agosto 26, 2026

ALICE NO PAÍS DAS IDEIAS

 UM CONVITE A PENSAR LIVREMENTE


"- É curioso - prossegue a Alice -, nunca tinha pensado que as ideias fossem tão importantes... Aprendi que as havia boas, más, verdadeiras, falsas, mas, no fundo, não sabia do que se tratava ao certo. Ouvi falar de ideias para presentes, de ideias feitas, das ideias infantis e das dos adultos, ideias para receitas, ideias para saídas, uma ideia para um penteado, ideias para férias. "

E se, por momentos, deixássemos de aceitar as ideias como verdades definitivas
 e nos permitíssemos simplesmente pensar?



Em Alice no país das ideias, Roger-Pol Droit conduz-nos por uma viagem surpreendente pelo mundo das ideias, mostrando-nos que a filosofia está longe de ser uma coisa chata, complicada ou aborrecida, reservada apenas aos filósofos e aos livros difíceis. Pelo contrário: filosofar é perguntar, duvidar, imaginar, questionar e procurar compreender.
São as ideias que nos ajudam a interpretar o mundo, a perceber aquilo que nos rodeia e, muitas vezes, a encontrar novas formas de o transformar. Afinal, muitas das grandes mudanças da humanidade começaram com uma ideia, uma pergunta ou alguém que teve a coragem de pensar de maneira diferente.
Porque pensar é um exercício de liberdade. É ter a coragem de fazer perguntas, de não aceitar tudo como adquirido, de ouvir diferentes pontos de vista e, sobretudo, de construir as nossas próprias ideias.
E há uma liberdade ainda maior: a liberdade de mudar de ideias. Mudar de opinião não é fraqueza nem contradição — pode ser sinal de que aprendemos, refletimos e crescemos.
Este livro é, por isso, mais do que uma leitura: é um convite à curiosidade, à reflexão e ao pensamento livre. Uma oportunidade para descobrir que a filosofia pode ser próxima, estimulante e até divertida.


Roger-Pol Droit — filósofo, escritor e divulgador do pensamento
Roger-Pol Droit é um filósofo, escritor e jornalista francês, conhecido pela forma acessível e estimulante como aproxima a filosofia e a história das ideias dos leitores. Professor agregado de Filosofia, doutorou-se em Filosofia e desenvolveu uma parte importante da sua carreira como investigador no CNRS — Centre National de la Recherche Scientifique. Foi também professor e diretor de seminários no Sciences Po, em Paris.
Em 2025, publicou Alice no País das Ideias, o livro que hoje a Biblioteca Municipal da Marinha Grande divulga, uma obra que combina aventura, filosofia e história do pensamento. Através da personagem Alice, o autor convida o leitor a viajar por diferentes épocas e civilizações e a encontrar pensadores como Sócrates, Platão, Buda, Montaigne, Descartes, Voltaire e Nietzsche.
A obra traduz bem aquilo que parece ser uma das grandes preocupações de Roger-Pol Droit: mostrar que pensar não é um exercício distante ou reservado aos filósofos, mas uma ferramenta essencial para compreender o mundo, questioná-lo e, se necessário, transformá-lo. 
Alice no País das Ideias é, nesse sentido, também um convite à dúvida, à curiosidade e à liberdade de pensar — incluindo a liberdade, tão importante quanto difícil, de mudar de ideias.


Na Biblioteca Municipal da Marinha Grande, deixamos-lhe o desafio: 
leia, questione, pense por si próprio… e permita-se mudar de ideias.

Porque uma ideia verdadeiramente livre é aquela que nunca deixa de poder ser pensada de novo.




agosto 21, 2026

PÉS DE BARRO



60 anos da Ponte sobre o Tejo… 
e um livro para atravessar a História



No passado dia 6 de agosto, a Ponte sobre o Tejo completou 60 anos.
Inaugurada em 1966, aquela que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril transformou para sempre a paisagem de Lisboa e a ligação entre as duas margens do Tejo.






Mas como era viver e trabalhar em Lisboa quando a ponte ainda estava a nascer?

É precisamente nesse tempo que nos leva Nuno Duarte, no seu romance Pés de Barro, vencedor do Prémio LeYa 2024.
Estamos em 1962, num Portugal marcado pelo Estado Novo, quando começa a construção da primeira grande ponte suspensa sobre o Tejo. Cerca de três mil homens são necessários para erguer aquela obra monumental. Entre eles está Victor Tirapicos, um jovem serralheiro de 22 anos, através de cujos olhos acompanhamos o crescimento da ponte e, ao mesmo tempo, as vidas, dificuldades, sonhos e contradições de quem habitava os pátios operários de Alcântara.
Este romance é, assim, muito mais do que a história de uma ponte. É um retrato de um país em transformação, onde uma ponte une enquanto uma guerra separa, com a Guerra Colonial como pano de fundo.


60 anos depois da inauguração da Ponte sobre o Tejo, talvez seja uma boa altura para voltar a atravessá-la… através da leitura.




 


Nuno Duarte nasceu em Sintra, em 1973. Cresceu rodeado de livros, descobrindo desde cedo a literatura através dos livros que o pai tinha em casa, de autores como John Steinbeck, Fiódor Dostoiévski, Ernest Hemingway, Ferreira de Castro e José Saramago, mas também através da banda desenhada, com autores como Goscinny, Hergé, Edgar P. Jacobs, Christin e Moebius. 
Estudou Design Gráfico no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual e iniciou uma carreira na área da publicidade. Trabalhou como diretor criativo em algumas das principais agências do mercado, tendo recebido diversas distinções nacionais e internacionais. 
Apesar de a literatura e a escrita fazerem parte da sua vida há muitos anos, foi apenas na idade adulta que decidiu dedicar-se à escrita literária. Aos 51 anos, Nuno Duarte estreou-se como romancista — e fê-lo da melhor forma possível: conquistando o Prémio LeYa 2024 com o seu primeiro romance, Pés de Barro e que hoje sugerimos para leitura no seu fim de semana
Esta estreia tardia é, talvez, um dos aspetos mais interessantes do seu percurso: demonstra que nunca é tarde para começar uma nova aventura e transformar uma paixão antiga num projeto literário.
O romance que marcou a sua estreia foi ainda finalista do Prémio Wook Novos Autores 2025 e nomeado para o Prémio Livro do Ano Bertrand 2025.



"Um retrato muito dinâmico e vivo do Portugal dos anos 1960"
                                                                                  Manuel Alegre, Presidente do Júri






Venha descobri-lo e conhecer, através da literatura, as histórias das pessoas que ajudaram a construir uma das obras mais emblemáticas de Portugal.




agosto 12, 2026

MARIDOS E AMANTES

 






Maridos e Amantes, de Beatriz Williams, é um romance envolvente que entrelaça duas histórias separadas por mais de setenta anos, revelando como os segredos do passado continuam a moldar o presente.
Na Nova Inglaterra dos dias de hoje, Mallory Dunne enfrenta a maior provação da sua vida quando o filho adoece gravemente. Enquanto procura desesperadamente um dador compatível, descobre verdades inesperadas sobre a história da sua família e vê-se obrigada a revisitar um amor que julgava encerrado. Em paralelo, o leitor é transportado para o Cairo dos anos 1950, onde Hannah Ainsworth, sobrevivente do Holocausto, se vê dividida entre o dever, a paixão e os perigos de um mundo marcado pela espionagem e pela instabilidade política.
Com uma escrita elegante e personagens profundamente humanas, Beatriz Williams constrói um romance onde o amor, a perda, a maternidade, os sacrifícios e os laços familiares se cruzam de forma emocionante.
Entre cenários históricos fascinantes e um enredo repleto de mistério, Maridos e Amantes é uma leitura cativante que convida a refletir sobre as escolhas que fazemos e o impacto que elas podem ter ao longo de várias gerações.



Venha descobrir este romance na Biblioteca Municipal da Marinha Grande
deixe-se envolver por uma história inesquecível, 
onde o passado nunca deixa verdadeiramente de nos acompanhar.








Beatriz Williams é uma escritora norte-americana reconhecida pelos seus romances de ficção histórica, nos quais combina acontecimentos reais, mistério, romance e personagens memoráveis. Antes de se dedicar à escrita, licenciou-se na Universidade de Stanford e trabalhou durante vários anos na área das finanças, em Londres e Nova Iorque.
Estreou-se como romancista em 2012 e, desde então, tornou-se uma presença constante nas listas de livros mais vendidos do The New York Times. As suas obras distinguem-se pela cuidada recriação histórica, pelos enredos que alternam entre diferentes épocas e pela forma como explora as relações humanas, os segredos de família e o papel das mulheres em momentos marcantes da História.
Traduzidos para diversas línguas, os seus livros conquistaram leitores em todo o mundo, consolidando Beatriz Williams como uma das vozes mais apreciadas da ficção histórica contemporânea.



"Este trabalho de Williams, uma ficção histórica disfarçada de leitura de verão, acompanha um casal fascinante e brilhantemente criado, e as descrições de um tenso Cairo pós-guerra são simultaneamente imponentes e detalhadas. O resultado é um livro que nos agarra como um bom filme, e que nos apanha de surpresa"
                                                                                                            The New York Times










agosto 07, 2026

O DIREITO DE NÃO FAZER NADA




 


 Há dias em que o melhor plano é... não ter plano nenhum.

Depois de um ano inteiro de trabalho, compromissos e horários, parar não é um luxo: é um direito. É nesses momentos de descanso, em que o tempo parece abrandar, que podemos recuperar energias, respirar fundo e simplesmente desfrutar do prazer de não fazer nada.

Mas esse "não fazer nada" pode ganhar um companheiro perfeito: um bom livro. Sem pressas, sem obrigações, apenas o prazer de ler ao ritmo das férias, da sombra de uma árvore, da praia, da varanda ou do sofá.

Na Biblioteca Municipal da Marinha Grande há histórias para todos os gostos: romances que nos fazem viajar, policiais que prendem até à última página, biografias inspiradoras, livros de aventura, fantasia, poesia ou ciência. Há sempre um livro à espera de tornar esses momentos de descanso ainda mais especiais.


Se vai aproveitar o merecido tempo de pausa, passe pela biblioteca.
 Temos, de certeza, o livro certo para animar esse delicioso "estar sem fazer nada".





Porque descansar também é ler. 
E ler é uma das melhores formas de aproveitar o tempo.


julho 29, 2026

OLHO POR OLHO




Olho por Olho, de Jeffrey Archer, é um thriller envolvente que combina vingança, justiça e intriga política, confirmando o talento do autor para criar narrativas cheias de ritmo e reviravoltas.
Neste romance, a determinação de um homem em fazer justiça leva-o a enfrentar adversários poderosos, num jogo perigoso onde cada decisão pode alterar o destino de todos os envolvidos. Entre conspirações, interesses ocultos e dilemas morais, o autor conduz o leitor por uma trama inteligente que prende da primeira à última página.

Com capítulos curtos, suspense constante e personagens bem construídas, Olho por Olho, gentilmente oferecido pela MJReads, é uma leitura ideal para quem aprecia romances de ação, mistério e estratégia, onde nada é exatamente o que parece.

Porque vale a pena ler este livro?

Porque Jeffrey Archer transforma uma história de vingança num intenso confronto entre ética,
 poder e justiça. Olho por Olho é um romance impossível de largar, que desafia o leitor
 a refletir sobre até onde se pode ir para corrigir uma injustiça e se
 a vingança consegue, alguma vez, substituir a verdadeira justiça.


Jeffrey Archer nasceu a 15 de abril de 1940, em Londres, Inglaterra. É um dos mais conhecidos autores britânicos de ficção contemporânea, com mais de 300 milhões de livros vendidos em 114 países e é publicado em 47 línguas. 
É o único autor que foi número 1 de vendas nos géneros de ficção, contos e não-ficção.
Antes de se dedicar em exclusivo à escrita, teve uma carreira na política. Foi deputado pelo Partido Conservador e, mais tarde, membro da Câmara dos Lordes. A sua vida pública ficou marcada por sucessos, mas também por polémicas e problemas judiciais, experiências que muitos leitores consideram ter enriquecido a forma como retrata o poder, a ambição e a natureza humana nos seus romances.
Estreou-se na literatura em 1976 com Not a Penny More, Not a Penny Less (Nem Mais um Tostão, Nem Menos um Tostão). O reconhecimento internacional chegou pouco depois com Kane e Abel, um dos seus maiores êxitos editoriais. Desde então, publicou numerosos romances de suspense, intriga política e drama, destacando-se também as séries As Crónicas de Clifton e William Warwick, muito apreciadas pelos leitores.
A  sua escrita caracteriza-se por tramas bem construídas, capítulos curtos, ritmo acelerado e reviravoltas surpreendentes, qualidades que fizeram dele um dos autores mais populares do género do thriller e da ficção de entretenimento. As suas obras continuam a conquistar leitores em todo o mundo pela capacidade de prender a atenção da primeira à última página.


"Provavelmente o melhor contador de histórias dos nossos dias"
The Times






julho 24, 2026

MORTE NO PARQUE

 O autor português mais lido da nossa Biblioteca em 2025 está de volta!

Depois de conquistar os leitores da nossa Biblioteca e de se tornar
  o autor português mais requisitado 
Lourenço Seruya regressa com um novo e eletrizante thriller:  


Livro gentilmente oferecido pela MJReads com dedicatória
aos leitores da BM da Marinha Grande

Tudo começa numa residência literária em Serralves, onde seis escritores procuram inspiração. Mas a tranquilidade é interrompida pela descoberta de um cadáver. O assassino continua no parque… e cada página aproxima o leitor da verdade, numa investigação repleta de suspense, reviravoltas e segredos.
Assim que começa a investigar os escritores e os funcionários, o inspetor Bruno Saraiva conclui que nenhum deles tinha motivos para desejar aquela morte. Terá a escuridão confundido o assassino, levando-o a matar a pessoa errada?
Apesar de todo o esforço, a Polícia não consegue fazer progressos na investigação. Até que é encontrado outro cadáver... 



Se já é fã de Lourenço Seruya, esta é uma leitura imperdível. 

Se ainda não conhece a sua escrita, Morte no Parque é o convite perfeito para descobrir um dos nomes mais cativantes da literatura policial portuguesa da atualidade.


Visite a Biblioteca, descubra este novo livro e deixe-se envolver por um mistério do qual será impossível escapar. 
Esperamos por si!




julho 15, 2026

A CARTEIRA

Este é um romance para quem aprecia personagens inesquecíveis, 
retratos de época rigorosos e romances que recordam 
que uma única pessoa pode transformar a vida de muitos.
Uma leitura emocionante que celebra a liberdade,
 a resiliência e o poder das pequenas ações para mudar o curso da História.


A Carteira é um romance que nos transporta até ao sul de Itália dos anos 30, onde a tradição e os costumes parecem determinar o destino de cada pessoa. É neste cenário que surge Anna Allavena, uma mulher vinda do Norte, cuja independência, coragem e determinação desafiam as convenções de uma pequena aldeia.
Quando decide candidatar-se ao lugar de carteira, tornando-se a primeira mulher a distribuir correspondência na comunidade, Anna não leva apenas cartas de porta em porta. Leva esperança, aproxima pessoas, guarda segredos, testemunha amores, despedidas e reencontros. Ao longo de duas décadas marcadas pelas transformações sociais  e pela Segunda Guerra Mundial, torna-se o elo invisível que une uma população inteira.


Francesca Giannone  nasceu em 1982, na região da Apúlia, no sul de Itália, onde vive atualmente. Formou-se em Ciências da Comunicação e trabalhou durante vários anos no setor da comunicação, antes de se dedicar inteiramente à escrita. 
Estreou-se na literatura com este romance, que sugerimos aos nossos leitores, e que foi inspirado na história da sua bisavó, a primeira mulher carteiro numa pequena localidade da Apúlia.
Publicado em 2023, o livro tornou-se um enorme sucesso editorial em Itália, conquistando leitores e crítica, permanecendo durante meses no top de vendas. 
A escrita de Francesca Giannone destaca-se pela capacidade de recriar ambientes históricos, construir personagens femininas fortes e explorar temas como  a família, a identidade, a emancipação feminina e o poder das relações humanas. 
Este romance foi distinguido com o prestigiado Prémio Bancarella 2023, um dos mais importantes galardões literários italianos.



Deixe-se conquistar por este romance inesquecível.
Requisite-o na Biblioteca e descubra porque há histórias que permanecem connosco muito depois da última página.





julho 10, 2026

LITERATURA QUE NOS FAZ PENSAR




 

De Lado Nenhum, da escritora Julia Navarro
é um romance que nos leva ao coração de alguns dos acontecimentos mais marcantes
 e dolorosos do século XXI.  


Das cicatrizes deixadas pelos atentados terroristas à complexidade do conflito israelo-palestiniano, a autora constrói uma narrativa intensa que convida o leitor a olhar para além das além das manchetes e dos discursos políticos.
Através de personagens marcadas pela perda, pelo exílio e pela procura de identidade, Julia Navarro mostra como a violência transforma vidas, alimenta preconceitos e perpetua ciclos de ódio. Não há respostas fáceis nem heróis absolutos: há seres humanos confrontados com escolhas difíceis, memórias dolorosas e a esperança de encontrar um lugar onde possam finalmente pertencer.
Mais do que um romance sobre terrorismo ou guerra, De Lado Nenhum é uma viagem pelas fronteiras de identidade, da religião, da convivência entre povos e da capacidade de resistir ao fanatismo. è um romance que desafia o leitor a compreender a complexidade de um conflito que continua a marcar a atualidade e a refletir sobre o impacto dos grandes atentados que moldaram o mundo contemporâneo.



"Mártires, heróis, sacrifício, honra. O romance é o eco sangrento dos grandes atentados do século XXI, desde o ataque às Torres Gémeas em Nova Iorque em 2001, aquele que ocorreu em Atocha em 2004 ou o dramático atentado no Bataclán em Paris, em 2016"
                                                                                                                       El País




Julia Navarro nasceu em Madrid, Espanha, a 8 de outubro de 1953.Antes de se afirmar como romancista, construiu uma sólida carreira de mais de três décadas como jornalista e analista política, colaborando com alguns dos mais importantes meios de comunicação espanhóis, na rádio, televisão e imprensa. A sua experiência no acompanhamento da atualidade política internacional marca profundamente a sua obra literária.
Estreou-se na ficção em 2004 com o romance A Irmandade do Santo Sudário, que pode requisitar na biblioteca e que foi um êxito imediato  que a projetou internacionalmente. Desde então tornou-se uma das escritoras espanholas mais lidas da atualidade, com milhões de exemplares vendidos e traduções em mais de trinta idiomas.
Os seus romances distinguem-se pela combinação entre investigação histórica, acontecimentos contemporâneos e um profundo conhecimento da natureza humana. As sua narrativas percorrem diferentes épocas e geografias, abordando temas como a memória, a identidade, os conflitos religiosos e políticos, o terrorismo, o exílio e a luta pela liberdade.
Sem justificar as ações violentas, a autora analisa de forma profunda o que se passa na mente de quem está disposto a matar e a morrer por uma causa.






Se gosta de romances que cruzam ficção e história, que fazem pensar e permanecem na memória muito depois da última página,
De Lado Nenhum é uma leitura indispensável




julho 01, 2026

A CHEFE DOS MAUS

Se o Leitor procura um livro que quebre a rotina das leituras habituais,
  A Chefe dos Maus
do escritor Ricardo Adolfo é a escolha certa nossa mostra de sugestões de leitura.
Este romance afasta-se dos clichés literários e oferece uma viagem alucinante, 
satírica e sem filtros pelo submundo de Tóquio.
Se procura uma leitura previsível, talvez este não seja o livro certo.
Mas se gosta de uma escrita irreverente e de histórias que desafiam convenções, 
então este é o livro que merece sair da Biblioteca consigo.


A história arranca com uma premissa genial e absurda: uma sucursal da máfia em Tóquio recebe ordens da sede para aumentar as quotas de diversidade de género na direção. Para evitar problemas, o "Chefe dos Chefes" promove  a sua discreta assistente a estagiária de liderança. Boicotada por todos, ela decide fazer o impensável para singrar: aprende a gerir negócios ilegais, a fazer cobranças violentas e descobre que tem um talento inesperado para o poder.
O resultado é um romance surpreendente, simultaneamente divertido e inquietante, que nos faz rir enquanto nos obriga a pensar sobre o trabalho, a ambição, a desigualdade e os mecanismos de poder que também existem nas empresas aparentemente respeitáveis.

Uma voz singular da literatura portuguesa contemporânea


Nascido em Luanda, em 1974, e a viver em Portugal desde a infância, Ricardo Adolfoconstruiu uma obra marcada pela originalidade e pela diversidade temática. Os seus romances desafiam lugares-comuns, transportando os leitores para universos improváveis sem perder de vista as questões humanas que nos são mais próximas: a ambição, o poder, a identidade, o acaso e as escolhas que moldam a vida.
A sua escrita distingue-se pelo ritmo cinematográfico, por personagens complexas e por uma imaginação capaz de transformar cenários distantes em histórias surpreendentemente próximas.
Ricardo Adolfo era uma dos poucos escritores portugueses contemporâneos sobre quem Lobo Antunes tinha curiosidade e de quem disse sobre os seus livros: " Uma maneira de falar completamente nova na literatura portuguesa".   
Em A Chefe dos Maus, leva-nos até Tóquio para construir uma narrativa simultaneamente divertida, satírica e profundamente crítica sobre as relações de poder no mundo contemporâneo.
Ler Ricardo Adolfo é descobrir um escritor que recusa fórmulas fáceis e que convida o leitor a sair da sua zona de conforto. Cada livro é uma nova viagem, um novo cenário e uma nova forma de olhar para o mundo. 
Se ainda não conhece a sua obra, esta é uma excelente oportunidade para começar. Talvez A Chefe dos Maus seja o primeiro livro de Ricardo Adolfo que leva para casa — mas dificilmente será o último.

Leve-o consigo.
Os outros livros podem esperar; esta chefe, dificilmente.





junho 24, 2026

DESCOBRIR NOVOS AUTORES É UMA DAS GRANDES MISSÕES DA BIBLIOTECA

 


Ao divulgar novos livros e novos escritores, a biblioteca convida cada leitor a sair da sua zona de conforto, a explorar outros géneros literários e a viajar por diferentes geografias e sensibilidades. Cada livro ou autor desconhecido que chega às estantes é uma oportunidade para encontrar uma história inesquecível ou um autor que passe a fazer parte das suas leituras favoritas.
Ler novos autores é alargar horizontes e descobrir que a literatura não tem fronteiras. E a biblioteca, enquanto espaço de livre acesso à cultura e conhecimento, assume o papel de mediadora dessa descoberta.


Promover essa descoberta é democratizar a cultura. Quando uma biblioteca aposta num novo autor, garante que a literatura continua viva, dinâmica e em constante renovação.
Afinal, todos os grandes clássicos de hoje foram, um dia, tesouros escondidos à espera de serem descobertos numa estante.

Porquê arriscar um autor desconhecido?
Pela surpresa total, pela  sensação de ler algo sem qualquer expetativa, 
ler histórias em formatos ousados, temas inovadores.
Arrisque, leia um autor desconhecido.

Antes de ir de férias, 
visite-nos e aceite as nossas sugestões de leitura.






junho 17, 2026

REFÚGIO NO TEMPO - UMA VIAGEM AO PASSADO QUE QUESTIONA O FUTURO


Uma Biblioteca é muito mais do que um lugar onde se guardam livros. É um espaço de descoberta, de encontro com diferentes culturas, épocas e formas de olhar o mundo. Entre as suas principais funções está a de dar a conhecer novos autores, promovendo vozes consagradas e revelando escritores menos conhecidos, mas igualmente capazes de surpreender e cativar os leitores.


É o caso do autor que hoje apresentamos, o escritor búlgaro Gueorgui Gospodinov, nascido a 7 de janeiro de 1968, na cidade de Yambol
Licenciou-se em Filologia Búlgara na Universidade de Sófia e iniciou a sua carreira literária como poeta na década de 1990.
Considerado uma das vozes mais importantes da literatura europeia contemporânea, é poeta, romancista, contista, dramaturgo e ensaísta, tendo a sua obra sido traduzida em mais de vinte e cinco línguas.
A sua obra é profundamente marcada pela experiência da Bulgária durante o período comunista e pelas transformações políticas e sociais do continente europeu.
Ler Gospodivov é entrar num universo literário onde as pequenas histórias do quotidiano se cruzam com as grandes questões da humanidade.
Como afirmou a escritora Olga Tokarczuk, a sua escrita é "uma literatura requintada sobre a nossa perceção do tempo e da sua passagem."


O seu romance que hoje divulgamos, Refúgio no Tempo,
 foi o vencedor do Internacional Booker Prize 2023,
e obteve o Premio Strega Europeo 2021


Sobre ele, a presidente do júri, Leila Slimani, declarou: "O nosso vencedor é um romance brilhante, cheio de ironia e melancolia. É um trabalho profundo que lida com uma questão muito contemporânea: o que nos acontece quando as nossas memórias desaparecem?"


"No andar de cima instalaram-se os anos 50. Ali era o reino de Elvis Presley, de Fatt Domino, Dizzy Gillespie, Miles Davis, onde se podia ouvir toda aquela maravilhosa mistura de jazz, rock and roll, pop, bem como o sinfónico, mas já fora de moda, Frank Sinatra. Ali estavam Intriga Internacional, Hitchcook, Gary Grant, As Noites de Cabíria, Fellini, Mastroianni, Brigitte Bardot, Dior... O mundo estava a recuperar da guerra e tinha vontade de viver.
Uma parte do mundo conseguia fazê-lo com uma relativa facilidade. Para a outra parte, havia uma zona separada ao fundo do corredor, alguns apartamentos destinados aos países do Leste. Um para os anos 50 da Europa de Leste, um outro só para os anos 50 soviéticos (bem financiados, aliás). De maneira semelhante, foram reconstituídos os anos 50 na China."


Refúgio no Tempo é um daqueles romances que desafiam as fronteiras entre a memória, a História e a imaginação. Gaustine cria uma clínica para doentes de Alzheimer onde cada piso recria uma década do século XX, com os seus móveis, músicas, jornais e objetos, permitindo aos pacientes reencontrarem as suas recordações. Mas aquilo que começa como uma terapia para a perda de memória transforma-se numa reflexão profunda sobre a sociedade contemporânea. A nostalgia deixa de ser um sentimento individual e converte-se num fenómeno coletivo: países inteiros desejam regressar ao seu passado, escolhendo as décadas em que gostariam de voltar a viver.
O autor lança então uma pergunta inquietante: O que acontece quando uma sociedade prefere refugiar-se nas memórias em vez de enfrentar o futuro?


Será possível viver apenas de recordações?

Uma leitura fascinante para quem aprecia romances inteligentes, originais e capazes de lançar um olhar crítico sobre o nosso tempo através da memória do passado.



junho 12, 2026

NOITES BRANCAS

 Para leitura do seu fim de semana, sugerimos um livro curto, delicado e profundamente humano.
é uma das mais belas histórias sobre a solidão, o sonho e a esperança no amor.


Mas será o amor suficiente para transformar um sonho em realidade?

Nesta novela, acompanhamos um jovem solitário que vagueia pelas ruas de São Petersburgo durante as luminosas noites de verão. Numa dessas caminhadas, conhece Nástienka, uma jovem que também carrega as suas inquietações de desejos. Ao longo de quatro noites e uma manhã, nasce entre ambos uma ligação intensa, feita de confidências, ilusões e promessas.
Publicado em 1848, é uma história breve, mas cheia de emoção, que nos faz refletir sobre a necessidade de sermos vistos, compreendidos e amados.


Em 1957 o realizador italiano Luchino Visconti adaptou esta obra ao cinema, com Marcello Mastroianni e Maria Schell nos protagonistas e ganhou o Leão de Prata no Festival de Cinema de Veneza. A banda sonora foi assinada por Nino Rota, o compositor preferido de Federico Fellini.

Uma leitura perfeita para quem acredita no poder dos encontros inesperados e na beleza, por vezes dolorosa, dos sonhos



"Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso, que quem erguesse os olhos para ele ver-se-ia forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?"

Fiódor Dostoiévski nasceu a 11 de novembro de 1821, em Moscovo, na Rússia e é hoje considerado um dos maiores escritores da literatura universal. A sua obra mergulha profundamente na alma humana, explorando temas como a culpa, a liberdade, a fé, a pobreza, o sofrimento e a redenção.
Filho de um médico miliar, cresceu num ambiente disciplinado, mas desde cedo revelou uma grande sensibilidade literária. Formou-se em Engenharia Militar, em São Petersburgo, mas abandonou a carreira para se dedicar à escrita.
Em 1849, a sua vida sofreu uma reviravolta dramática: foi preso por participar em círculos intelectuais considerados subversivos pelo regime czarista. Condenado à morte, viveu o trauma de um falso fuzilamento, sendo a sentença comutada, no último momento, para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Esta experiência marcou profundamente a sua visão do mundo e influenciou todo a sua obra literária.
Após o regresso do exílio, Dostoiévski enfrentou dificuldades financeiras, problemas de saúde já que sofria de epilepsia, e uma forte dependência do jogo. Apesar disso, escreveu alguns dos romances mais importantes da história da literatura, que o leitor pode encontrar na nossa Biblioteca Municipal. 
Os seus romances são verdadeiras explorações filosóficas e tratados psicológicos do comportamento humano. Por isso é frequentemente estudado não só na literatura , mas também na filosofia, psicologia e teologia.
Fiódor Dostoiévski morreu a 9 de fevereiro de 1881, em São Petersburgo, deixando uma obra que continua a fascinar leitores em todo o mundo, que reconhecem nele um autor que soube compreender como poucos as contradições da condição humana.

Noites Brancas 
é sobre como um momento breve de amor, ou melhor, 
como um momento breve de ilusão de amor, pode deixar marcas para a eternidade.




LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...