade como o que se seguiu à normalização democrática decorrente do 25 de abril de 1974. São já perto de 50 anos sem guerras, insurreições, tentativas violentas de tomada do poder ou assassínios de estadistas. Foi também a época em que o envolvimento democrático da população nas grandes opções, tanto a nível nacional como local, atingiu o pleno - o que nunca antes tivera concretização, dadas as muitas limitações levantadas à participação eleitoral. (...)
O direito à liberdade de associação, de formação de partidos políticos, de expressão pública do pensamento, de debate de ideias e de ida às urnas eleitorais (tanto de candidatos como de votantes), abrangendo todos os cidadãos, constitui uma das mais profundas, significativas e persistentes novidades introduzidas pelo 25 de abril".



O livro que hoje divulgamos, do jornalista Joaquim Vieira, faz um retrato rigoroso das escolhas de Portugal desde a Revolução de 25 de Abril de 1974, analisando a evolução política, económica e social.
O livro percorre os acontecimentos, os protagonistas e as mudanças que marcaram a vida política, social e económica do nosso país e ajuda-nos a compreender como chegamos até aqui.
Aborda o contraste entre as conquistas democráticas e o atual sentimento de desilusão, desigualdade e a influência de movimentos globais de polarização.
É um convite à reflexão: o que fizemos, afinal, com a liberdade conquistada?
Direto, informativo e atual, é uma leitura essencial para quem quer compreender Portugal contemporâneo e pensar o futuro da democracia


"Contudo, porque nem tudo foi um mar de rosas e muita coisa se encontra longe do que todos sonhámos e ambicionámos, temos o dever de o fazer [celebrar a data] com um olhar crítico para o que foram estes tempos da nossa modernidade - em que o novo regime já cometeu o feito de suplantar, em longevidade, a asfixiante ditadura que o antecedeu."




50 anos depois do 25 de Abril, 
este livro convida-o a olhar pra trás 
e a perguntar que país estamos
 a construir com a liberdade que conquistámos.





março 27, 2026

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL JÁ FAZ PARTE DA NOSSA VIDA




A Inteligência Artificial deixou de ser ficção científica para se tornar parte do nosso quotidiano. Está nos algoritmos que escolhem o que lemos, no trabalho que muda, nas decisões que se automatizam. 

E o que acontece à inteligência humana quando convivemos com máquinas cada vez mais "inteligentes"? 

São a estas perguntas que Mariano Sigman, neurocientista, 
e Santiago Bilinkis, empreendedor tecnológico, respondem neste livro provocador e acessível.


Santiago Bilinkis
Mariano Sigman



Artificial não é um manual técnico nem um texto alarmista, é antes um convite à reflexão crítica sobre a fronteira, cada vez mais difusa, entre o humano e a máquina.
Ao longo do livro, os autores exploram temas como a consciência, a criatividade, o trabalho, a ética e a tomada de decisões, mostrando que a IA não é neutra nem inevitável. Pelo contrário, ela reflete as escolhas, os valores e as responsabilidades humanas. Ignorá-la não nos protege, apenas nos afasta do debate que já está a moldar o nosso presente e o nosso futuro.
O livro que hoje divulgamos aos nossos leitores e que sugerimos para leitura no seu fim de semana,  fala como a IA pode mudar a forma como trabalhamos, pensamos, aprendemos e nos relacionamos uns com os outros, e quais são os riscos que isso acarreta.
A tecnologia não é um destino inevitável que nos sucede sem controle, ela é moldada pelas escolhas humanas. Daí, uma das mensagens mais importantes que os autores passam é que não podemos ser indiferentes. Ignorar a IA não  faz com que ela deixe de transformar o mundo, só faz com que deixemos de compreender e influenciar esse processo. 


Disponível na nossa Biblioteca para empréstimo domiciliário

Este é um livro para leitores curiosos, críticos e atentos ao mundo em transformação. Não ficar indiferente à inteligência artificial é um ato de cidadania e a sua leitura é um excelente ponto de partida.


Uma leitura para quem não quer ficar indiferente ao futuro.

Pensar a tecnologia é também pensar o que nos torna humanos.





março 20, 2026

21 de MARÇO | DIA MUNDIAL DA POESIA

Assinalamos o Dia Mundial da Poesia com um poema (soneto), sobejamente conhecido, escrito em 1919, que nos dá uma definição do que é "ser poeta", feita através da sensibilidade romântica e dramática de uma das maiores poetas portuguesas - Florbela Espanca. 

SER POETA
▫️
Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
▫️
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
▫️
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
▫️
E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                                                             Florbela Espanca (1894-1930)


Assinalamos, ainda, o Dia Mundial da Poesia, através de mais dois nomes de referência na literatura portuguesa, de géneros muito diferentes, mas que deixaram a sua marca, também, na poesia. 
Falamos de António Lobo Antunes, que nos deixou fisicamente no início do mês (1942-2026), mas que deixa para sempre a sua obra, largamente premiada, as suas crónicas, os seus romances, os seus poemas; e de Jorge de Sena (1919-1978), o escritor exilado, um dos maiores intelectuais portugueses do séc. XX, com uma vasta obra, como poeta, ficcionista, crítico, ensaísta, historiador, tradutor. 
Ambos recitados por Pedro Lamares.
 


Pedro Lamares, nasceu em Portimão em 1979. Estudou artes plásticas, passou pela escola de jazz do Porto, frequentou o curso de preparação para licenciatura em música sacra, na Universidade Católica do Porto, estudou teatro na Academia Contemporânea do Espetáculo do Porto. Complementou a formação com cursos e oficinas de teatro de rua (Natural Theatre Company, de Inglaterra), voz (Bernard Messuir, da Bélgica), naturalismo (Rogério de Carvalho, de Moçambique), clown (Alan Richardson, de Inglaterra), máscara neutra (Kuniaki Ida, do Japão) e dança vertical (Roc in Lichen, de França). 

No teatro, trabalhou mais de uma dezena de autores, entre eles Anton Tchekhov, Howard Barker, Sófocles e Almeida Garrett. 
No cinema participou em sete longas metragens e mais de dez curtas, tendo trabalhado com realizadores como João Botelho, Jorge Paixão da Costa, Vítor Gonçalves, Joaquim Leitão, António-Pedro Vasconcelos, Patrícia Sequeira e Vicente Alves do Ó. 
Na televisão apresentou os programas "Literatura Agora" e "Literatura Aqui" na RTP2 e integrou o elenco de várias séries da RTP. 
Dirige espetáculos nas áreas do teatro, música e poesia, dedicando-se à escolha de textos e leitura em espetáculos, recitais e festivais literários. É professor em escolas de teatro e formador na área da comunicação e leitura de texto em bibliotecas por todo o país. Desenvolve projetos de palestras e recitais para estudantes do secundário.


Passe pela Biblioteca e, 
até 31 de março, descubra a Poesia ao Acaso dentro dos livros.




março 11, 2026

O PREÇO DA LIBERDADE

Já antes do dia 28 de fevereiro, o Irão esteve no centro da atenção internacional devido às profundas tensões políticas e sociais que atravessam o país. A repressão sobre a sociedade civil, as restrições à liberdade de expressão, as limitações impostas aos direitos individuais, a corrupção e o aumento dos preços continuam a marcar o quotidiano da maioria da população. Nesses confrontos entre o povo e a guarda revolucionária, só nos dias 8 e 9 de janeiro morreram mais de 30 mil pessoas.  
Em particular, a situação das mulheres é um dos símbolos mais visíveis dessa luta pela liberdade e pela dignidade.
As mulheres iranianas têm desempenhado um papel central nos movimentos de contestação que emergiram dentro e fora do país, reclamando direitos fundamentais, tais como autonomia sobre as suas próprias vidas e igualdade perante a lei.
As manifestações desencadeadas após a morte de Mahsa Amini, em 2022, trouxeram novamente para a agenda internacional as restrições impostas às mulheres no Irão, desde normas rígidas de vestuário até às limitações em vários domínios da vida pública e privada.


É neste contexto que ganha especial relevância a divulgação de um livro, publicado originalmente em 2007 e traduzido para várias línguas, entre elas o inglês, árabe, italiano, turco e em português em 2008.

da jornalista iraniana Camelia Entehabifard.



Neste livro autobiográfico, a autora relata a sua experiência pessoal de confrontação com o regime iraniano, descrevendo as pressões, perseguições, ameaças e a prisão de que foi alvo devido ao seu trabalho de jornalista e de defesa da liberdade de expressão.

" No dia anterior à minha libertação, o meu inquisidor tinha vindo combinar os nossos "encontros" lá fora. E também para me fazer um ultimato: libertavam-me na condição de eu assinar o meu tak nevesi e de fazer espionagem para o Ministério do Serviço de Informações".


Camelia Entekhabifard é uma jornalista, analista e escritora nascida em Teerão em 1973. 
Deixou o Irão em 2000, e estudou jornalismo e relações internacionais em Universidades como New York University e Columbia University
Vive entre Nova Iorque e o Dubai trabalhando como jornalista, comentadora e analista internacional. 
É crítica do atual sistema político iraniano mas não defende uma intervenção militar externa como solução para o seu país. 

Teerão, maio de 2000

A Biblioteca Municipal convida todos os leitores a descobrir esta obra marcante, que nos lembra que a liberdade de expressão e os direitos das mulheres continuam a ser conquistas que exigem vigilância, coragem e solidariedade.
Ler este livro é também uma forma de compreender melhor o mundo e as lutas que nele se travam todos os dias.





março 06, 2026

DIREITOS. JUSTIÇA. AÇÃO. PARA TODAS AS MULHERES E MENINAS

Domingo, dia 8 de março, assinala-se o Dia Internacional da Mulher, uma data dedicada à reflexão sobre a igualdade de direitos, à participação plena das mulheres na sociedade e o reconhecimento do seu contributo histórico, social e cultural.



Este ano, este dia assinala-se sob o tema
Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as Mulheres e Meninas.

Este tema, promovido pela ONU, lembra-nos que a igualdade de género ainda não é uma realidade plena e que é necessário continuar a agir para garantir direitos iguais, justiça social e oportunidades reais para todas as mulheres, sem exceção.

As bibliotecas, enquanto espaços de conhecimento, reflexão e cidadania, têm um papel fundamental na promoção destes valores. Através dos livros, da informação e do pensamento crítico, damos voz às histórias das mulheres, preservamos memórias, questionamos desigualdades e inspiramos mudanças.

No âmbito das comemorações deste ano e em consonância com a temática centrada na promoção dos direitos, da justiça e da ação para todas as mulheres e meninas, a Biblioteca Municipal destaca a obra da escritora Maria João Lopo de Carvalho:




Quem são as "desobedientes"?

Neste livro o leitor vai conhecer doze mulheres portuguesas que desafiaram o seu tempo. Mulheres que recusaram o silêncio, quebraram regras sociais, políticas e culturais e ousaram viver para além do que lhes era permitido.
São figuras reais, algumas conhecidas, outras esquecidas pela memória coletiva e que tiveram algo em comum: a coragem de desobedecer.
São elas: Maria Amália Vaz de Carvalho, Carolina Michaëlis de Vasconcelos, Angelina Vidal, Adelaide Cabete, Domitila de Carvalho, Ana de Castro Osório, Virgínia de Castro e Almeida, Carolina Beatriz Ângelo, Virgínia Quaresma, Irene Lisboa, Regina Quintanilha e Maria Lamas.


Para elas desobedecer significou lutar pelos seus direitos, afirmar um pensamento próprio, ocupar espaços que eram reservados aos homens, escolher caminhos considerados impossíveis.
Graças a estas mulheres, muitas das conquistas que hoje parecem naturais tornaram-se possíveis.



A Biblioteca Municipal convida os seus leitores a descobrir estas histórias inspiradoras que, através da coragem e determinação, ajudaram a transformar a História.









março 03, 2026

OS DADOS DE 2025 | LEITURA DIGITAL

Para terminar a análise aos dados recolhidos ao longo de 2025, que mostram a atividade da Biblioteca Municipal sob várias perspectivas, falta-nos apresentar os dados da leitura digital. Recorde-se que a plataforma Biblioled foi lançada em janeiro de 2025, sendo uma plataforma nacional de empréstimo de livros digitais, que mereceu forte adesão por parte dos nossos leitores, e que foi evoluindo ao longo do ano, diversificando e aumentando constantemente a oferta de possibilidades de leitura. 
Para mais informações sobre o funcionamento da Biblioled, aceda ao link que se encontra na barra lateral esquerda do nosso blog.

Ora vejam os dados dos leitores Biblioled da nossa Biblioteca Municipal:













fevereiro 24, 2026

24 DE FEVEREIRO: LER PARA COMPREENDER A UCRÂNIA, ATRAVÉS DE ANDREI KURKOV



Hoje, 24 de fevereiro, assinalam-se quatro anos desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, um acontecimento que transformou profundamente a vida de milhões de pessoas e marcou a história recente da Europa. Para além das notícias e dos acontecimento políticos, permanece uma necessidade essencial: compreender as histórias humanas por detrás da guerra.
Neste aniversário que convida à memória e à reflexão, a Biblioteca Municipal propõe uma viagem literária à Ucrânia através das palavras de Andrei Kurkov. Porque ler é também uma forma de compreender, de criar empatia e de não ficar indiferente ao mundo que nos rodeia.
A literatura permite-nos essa aproximação. Através dos livros, podemos escutar vozes individuais, conhecer o quotidiano das pessoas e perceber melhor realidades que, embora distantes geograficamente, nos dizem respeito enquanto comunidade global.


Entre essas vozes destaca-se o escritor ucraniano Andrei Kurkov, um dos autores contemporâneos mais reconhecidos internacionalmente.
Nascido a 23 de abril de 1961, em Leningrado, atual São Petersburgo, vive desde a infância em Kyiv (Kiev) e escreve maioritariamente em língua russa, o que reflete a complexidade cultural e linguística da Ucrânia.
É autor de romances, contos, livros infantis e ensaios, tendo as suas obras sido traduzidas para mais de 40 línguas.
Para além da ficção, Andrei Kurkov é uma voz ativa na defesa da cultura e da soberania ucranianas, colaborando regularmente com meios de comunicação internacionais. O seu trabalho literário contribui para uma melhor compreensão da história recente da Ucrânia, dando rosto humano às consequências políticas e sociais dos grandes conflitos.

Na Biblioteca Municipal, os leitores podem descobrir duas obras marcantes do autor, duas leituras que nos aproximam da realidade ucraniana e nos lembram que ler é também um ato de empatia.



Nos seus romances, o autor combina humor subtil, ironia e sensibilidade para retratar a vida comum em tempos de incerteza, revelando as contradições e fragilidades da sociedade pós-soviética e da Ucrânia contemporânea.

Descubra estes livros na sua Biblioteca




"Os ucranianos sempre acreditaram em finais felizes."
                                                                                                                 Andrei Kurkov





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