maio 22, 2026

CORPOS ESTRANHOS

Num tempo em que o mundo ainda vive as consequências da pandemia de COVID-19 e observa com inquietação o reaparecimento de surtos associados ao Hantavirus, a leitura de Corpos Estranhos, do historiador Simon Schama, torna-se surpreendentemente atual. 
Neste livro, que hoje divulgamos, o autor conduz-nos por episódios da História em que o medo da doença, do contágio e do "outro" moldou sociedades inteiras. Mais do que falar apenas de medicina, Simon Schama mostra como os corpos considerados "estranhos", diferentes e desconhecidos despertam reações de medo, exclusão e desconfiança. É impossível não estabelecer um paralelismo com o século XXI.
Durante a pandemia de COVID-19, assistimos a fronteiras fechadas, isolamento social, suspeição perante o próximo e uma avalanche de informação e desinformação. O vírus transformou hábitos, alterou relações humanas e expôs fragilidades sociais e políticas. Tal como Simon Schama demostra ao longo da História, a doença nunca é apenas biológica: ela revela medos profundos, desigualdades e tensões coletivas.



O paralelismo entre a obra "Corpos Estranhos" de Simon Schama e as crises sanitárias do século XXI, como a pandemia de COVID-19, o recente surto de hantavírus num navio de cruzeiro e ainda mais recentemente o surto de ebola na República Democrática do Congo, comprova a tese central do livro: as reações humanas ao contágio repetem-se de forma quase idêntica ao longo dos séculos. O medo não é apenas biológico; é social, político e psicológico.


O verdadeiro protagonista deste livro é Waldemar Haffkine, um microbiologista judeu, nascido em Odessa (atual Ucrânia), que trabalhou no prestigiado Instituto Pasteur em Paris. Haffkine, louvado em Inglaterra como "o salvador da humanidade", viajou para a Índia britânica e criou as primeiras vacinas em massa do mundo contra a cólera e a peste bubónica, salvando milhões de vidas. 


"Uma história global da vacinação, ao longo da qual ficamos a conhecer o seu companheiro de viagem mais frequente: a desconfiança."
                                                                                           The Economist



Simon Schama nasceu em Londres, a 13 de fevereiro de 1945, no seio de uma família judaica com origens lituanas e turcas. É considerado um dos mais reconhecidos historiadores contemporâneos, distinguindo-se pela capacidade de transformar a História numa narrativa viva, acessível e profundamente humana.
É professor universitário de História da Arte e de História na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. As sua obras, várias vezes premiadas, estão publicadas em quinze línguas.
Escreveu e apresentou quarenta filmes para a BBC, PBS e Canal de História sobre temas tão diversos como Tolstói, a política americana e Shakespeare, e ganhou um Emmy em 2007 por The Power of Art.
Conhecido pelo estilo apaixonado e eloquente, Simon Schama procura mostrar que a História não é apenas uma sucessão de datas e acontecimentos, mas um espelho das emoções, dos medos e das contradições humanas. 
Em 2019, foi armado cavaleiro do Império Britânico, pelo seu contributo como historiador.



Escrito no rescaldo da pandemia de COVID-19, Schama utiliza o passado para nos mostrar que o medo do contágio, a desconfiança na ciência e a resistência às vacinas não são fenómenos novos, mas sim constantes históricas.







maio 07, 2026

AS LIGAÇÕES CULINÁRIAS




E se a cozinha fosse o palco de uma rivalidade amorosa?

"- É simples, é muito simples. O facto de aquelas ondas de odor a salsa terem sido capazes de penetrar na minha varanda através da barreira aromática de jasmim, gardénia e Deus sabe que mais flores é que você tem do seu lado, já é de per si um indicador de uma considerável quantidade de salsa, o que, por sua vez, indica que essa salsa se destina a salada e requer um longo e minucioso corte antes de tombar na saladeira, com um pouco de alho - um ou dois dentes, esmagados e misturados com mão de mestre - e uma pitada de sal, um pouco de azeite e sumo de limão para lhe dar o toque final."



Em As Ligações Culinárias, Andreas Staïkos convida-nos para uma história deliciosa, onde o amor, o ciúme e a sedução se misturam com receitas requintadas e jogos de poder.
Neste romance divertido, dois homens apaixonam-se pela mesma mulher e entram numa competição inesperada: Conquistar o seu coração através da arte culinária. Entre pratos elaborados, estratégias subtis e encontros cheios de humor, a narrativa transforma a gastronomia numa linguagem de sedução e numa arma de rivalidade.
Este romance destaca-se por incluir receitas completas da culinária tradicional grega no final de cada capítulo, como a salada de salsa, folhas de videira recheadas e alcachofras à Constantinopla.

Uma história leve, inteligente e cheia de ironia é a 
nossa sugestão de leitura para o fim de semana


Andreas Staïkos nasceu em 1944, em Atenas, Grécia, e é um reconhecido escritor, dramaturgo e argumentista grego, cuja obra se distingue pelo humor refinado, pela ironia e por uma atenção especial aos prazeres da vida, especialmente a gastronomia, o amor e a convivência social.
Formou-se em Direito e Ciência Política, mas cedo se dedicou à escrita e ao teatro. Ao longo da sua carreia, destacou-se sobretudo como dramaturgo, tendo as suas peças sido representadas em diversos países europeus. Paralelamente, ganhou notoriedade internacional como romancista, sendo traduzido em várias línguas. 

A nossa sugestão de leitura para o seu fim de semana, As Ligações Culinárias, foi, em 2010 adaptada ao cinema (em grego: Epikindynes Mageirikes) e realizado por Vassilis Tselemegos.


Uma leitura saborosa, perfeita para quem acredita
 que os grandes encontros e desencontros 
acontecem muitas vezes à volta de uma mesa



abril 29, 2026

OS ALFERES

"Sabia lá eu o que era Timor... Uma vaga ilha no termo do mundo, verdejante e quente, exótica a mais não poder, mas em paz, sobretudo em paz. Por esses dias, fui muito felicitado. Perguntavam-me que empenhos tinha arranjado, que influências teria enternecido... Nada, a minha sorte deveu-se ao castigo duma falta militar análoga ao abandono de posto, numa vez em que me coube ser oficial de dia no meu quartel. Por uma destas ironias em que os costumes militares são vezeiros, elegendo por sistema o que for adverso ao senso comum, como efeito dos cinco dias de prisão a que então fui condenado, coube-me Timor na rifa." 


Publicado originalmente em 1989, Os Alferes, do escritor Mário de Carvalhoé um livro do contos marcante da literatura portuguesa contemporânea, onde o seu autor nos conduz a cenários de guerra e de ocupação colonial, explorando as contradições humanas em situação limite.

Três histórias. Três jovens oficiais. 
Três momentos em que a guerra revela o melhor e o pior do ser humano.

As histórias que compõem este livro, que hoje divulgamos, decorrem em cenários da Guerra Colonial, em África, Angola e Timor, conflito esse que foi longo, desgastante, que marcou profundamente a sociedade portuguesa, e foi uma das principais causas que conduziram à Revolução de 25 de Abril.
Os jovens oficiais aqui retratados vivem a incerteza, o medo e o absurdo da guerra. São homens comuns, muitas vezes sem compreender muito bem o sentido da missão que lhes foi confiada, o que ajuda a entender o ambiente de desgaste e contestação que antecedeu a revolução.

Este livro foi publicado no Brasil, França e Itália, país onde recebeu o Prémio Internazionalle Città di Cassino.

O primeiro conto, "Era uma vez um Alferes", foi adaptado por duas vezes para cinema pelos realizadores Luís Filipe Costa e Júlio Alves, e uma vez para teatro, por Otile Ehret.


Mário de Carvalho nasceu a 25 de setembro de 1944 em Lisboa. Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo esteve ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de prisão, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois do 25 de Abril, exerceu advocacia em Lisboa. 
O seu primeiro livro causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional. A sua obra tem diversos géneros literários (romance, conto, novela e teatro), percorrendo várias épocas e ambientes, com uma escrita extremamente versátil. 
Os seus livros estão traduzidos em várias línguas.
Recebeu, ao longo da sua carreira vários prémios, entre eles: 
  • Prémio Fernando Namora  
  • Prémio Vergilio Ferreira
  • Prémio Giuseppe Acerbi e Citá Cassino (em Itália)
  • Prémio Pen Clube
  • Prémio Internacional Pégaso
Em 9 de junho de 2014 foi agraciado com o grau de Grande-Oficial da Ordem Miliar de Sant'Iago da Espada e a 22 de novembro de 2021, foi agraciada com o grau da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.


"Os Alferes" é uma leitura breve, intensa e inesquecível sobre escolhas, medo e humanidade.
Livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura.


Ler este livro é compreender melhor o caminho 
que levou Portugal à democracia  



abril 24, 2026

ABRIL


"Não conheço quem não tenha "o dia mais feliz da minha vida". (...) Mas é muito frequente encontrar quem diga sem rodeios que o 25 de Abril foi o dia mais feliz da sua vida. Pode ser que se trate de uma declaração política para os contemporâneos ou para os descendentes. (...)
Este facto traduz a importância da data e o significado do acontecimento. Para os que têm mais de 50 anos, esse dia foi muito. Ou quase tudo. Foi a liberdade de ler, de ver, de ouvir, de falar, de andar na rua, de trabalhar, de estudar, de namorar e de procurar profissão e carreira. Até esse dia, havia futuros hipotecados. Vidas suspensas. Censores empenhados. Espiões cuidadosos. Polícias atentos. Denunciantes zelosos. Companhias a evitar. De repente, quase realmente de um dia para o outro, tudo parecia possível. Tudo era possível. A paz. O trabalho. A viagem. O namoro. O conhecimento. O teatro. Recordar Abril é recordar tudo. Por isso é tão festejado. Não é unânime, mas é universal, ou consensual, como se quiser."

O que é afinal "Abril"?
Uma revolução? Um dia? Um Ideal? Uma promessa?


Neste seu livro, o sociólogo e ensaísta António Barreto convida-nos a olhar para o 25 de Abril com lucidez, espírito crítico e sentido histórico. Mais do que celebrar a data, o autor propõe compreender, revisitando os acontecimentos, o que mudou e o que ficou por cumprir.
Recorda que os direitos conquistados em Abril exigem memória, responsabilidade e participação.  cívica. Ler sobre Abril é uma forma de preservar a nossa história e transmiti-la às novas gerações. Ajuda-nos a entender o que mudou em Portugal e porque a democracia continua a ser uma conquista que se deve cuidar todos os dias. 

Ler Abril é compreender a Liberdade
É conhecer o passado para valorizar o presente e proteger o futuro



António Barreto nasceu a 30 de outubro de 1942 no Porto. Viveu em Vila Real, Coimbra, Genebra e em Lisboa. Até 1974, foi exilado político
Licenciou-se, em 1968 e, doutorou-se em 1985, em Sociologia na Universidade de Genebra. Foi Assistente na Universidade de Genebra e Investigador no Instituto das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social. 
Em 1974 regressou a Portugal. Foi Professor na Universidade Nova de Lisboa e Investigador na Universidade Católica e no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Foi deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República. 
Em 1975 foi Secretário de Estado do Comércio Externo, em 1976 foi Ministro do Comércio e Turismo e Ministro da Agricultura e Pescas.
Em 2004 foi Prémio Montaigne
Sócio da Academia das Ciências desde 2008. Presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos de 2009 a 2014. Fundador da PORDATA. É, desde 1995, membro do Júri do Prémio Pessoa.
De 2009 a 2011 foi Presidente das Comemorações do Dia de Portugal.
Recebeu, em 2012 a Grã-cruz da Ordem Militar de Cristo e, em 2017 a Grã-cruz da Ordem da Liberdade.
Desde 1990 é colunista do jornal Público.
António Barreto é autor de livros nas áreas da sociologia, da política, da fotografia e do Douro. Coordenador do Dicionário de História de Portugal, 1925/1974 (volumes 7,8 e 9). 
Autor da série de televisão Portugal, Um Retrato Social e da longa metragem Horas do Douro.


Abril é o melhor mês.
 Mistura memórias e desejos. Cravos e jacarandás.
                                                                                                          Público, março de 2024







abril 15, 2026

DEMOCRACIA



Estamos em Lisboa, no início de 1975, numa casa grande e vazia,  situada entre o Largo do Rato e as Amoreiras, onde 12 amigos se reúnem. Há um país em processo revolucionário, poucos meses após o derrube da ditadura. Há entre eles muita incerteza no ar e uma pergunta por todos partilhada: 
O que fazer com toda esta liberdade.

Num tempo de celebração e reflexão, este romance que hoje divulgamos, recorda-nos que a democracia não é apenas uma herança do passado, mas sim um compromisso permanente com o futuro.
O autor revisita o país que saiu da Revolução dos Cravos, acompanhando as transformações, as expetativas e os desafios vividos ao longo de 50 anos de liberdade. Através de personagens comuns, o romance mostra que a democracia não é apenas um regime político, mas uma experiência vivida no quotidiano de cada cidadão. Somos transportados para o Portugal que nasceu após o 25 de Abril e vamos acompanhando as mudanças, esperanças e desafios vividos ao longo de cinco décadas de liberdade.


Alexandre Andrade nasceu em Lisboa, em 1971, cidade onde reside e desenvolve a sua atividade literária e académica. É professor na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e concilia a carreira universitária com a escrita de ficção, sobretudo conto e romance. A sua obra é marcada pela reflexão sobre a sociedade, a política e a vida urbana. Colaborou regularmente em revistas literárias como a Granta, LER e Ficções, e participou em projetos coletivos de escrita e teatro.
Em 2017, recebeu o Prémio PEN Clube Português de Narrativa pela obra "Descrição Guerreira e Amorosa da Cidade de Lisboa", reconhecimento que consolidou o seu lugar no panorama literário nacional.



Neste romance, Alexandre Andrade convida-nos a olhar para o caminho 
percorrido desde o 25 de Abril e a refletir sobre o valor da liberdade,
 da participação e da responsabilidade cívica.






abril 10, 2026

O QUE FIZEMOS DA NOSSA LIBERDADE

"Olhando para os quase nove séculos da história de Portugal, não se encontra tão longo período de estabilidade como o que se seguiu à normalização democrática decorrente do 25 de abril de 1974. São já perto de 50 anos sem guerras, insurreições, tentativas violentas de tomada do poder ou assassínios de estadistas. Foi também a época em que o envolvimento democrático da população nas grandes opções, tanto a nível nacional como local, atingiu o pleno - o que nunca antes tivera concretização, dadas as muitas limitações levantadas à participação eleitoral. (...)
O direito à liberdade de associação, de formação de partidos políticos, de expressão pública do pensamento, de debate de ideias e de ida às urnas eleitorais (tanto de candidatos como de votantes), abrangendo todos os cidadãos, constitui uma das mais profundas, significativas e persistentes novidades introduzidas pelo 25 de abril".



O livro que hoje divulgamos, do jornalista Joaquim Vieira, faz um retrato rigoroso das escolhas de Portugal desde a Revolução de 25 de Abril de 1974, analisando a evolução política, económica e social.
O livro percorre os acontecimentos, os protagonistas e as mudanças que marcaram a vida política, social e económica do nosso país e ajuda-nos a compreender como chegamos até aqui.
Aborda o contraste entre as conquistas democráticas e o atual sentimento de desilusão, desigualdade e a influência de movimentos globais de polarização.
É um convite à reflexão: o que fizemos, afinal, com a liberdade conquistada?
Direto, informativo e atual, é uma leitura essencial para quem quer compreender Portugal contemporâneo e pensar o futuro da democracia


"Contudo, porque nem tudo foi um mar de rosas e muita coisa se encontra longe do que todos sonhámos e ambicionámos, temos o dever de o fazer [celebrar a data] com um olhar crítico para o que foram estes tempos da nossa modernidade - em que o novo regime já cometeu o feito de suplantar, em longevidade, a asfixiante ditadura que o antecedeu."




50 anos depois do 25 de Abril, 
este livro convida-o a olhar pra trás 
e a perguntar que país estamos
 a construir com a liberdade que conquistámos.





março 27, 2026

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL JÁ FAZ PARTE DA NOSSA VIDA




A Inteligência Artificial deixou de ser ficção científica para se tornar parte do nosso quotidiano. Está nos algoritmos que escolhem o que lemos, no trabalho que muda, nas decisões que se automatizam. 

E o que acontece à inteligência humana quando convivemos com máquinas cada vez mais "inteligentes"? 

São a estas perguntas que Mariano Sigman, neurocientista, 
e Santiago Bilinkis, empreendedor tecnológico, respondem neste livro provocador e acessível.


Santiago Bilinkis
Mariano Sigman



Artificial não é um manual técnico nem um texto alarmista, é antes um convite à reflexão crítica sobre a fronteira, cada vez mais difusa, entre o humano e a máquina.
Ao longo do livro, os autores exploram temas como a consciência, a criatividade, o trabalho, a ética e a tomada de decisões, mostrando que a IA não é neutra nem inevitável. Pelo contrário, ela reflete as escolhas, os valores e as responsabilidades humanas. Ignorá-la não nos protege, apenas nos afasta do debate que já está a moldar o nosso presente e o nosso futuro.
O livro que hoje divulgamos aos nossos leitores e que sugerimos para leitura no seu fim de semana,  fala como a IA pode mudar a forma como trabalhamos, pensamos, aprendemos e nos relacionamos uns com os outros, e quais são os riscos que isso acarreta.
A tecnologia não é um destino inevitável que nos sucede sem controle, ela é moldada pelas escolhas humanas. Daí, uma das mensagens mais importantes que os autores passam é que não podemos ser indiferentes. Ignorar a IA não  faz com que ela deixe de transformar o mundo, só faz com que deixemos de compreender e influenciar esse processo. 


Disponível na nossa Biblioteca para empréstimo domiciliário

Este é um livro para leitores curiosos, críticos e atentos ao mundo em transformação. Não ficar indiferente à inteligência artificial é um ato de cidadania e a sua leitura é um excelente ponto de partida.


Uma leitura para quem não quer ficar indiferente ao futuro.

Pensar a tecnologia é também pensar o que nos torna humanos.





março 20, 2026

21 de MARÇO | DIA MUNDIAL DA POESIA

Assinalamos o Dia Mundial da Poesia com um poema (soneto), sobejamente conhecido, escrito em 1919, que nos dá uma definição do que é "ser poeta", feita através da sensibilidade romântica e dramática de uma das maiores poetas portuguesas - Florbela Espanca. 

SER POETA
▫️
Ser Poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
▫️
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
▫️
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
▫️
E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                                                             Florbela Espanca (1894-1930)


Assinalamos, ainda, o Dia Mundial da Poesia, através de mais dois nomes de referência na literatura portuguesa, de géneros muito diferentes, mas que deixaram a sua marca, também, na poesia. 
Falamos de António Lobo Antunes, que nos deixou fisicamente no início do mês (1942-2026), mas que deixa para sempre a sua obra, largamente premiada, as suas crónicas, os seus romances, os seus poemas; e de Jorge de Sena (1919-1978), o escritor exilado, um dos maiores intelectuais portugueses do séc. XX, com uma vasta obra, como poeta, ficcionista, crítico, ensaísta, historiador, tradutor. 
Ambos recitados por Pedro Lamares.
 


Pedro Lamares, nasceu em Portimão em 1979. Estudou artes plásticas, passou pela escola de jazz do Porto, frequentou o curso de preparação para licenciatura em música sacra, na Universidade Católica do Porto, estudou teatro na Academia Contemporânea do Espetáculo do Porto. Complementou a formação com cursos e oficinas de teatro de rua (Natural Theatre Company, de Inglaterra), voz (Bernard Messuir, da Bélgica), naturalismo (Rogério de Carvalho, de Moçambique), clown (Alan Richardson, de Inglaterra), máscara neutra (Kuniaki Ida, do Japão) e dança vertical (Roc in Lichen, de França). 

No teatro, trabalhou mais de uma dezena de autores, entre eles Anton Tchekhov, Howard Barker, Sófocles e Almeida Garrett. 
No cinema participou em sete longas metragens e mais de dez curtas, tendo trabalhado com realizadores como João Botelho, Jorge Paixão da Costa, Vítor Gonçalves, Joaquim Leitão, António-Pedro Vasconcelos, Patrícia Sequeira e Vicente Alves do Ó. 
Na televisão apresentou os programas "Literatura Agora" e "Literatura Aqui" na RTP2 e integrou o elenco de várias séries da RTP. 
Dirige espetáculos nas áreas do teatro, música e poesia, dedicando-se à escolha de textos e leitura em espetáculos, recitais e festivais literários. É professor em escolas de teatro e formador na área da comunicação e leitura de texto em bibliotecas por todo o país. Desenvolve projetos de palestras e recitais para estudantes do secundário.


Passe pela Biblioteca e, 
até 31 de março, descubra a Poesia ao Acaso dentro dos livros.




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