maio 27, 2026

DESGRAÇA

Entre a culpa, a solidão e a tentativa de redenção, Desgraça é um daqueles romances que não deixam o leitor indiferente.
Escrito por J.M.Coetzee, este livro mergulha-nos numa África do Sul em mudança, marcada por tensões sociais, desigualdades e feridas abertas.
Com uma escrita intensa, elegante e profundamente humana, o autor constrói um romance inquietante, capaz de provocar desconforto e reflexão. Este romance não oferece respostas fáceis e talvez seja precisamente isso que o torna tão marcante.
Vencedor do Booker Prize em 1999, este é um livro para quem aprecia literatura que desafia, questiona e permanece connosco muito depois da última página.
Este romance, Desgraça está incluído na lista dos 100 melhores romances, indicado pelo jornal The Guardian.
Em 2008 foi adaptado ao cinema pelo realizador Steve Jacobs, tendo o ator John Malcovich no papel de David Lurie.

"Uma obra-prima... talvez o melhor romance a arrecadar o Booker em uma década"
                                                                                                                         The Independent


Depois de anos a ensinar poesia romântica na Universidade Técnica da Cidade do Cabo, David Lurie, um professor de meia-idade divorciado por duas vezes, tem um romance impulsivo com uma aluna. O caso entretanto azeda, e David é acusado de assédio sexual e convocado a comparecer perante uma comissão disciplinar. Disposto a admitir a sua culpa, mas recusando-se a ceder à pressão para se arrepender publicamente, David demite-se e retira-se para a pequena propriedade isolada da sua filha Lucy. 
Durante algum tempo, a influência da filha e os ritmos naturais da quinta prometem trazer harmonia à sua vida dissonante. Mas as tentativas de David para se relacionar com Lucy e com uma sociedade feita de novas complexidades raciais são perturbadas pela violência de um ataque selvagem que os vais transformar, a ele e à sua filha, de uma maneira que jamais poderia prever.


J. M Coetzee nasceu a 9 de fevereiro de 1940 na Cidade do Cabo, na África do Sul. 
Considerado um dos maiores escritores contemporâneos, destacou-se pela profundidade moral e filosófica das suas obras centradas em temas como a violência, a culpa, o poder, o colonialismo e a condição humana.
Formado em Literatura e Linguística, foi professor de Literatura na Universidade da Cidade do Cabo, tendo mais tarde mudado para a Austrália, país onde adquiriu a nacionalidade.
A sua obra é marcada por uma escrita sóbria e intensa. Os seus romances abordam as tensões sociais e políticas da África do Sul, especialmente durante e após o apartheid, mas os seus temas alcançam uma dimensão universal. 
Em 2003 recebeu o Prémio Nobel da Literatura, sendo reconhecido pela forma como retrata "o envolvimento surpreendente do estranho"
Coetzee foi também o primeiro escritor a vencer por duas vezes o Booker Prize, um dos mais importantes prémios da literatura em língua inglesa.

Ler J.M. Coetzee é entrar numa literatura exigente, humana e profundamente atual, que convida o leitor a refletir sobre a sociedade, a ética e os limites da humanidade.




maio 22, 2026

CORPOS ESTRANHOS

Num tempo em que o mundo ainda vive as consequências da pandemia de COVID-19 e observa com inquietação o reaparecimento de surtos associados ao Hantavirus, a leitura de Corpos Estranhos, do historiador Simon Schama, torna-se surpreendentemente atual. 
Neste livro, que hoje divulgamos, o autor conduz-nos por episódios da História em que o medo da doença, do contágio e do "outro" moldou sociedades inteiras. Mais do que falar apenas de medicina, Simon Schama mostra como os corpos considerados "estranhos", diferentes e desconhecidos despertam reações de medo, exclusão e desconfiança. É impossível não estabelecer um paralelismo com o século XXI.
Durante a pandemia de COVID-19, assistimos a fronteiras fechadas, isolamento social, suspeição perante o próximo e uma avalanche de informação e desinformação. O vírus transformou hábitos, alterou relações humanas e expôs fragilidades sociais e políticas. Tal como Simon Schama demostra ao longo da História, a doença nunca é apenas biológica: ela revela medos profundos, desigualdades e tensões coletivas.



O paralelismo entre a obra "Corpos Estranhos" de Simon Schama e as crises sanitárias do século XXI, como a pandemia de COVID-19, o recente surto de hantavírus num navio de cruzeiro e ainda mais recentemente o surto de ebola na República Democrática do Congo, comprova a tese central do livro: as reações humanas ao contágio repetem-se de forma quase idêntica ao longo dos séculos. O medo não é apenas biológico; é social, político e psicológico.


O verdadeiro protagonista deste livro é Waldemar Haffkine, um microbiologista judeu, nascido em Odessa (atual Ucrânia), que trabalhou no prestigiado Instituto Pasteur em Paris. Haffkine, louvado em Inglaterra como "o salvador da humanidade", viajou para a Índia britânica e criou as primeiras vacinas em massa do mundo contra a cólera e a peste bubónica, salvando milhões de vidas. 


"Uma história global da vacinação, ao longo da qual ficamos a conhecer o seu companheiro de viagem mais frequente: a desconfiança."
                                                                                           The Economist



Simon Schama nasceu em Londres, a 13 de fevereiro de 1945, no seio de uma família judaica com origens lituanas e turcas. É considerado um dos mais reconhecidos historiadores contemporâneos, distinguindo-se pela capacidade de transformar a História numa narrativa viva, acessível e profundamente humana.
É professor universitário de História da Arte e de História na Universidade de Columbia, em Nova Iorque. As sua obras, várias vezes premiadas, estão publicadas em quinze línguas.
Escreveu e apresentou quarenta filmes para a BBC, PBS e Canal de História sobre temas tão diversos como Tolstói, a política americana e Shakespeare, e ganhou um Emmy em 2007 por The Power of Art.
Conhecido pelo estilo apaixonado e eloquente, Simon Schama procura mostrar que a História não é apenas uma sucessão de datas e acontecimentos, mas um espelho das emoções, dos medos e das contradições humanas. 
Em 2019, foi armado cavaleiro do Império Britânico, pelo seu contributo como historiador.



Escrito no rescaldo da pandemia de COVID-19, Schama utiliza o passado para nos mostrar que o medo do contágio, a desconfiança na ciência e a resistência às vacinas não são fenómenos novos, mas sim constantes históricas.







maio 07, 2026

AS LIGAÇÕES CULINÁRIAS




E se a cozinha fosse o palco de uma rivalidade amorosa?

"- É simples, é muito simples. O facto de aquelas ondas de odor a salsa terem sido capazes de penetrar na minha varanda através da barreira aromática de jasmim, gardénia e Deus sabe que mais flores é que você tem do seu lado, já é de per si um indicador de uma considerável quantidade de salsa, o que, por sua vez, indica que essa salsa se destina a salada e requer um longo e minucioso corte antes de tombar na saladeira, com um pouco de alho - um ou dois dentes, esmagados e misturados com mão de mestre - e uma pitada de sal, um pouco de azeite e sumo de limão para lhe dar o toque final."



Em As Ligações Culinárias, Andreas Staïkos convida-nos para uma história deliciosa, onde o amor, o ciúme e a sedução se misturam com receitas requintadas e jogos de poder.
Neste romance divertido, dois homens apaixonam-se pela mesma mulher e entram numa competição inesperada: Conquistar o seu coração através da arte culinária. Entre pratos elaborados, estratégias subtis e encontros cheios de humor, a narrativa transforma a gastronomia numa linguagem de sedução e numa arma de rivalidade.
Este romance destaca-se por incluir receitas completas da culinária tradicional grega no final de cada capítulo, como a salada de salsa, folhas de videira recheadas e alcachofras à Constantinopla.

Uma história leve, inteligente e cheia de ironia é a 
nossa sugestão de leitura para o fim de semana


Andreas Staïkos nasceu em 1944, em Atenas, Grécia, e é um reconhecido escritor, dramaturgo e argumentista grego, cuja obra se distingue pelo humor refinado, pela ironia e por uma atenção especial aos prazeres da vida, especialmente a gastronomia, o amor e a convivência social.
Formou-se em Direito e Ciência Política, mas cedo se dedicou à escrita e ao teatro. Ao longo da sua carreia, destacou-se sobretudo como dramaturgo, tendo as suas peças sido representadas em diversos países europeus. Paralelamente, ganhou notoriedade internacional como romancista, sendo traduzido em várias línguas. 

A nossa sugestão de leitura para o seu fim de semana, As Ligações Culinárias, foi, em 2010 adaptada ao cinema (em grego: Epikindynes Mageirikes) e realizado por Vassilis Tselemegos.


Uma leitura saborosa, perfeita para quem acredita
 que os grandes encontros e desencontros 
acontecem muitas vezes à volta de uma mesa



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