setembro 30, 2026

O VENTO QUE ARRASA

“Escribo a partir de lo que escucho, de lo que veo en la calle,
 pero también de recuerdos, de lecturas”


Selva Almada nasceu em Entre Ríos, Argentina, a 5 de abril de 1973, e vive atualmente em Buenos Aires. É autora de romances, contos e obras de não ficção, sendo considerada uma das vozes mais marcantes da literatura argentina e latino-americana contemporânea. 
Publicou o seu primeiro romance, que faz parte das novidades literárias da Biblioteca Municipal, O vento que arrasa, em 2012. A obra conquistou leitores e a crítica e, na sua tradução inglesa, recebeu em 2019 o First Book Award do Festival Internacional do Livro de Edimburgo.
A sua obra, marcada por uma escrita concisa, intensa e profundamente humana, foi traduzida para várias línguas. Nas suas histórias, a autora explora as relações humanas, a violência, a memória, a vida nas regiões do interior argentino e as vozes de personagens que raramente ocupam o centro da literatura.


O calor sufoca o monte chaquenho. Choverá? Apeados por uma falha mecânica, o Reverendo Pearson e a sua filha Leni esperam pacientes que o Gringo Brauer e Tapioca - o rapaz que há uns anos foi deixado ao seu cuidado - possam repará-la para seguirem caminho. Nesse cemitério de carros desmantelados e sucata agrícola, os adolescentes passam o tempo e os adultos conversam sobre as suas próprias vidas. O encontro inesperado mudará todos.
Romance intenso e envolvente, quatro personagens encontram-se num lugar perdido no interior da Argentina, num dia marcado pelo calor, pela tensão e por encontros que irão deixar marcas. Entre silêncios, conflitos e memórias, Selva Almada constrói uma narrativa poderosa sobre a solidão, a fé, as relações humanas e a necessidade de encontrar um caminho.

Venha descobrir Selva Almada e deixe-se levar por este vento.



setembro 25, 2026

QUANDO AS AVES VOAM PARA SUL

Um homem, um cão, uma casa cheia de lembranças e um filho com
 quem ficaram demasiadas coisas por dizer.
 

"(...) Pergunto-me, por exemplo, porque é que as coisas foram como foram. Penso na minha mãe e no meu pai como nunca tinha pensado. Mas penso, acima de tudo, no Hans; não quero que as coisas entre nós acabem como acabaram entre mim e o meu pai.
Mas depois ele veio com aquela história sobre o Sixten, e essa conversa revolta-me de tal maneira que nem sei o que fazer. Como raio posso consertar a nossa relação se ele mo tirar?"


Uma história delicada sobre amor, família, envelhecimento e despedida.

Há livros que falam de grandes acontecimentos. E há livros que encontram a grandeza nas pequenas coisas: numa casa silenciosa, numa relação entre pai e filho, nas memórias que resistem ao tempo e na difícil aprendizagem de deixar partir.
Quando as aves voam para sul, da escritora sueca Lisa Ridzén, e que sugerimos para leitura de fim de semana, é um romance delicado e profundamente humano sobre velhice, solidão, família, amor e despedida.
A história acompanha um homem idoso que vive sozinho, com a companhia do seu cão. À medida que o inverno se aproxima, a rotina quotidiana vai sendo atravessada por memórias, ausências e pela consciência de que o tempo não pode ser travado. A relação com o filho, marcada por silêncios e por coisas que ficaram por dizer, ganha um novo significado quando a vida exige decisões difíceis.


"Um daqueles livros que o faz rir, chorar... e querer comprar vinte cópias para oferecer a todos os que ama."
                                                                                                            Fredrik Backman


Lisa Ridzén, nascida em 1988, é uma escritora e socióloga sueca. Cresceu na região de Jämtland, no norte da Suécia, onde continua a viver, numa pequena aldeia próxima de Östersund. 
É doutoranda em Sociologia e a sua investigação centra-se nas normas de masculinidade nas comunidades rurais do norte da Suécia, temas que também atravessam a sua escrita. 
A ideia para o seu livro que hoje divulgamos, Quando as aves voam para sul, o seu romance de estreia, nasceu quando encontrou as notas deixadas pela equipa de cuidados que acompanhou o seu avô nos últimos anos de vida. 
Essas pequenas observações do quotidiano deram origem à personagem de Bo e a uma história sobre envelhecimento, família, amor e as muitas coisas que ficam por dizer. 
Publicado originalmente na Suécia em 2024, o romance tornou-se um fenómeno editorial, conquistando o Prémio Livro do Ano na Suécia e os prémios Adlibris de Estreia do Ano e Ficção do Ano. A obra foi entretanto publicada em trinta e cinco países.

Venha descobrir este livro. 
Talvez encontre entre estas páginas uma história que também fala de si.




setembro 10, 2026

CARLA PAIS | 17 set | 19h00 | Auditório da Resinagem


Carla Pais nasceu em 1979, na freguesia de Regueira de Pontes, concelho de Leiria, e reside atualmente em França. Autora premiada em diferentes géneros literários, publicou, entre outras obras, o romance Mea Culpa, finalista do Prémio APE 2018, e Um Cão Deitado à Fossa, distinguido com o Prémio Cidade de Almada 2018 e com o Prémio SPA 2023 para Melhor Livro de Ficção Narrativa. Na poesia, venceu a primeira edição do Prémio de Poesia Francisco Rodrigues Lobo. Em 2025, alcançou um dos mais importantes reconhecimentos da literatura portuguesa ao vencer o Prémio LeYa com o romance A Sombra das Árvores no Inverno. A sua escrita destaca-se pela exigência formal, pela intensidade lírica e pela profundidade dos temas abordados.

Carla Pais é a convidada do Município para uma conversa sobre o seu percurso no mundo da escrita, as obras que marcaram a sua carreira, os prémios conquistados e os desafios e experiências que acompanham a criação literária. 

A iniciativa terá como mediador o Prof. Paulo Tojeira, docente da Escola Secundária Eng.º Calazans Duarte e fundador do Grupo de Percussão Tocándar.

NÃO FALTE!




setembro 02, 2026

O SURPREENDENTE SILÊNCIO DOS HOMENS

 

Há silêncios que dizem muito. 
E há silêncios que se tornam ensurdecedores quando, à sua volta, a brutalidade cresce.

A Biblioteca Municipal da Marinha Grande divulga o mais recente romance de Rita Ferro, um grito de alerta perante a escalada mundial da brutalidade contra as mulheres.
Um livro incómodo, corajoso e necessário, que questiona o medo, o silêncio e a violência que tantas mulheres carregam desde a infância.
O novo romance de Rita Ferro convida-nos a pensar sobre os homens, sobre as mulheres e sobre aquilo que ainda precisamos de transformar nas relações entre ambos. Porque compreender a violência é também questionar os modelos de masculinidade, os comportamentos que se normalizam e os silêncios que permitem que a brutalidade continue.

Como podemos crescer amando, desejando e, ao mesmo tempo, temendo os homens?

Através da história de Maria da Graça, a autora conduz-nos pelos labirintos da natureza feminina, das relações humanas e dos segredos familiares, num romance que nos obriga a olhar de frente para uma realidade que não pode ser ignorada.

"(...) Uns pedem desculpa no dia seguinte, pensando que uma palavra de oito letras relevará o abuso e não terá repercussões na nossa sensibilidade.
- Desculpa lá aquilo de ontem, bebi de mais.
Ou tentam gracejar, pretendendo que um miserável galanteio os absolva:
- Não tenho a culpa que sejas tão bonita."

O surpreendente silêncio dos homens 
é,  assim, mais do que um romance: 
é uma oportunidade para olhar de frente para uma realidade que não podemos aceitar como inevitável.

Porque quando a violência contra as mulheres cresce, 
quebrar o silêncio deixa de ser uma escolha. Torna-se uma responsabilidade de todos.

Rita Ferro: uma voz incontornável da literatura portuguesa

Rita Ferro nasceu em Lisboa, a 16 de fevereiro de 1955, e é uma das escritoras portuguesas com uma presença mais marcante na literatura contemporânea. Estudou Design e especializou-se em Marketing, tendo trabalhado como professora de Publicidade e exercido funções de direção e consultoria em empresas. Filha do escritor e filósofo António Quadros e neta dos escritores Fernanda de Castro e António Ferro, Rita Ferro cresceu num ambiente profundamente ligado à literatura e à cultura portuguesas.
Iniciou a sua carreira literária em 1990, com o romance O Nó na Garganta. Desde então, construiu uma obra diversificada, que inclui romances, crónicas, biografias, literatura infantil, peças de teatro e livros de caráter autobiográfico. A sua escrita distingue-se por uma linguagem mordaz, intimista e envolvente, abordando frequentemente as relações humanas, a condição feminina, a vida familiar e as complexidades da sociedade contemporânea.
Ao longo do seu percurso, manteve também uma presença regular na imprensa, na rádio e na televisão, conciliando a escrita literária com outras formas de comunicação e reflexão sobre a sociedade.
Com mais de três décadas de percurso literário, Rita Ferro continua a escrever sobre aquilo que nos inquieta, nos aproxima e, muitas vezes, nos separa. O seu novo romance, O Surpreendente Silêncio dos Homens, que hoje divulgamos e que faz parte das novidades acabadas de chegar à biblioteca, inscreve-se nesse percurso de observação das relações humanas e promete, desde o próprio título, provocar reflexão e debate.


Uma leitura para pensar.
Uma leitura para questionar.
Uma leitura para não permanecer em silêncio.



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