novembro 12, 2014

FOI HÁ 25 ANOS




Símbolo de duas visões do mundo, 
o muro de Berlim caiu a 9 de novembro de 1989.

Depois da chegada, em 1985, de Mikhail Gorbachev à direção do PCUS com a sua Perestroika, os ventos de mudança sopram de Moscovo até aos restantes aliados do Pacto de Varsóvia
Nos primeiros meses de 1989, a politica externa da URSS deu uma reviravolta importante. Em fevereiro as tropas soviéticas começaram a retirar do Afeganistão, depois de quase 10 anos de ocupação. Em abril o Exército Vermelho abandonou a Hungria. Em junho realizaram-se as primeiras eleições livres na Polónia, com a vitória do Solidariedade. Em julho e agosto rebentou a crise na República Democrática Alemã, com o exílio de dezenas de milhares de cidadãos, que a partir dos seus locais de férias na Boémia, Hungria e Polónia, atravessavam a fronteira ou invadiram as sedes diplomáticas da República Federal. Encorajados por Mikhail Gorbatchov, os alemães de Leste intensificaram esforços para levar o Governo da RDA a ceder. 
Numa confusa conferência de imprensa transmitida ao vivo pela televisão, o porta voz da RDA, Günter Schabowsi, anunciou que o governo tinha aberto a fronteira entre as duas Alemanhas. Questionado pelo jornalista quando passaria a vigorar essa lei, respondeu:
"Segundo o meu conhecimento, isso entra em vigor agora, imediatamente".

A resposta causou uma corrida aos postos de passagem da fronteira. Os guardas fronteiriços não conseguiram controlar a pressão de milhares de pessoas, acabando por haver ordens permitindo a abertura definitiva das fronteiras e a sua passagem sem qualquer tipo de controle.

Tráfego automóvel de Berlim Leste para Berlim Ocidental
 no primeiro sábado depois da queda muro

Caído o muro, a sucessão de acontecimentos é vertiginosa com a queda de outros regimes no Leste Europeu. Um ano mais tarde, a Alemanha está unificada sendo o Tratado de Unificação assinado a 31 de agosto de 1990.
Em pouco mais de dois anos, todos os regimes comunistas da Europa de Leste desapareceram.



Com a sua queda, existem fragmentos do muro espalhados um pouco por todo o mundo. E Portugal não é exceção. Desde 1994, na localidade de Fátima,  existe um fragmento do Muro de Berlim, com 2.600 quilos, 3,60 metros de altura e 1,20 metros de largura,  "um símbolo da Paz", oferecido por um emigrante português na Alemanha.

Mas tudo começou muito antes...

Construção do Muro de Berlim em 1961
A 13 de agosto de 1961, o governo da República Democrática Alemã (RDA) decidiu encerrar a fronteira entre Berlim Leste e Berlim Ocidental e construir, numa só noite, um muro de blocos de cimento que separou  a zona oriental do resto da cidade.
A barreira fronteiriça incluía instalações de disparo automático e torres de vigilância com soldados com ordens para disparar contra quem tentasse transpô-la.


Como forma de comemorar os 25 anos da queda do muro de Berlim
convidamos os nossos Leitores a deslocarem-se hoje, dia 12 de novembro, 
à Sala de Audio/Video da sua Biblioteca e visionarem o filme
Good Bye Lenin!




Comédia dramática, do realizador alemão Wolfgang Becker, tem como pano de fundo a queda do Muro de Berlim e o colapso do comunismo. O enredo centra-se na mãe de Alex, uma fervorosa ativista comunista que sofre um ataque de coração em 1989 e fica vários meses em coma. Quando acorda, o Muro caiu e o filho, para a proteger do choque, faz tudo para que a mãe não se aperceba que o mundo onde vivia se desmoronou.


Boa Semana




novembro 07, 2014

FELIZ ANIVERSÁRIO ANTONIO SKÁRMETA


 
 
"Estudei e fui feliz em Nova Iorque e Berlim, onde fui embaixador.
As grandes metrópoles atraem-me, mas também gosto de beber um copo de vinho
numa aldeia perdida no mapa e ficar horas a ouvir histórias".
                                                                                                                     Antonio Skármeta
 
 
Esteban Antonio Skármeta Branicic, descendente de croatas, nasceu, faz hoje 74 anos, em Antofagasta, Chile. Aos nove anos começou a escrever, numa altura em que vivia em Buenos Aires. Aos doze anos regressou ao seu país, indo viver para a capital, Santiago do Chile.
Na universidade do Chile estudou Filosofia e Literatura, mas licenciou-se na universidade de Columbia, em Nova Iorque, defendendo a tese sobre a obra literária de Julio Cortázar.
Em 1969, o seu livro Desnudo en el tejado foi galardoado, em Havana, com o Prémio Casa das Américas.
Devido ao golpe militar  de Augusto Pinochet em 1973, o autor teve de sair do país tendo por companhia o cineasta Raúl Ruiz. A primeira escala foi na Argentina onde residiu durante um ano, tendo partido depois para Berlim Ocidental, onde se dedicou ao cinema, tendo, inclusive, sido professor na Academia Alemã de Cinema e Televisão.
 
 
Em meados de 1983, foi convidado por um produtor de cinema para escrever um argumento onde estivesse reunido Neruda e Chile. Surgiu então Ardiente Paciência, obra que originou uma radionovela, uma peça de teatro e um filme, realizado pelo próprio, filmado em Portugal na zona da Figueira da Foz, e que ganhou, em 1984, os prémios no festival de cinema de Biarritz, em França, e de Huelva, em Espanha.
No ano seguinte publicou o romance "O Carteiro de Pablo Neruda", que teve edição portuguesa só em 1996, depois do êxito cinematográfico com o filme homónimo de 1994, realizado por Michael  Radford, com 5 nomeações ao Oscar, tendo ganho um deles (melhor música original), sendo o filme estrangeiro mais visto nos Estados Unidos.
Em 1989, Antonio Skármeta voltou ao Chile e, em 1992 criou na TV o programa o "Show de los Libros", programa literário semanal com uma audiência de um milhão de espetadores. Mais tarde, em 1998, esse mesmo programa, agora com o nome de "Torre de Papel", passou a ser transmitido para todo o mundo através do canal People & Arts.
Regressou à Alemanha para ser embaixador do seu país entre 2002 e 2003 
 
Vencedor de diversos prémios literários, destacamos:
  • 1996 Livro de Ouro em Portugal - O carteiro de Pablo Neruda
  • 2001 Prémio Ibero-Americano de Narrativa
  • 2003 Prémio Unesco da Literatura Infantil e Juvenil a favor da Tolerância
  • 2004 Prémio Municipal de Literatura de Santiago do Chile
  • 2006 Premio Internazionale Ennio Flaiano pelo "valor cultural e artístico da sua obra".

Antonio Skármeta foi ainda ordenado Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras em França e em Itália, recebeu a Ordem de mérito com o grau de Comendador.

"A Literatura é uma contínua
insurreição a favor da Liberdade"
                                                                                              Antonio Skármeta

Caro Leitor, o livro que lhe sugerimos para leitura de fim de semana
é, na opinião do seu autor, que este ano venceu o Prémio Nacional de Literatura no seu país, 
"o meu romance mais amado pelo publico e pelos críticos.
 Obteve o Prémio Medicis em França e o Grinzane Cavour em Itália".
 
 
De Antonio Skármeta
Editado pela Teorema
A Boda do Poeta
 

Um rico e boémio banqueiro austríaco, Jerónimo Frank, abandona tudo e instala-se numa pequena ilha do Adriático, onde reabre o grande armazém O EUROPEU.
Rapidamente se combina o seu casamento com a bela e jovem Alia Emar. Prevê-se uma boda espetacular. No entanto, os noivos não partilham de forma alguma o júbilo popular. No ânimo de Jerónimo pesa a trágica lenda do antigo proprietário do armazém e da sua jovem esposa. No caso de Alia, é o amor de Esteban Coppeta - descendente de um herói mítico da ilha - o que lhe provoca incomodidade e desconcerto. A magnifica boda vai terminar num acontecimento político e bélico terrível que ultrapassa todos os personagens e acaba por os levar do júbilo à tragédia.
A história de um amor lendário, num registo de intriga e humor, um olhar inteligente e satírico sobre a Europa do pré-guerra, mas também a crónica de uma estirpe de imigrantes que chega ao Chile no principio do século XX.



Bom Fim de Semana




com Boas Leituras

 

novembro 03, 2014

NEWSLETTER novembro


 
                                                                                         VEJA AQUI
 
 
 

outubro 31, 2014

LEITURA DE FIM DE SEMANA



"Acredito que um dia as pessoas deixarão de abandonar os seus animais e passarão a tratá-los com o respeito que merecem, pois é apenas uma questão de tempo até se dar a "abertura" da consciência individual a este conhecimento universal. (...)
Pesquisas feitas nos Estados Unidos mostram que os proprietários de animais de estimação têm a pressão arterial e os níveis de colesterol mais baixos do que pessoas que não os têm. Um animal de estimação pode propiciar uma melhor recuperação após ataques cardíacos, reduzindo a probabilidade de morte em 3%. (...) acariciar um animal de estimação  faz com que se produzam endorfinas (as chamadas hormonas da felicidade), e desta forma o ritmo cardíaco de uma pessoa diminui. Por isso um animal de estimação reduz a tendência para a depressão e para o stress.
 
 
Outra pesquisa americana refere que os donos de cães consultam o médico 21% menos do que aqueles que não os têm. As crianças que têm contacto com animais de estimação nos seus primeiros anos de vida são menos propensas a serem asmáticas e uma pesquisa feita na Universidade de Warwick descobriu que o sistema imunológico de crianças com animais de estimação em casa é mais forte e que as mesmas faltam menos à escola."
Marta Sofia Guerreiro,
In Conversas com animais


Caro Leitor,
o livro que lhe sugerimos para leitura de fim de semana tem:
 

Conversas com Animais
De Marta Sofia Guerreiro
 Editado pela Lua de Papel
 


Marta Sofia Guerreiro, nasceu a 1 de janeiro de 1982, em Viseu. É licenciada em Medicina Veterinária, atividade que exerceu durante sete anos, dedicando-se em especial à cirurgia. Nos últimos anos ingressou numa extensa formação em áreas psicoterapêuticas e de autoconhecimento humano e assumiu a mediunidade que tinha desde criança - e que hoje põe ao serviço nas suas consultas.
Fundou os projetos AMA - Ammapet, Ama-te e ABC (Ama Baby & Child) - onde a sua grande paixão é dar voz a quem não comunica.  No presente momento encontra-se totalmente dedicada aos seus projetos, à investigação e escrita. Disponibiliza consultas, palestras, workshops, a nível nacional e internacional.
 
"Só os meus cães nunca me trairão"- Maria Callas

"O propósito dos animais é ajudar a humanidade, pois são trabalhadores ao serviço da paz e evolução do planeta.
Estão aqui para o equilíbrio da Terra, tanto da vida biológica como da vida espiritual.
Estão aqui para amar, para nos ensinar a amar incondicionalmente e a ter compaixão. E eles sabem-no, tornando este mundo muito melhor".
Marta Sofia Guerreiro
In, Conversas com animais



Crendices dizem que cruzar com gato preto dá azar,
nós acreditamos que gato preto tem Savoir Faire.




Savoir Faire
 
Meu gato preto ignora
que vai morrer um dia
não se agarra à vida
como eu
salta do telhado
leve como o vento
sobe ao tamarindo
e mal o arranha
não o amedronta a passagem das pontes
nem o beco escuro
nem o pérfido lacrau
meu gato preto ama
quantas gatas encontra
não se deixa apanhar
por um único amor
                   como eu como eu.                   
                                                     Claribel Alegría




Bom Fim de Semana
E não se esqueça:
você cuida do seu animal, mas ele vai mais longe
e é capaz de dar a vida por si.



 

outubro 21, 2014

GRANDES LIVROS - GRANDES AUTORES NO NOSSO PORTUGUÊS

"As crendices populares de Portugal são geralmente bonitas e parece sentir-se nelas que vieram até nós do génio poético dos árabes. (...)
É a fraqueza de temperamento; a necessidade de sentir-se escravo, que nos faz ser um povo bisonho, a cismar não se sabe em quê, mal-humorado, merencório e fusco, gatos-pingados por natureza! Os que não têm desgostos, engendram-nos. Imitamos tudo, menos a alegria dos povos livres.(...).

 
Portugal é a terra das sinas - histórias quentes e coloridas como o país; contos que nas noites de inverno entretêm as crianças pequenas ... e as grandes, ao pé do amigo lar.

Quem nascer nos fins de janeiro será sujeito a paixões amorosas (como os gatos);
de 13 de fevereiro a 20 de março, nascem os que hão-se ser gastrónomos;
de 21 de março a 9 de abril, os engenhosos e prudentes, com sinal visível no corpo e ameaçados pela ferocidade de algum animal;
de 20 de abril a 20 de maio, o que há-de casar rico, dar uma grande queda (talvez essa!) e ser careca;
de 21 de maio a 22 de junho, os de sentimentos humanitários;
de 23 de junho a 22 de julho, gente destinada a demandas e a viver até aos setenta anos;
de 23 de julho até 25 de agosto, os bonitos que hão-de casar com mulher que sofra de histérico, ter no decurso da vida perigo grande de golpe de ferro ou águas do mar, felizes nos negócios, achando algum tesouro escondido (o do Lavradio, por exemplo!);
de 24 de agosto a 21 de setembro, os que hão-de exercer cargos do Governo (entre nós toda a gente!), as senhoras ficarão solteiras, apesar de grande número de namoros, e hão-de gostar muito de cores espantadas;
de 24 de agosto a 21 de setembro, homens castos (oh!), mulheres ativas, cabelos ruivos;
de 22 de setembro a 23 de outubro, ventura no que se empreende, honradez, passar melhor em terras estranhas do que na pátria, mulheres elegantes com uma queimadura num dos pés,
de 24 outubro a 22 de novembro, teimosos, inclinados à astrologia, mulheres robustas, de beiços grossos e dentes grandes;
de 23 de novembro a 21 de dezembro, caráter vergonhoso, afável, dado à navegação, mulheres com falta de cabelo;
de 22 de dezembro a 20 de janeiro, génio iracundo, mentiroso, vão, costume de falar só, pouco saudáveis, mulheres tafulas, que hão-de ser mordidas por algum bicho, brancas, de olhos castanhos, gostando de bailes, tendo muitos namoros, quase todos militares.
Tais são as sinas, e muito mais ainda; centos de coisas - tudo.
Aparecem, por via de regra, em a gente as procurando: vêm do que nos suceder  depois de nascer ... ou antes. A mão o dirá. Na mão há muito. A mão diz tudo. (...)".
Júlio César Machado,
 In Da loucura e Manias em Portugal
[Ensaio humorístico do séc. XIX - 1871]
 
 
 
 Caro Leitor,
este e outros livros poderão ser por si requisitados na
Biblioteca Municipal
 Visite-nos.
Veja a mostra bibliográfica que temos para si, até ao final do mês, no átrio de entrada da Biblioteca Municipal.
 
 
Grandes Livros e Grandes Autores,
tudo no nosso português.
 
Esperamos por Si
  
"Coisa má" é querer trabalhar e não ter em quê; querer amar e não ter a quem; querer remar e não ter braços. O "politicão" que passa a vida a recusar pastas que não lhe oferecem - diz que o país tem "coisa má"; o beberrão que troca as pernas - acusa de ter "coisa má" o vinho de mais que bebeu.
"Coisa má" é a mulher que gosta de outro; e o dinheiro que a gente não tem!(...)."
                                                                                              
Júlio César Machado
                                                                                               In, Da Loucura e Manias em Portugal
 
 
 
 
 
 
 
 
 

outubro 17, 2014

PATRICK MODIANO - NOBEL DA LITERATURA 2014


Livros de Patrick Modiano a serem disputados numa livraria
em Estocolmo, minutos após o anúncio do Nobel da Literatura.
Fotografia de Henrik Montgomery/Reuters

Por cá, foi mais calmo.
Os nossos leitores mais atentos ao anúncio do Nobel da Literatura deste ano procederam de imediato, via telefone, à reserva dos livros do premiado.

 
Mas quem é Patrick Modiano? 
 
 
Patrick Modiano, filho de um homem de negócios italiano de origem judaica e da atriz belga Louisa Colpeyn,  nasceu a 30 de julho de 1945 na comuna Boulogne-Billancourt, subúrbio de Paris.
Foi durante a II Guerra Mundial que os seus pais se conheceram. A sua infância, passada quase toda em colégios internos, marcada pelo comportamento dúbio dos pais durante a ocupação nazi e pela morte do seu irmão aos 12 anos, determinou o seu projeto literário centrado em Paris, durante e após a ocupação. Uma influência decisiva  no seu desenvolvimento foi o seu professor de geometria, o escritor Raymond Queneau.
Publicou o seu primeiro romance "La Place de l'Étoile" em 1968. Com "Rue des boutiques obscures", publicado em 1978, recebeu o Prémio Gouncourt. Em 1972, recebeu o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa. Pelo conjunto da sua obra, recebeu o Grande Prémio Nacional de Letras, em 1996, e o Prémio Marguerite Duras em 2011. O seu último romance, "Pour que tu ne te perdes pas dans le quartier", acabou de ser editado em França.
A sua obra centra-se essencialmente em questões relacionadas com a memória, o esquecimento, a identidade e a culpa, em que a cidade de Paris é o cenário principal, quase uma personagem.


"Escrever um livro é lançar luz de farol ou sinais de morse a favor
de certas pessoas das quais não se sabe o que lhes aconteceu"
                                                                                              Patrick Modiano


"Pela arte da memória que utilizou para evocar os destinos humanos mais inalcançáveis e por revelar o universo da ocupação [alemã]", destacou Peter Englund, secretário da Academia Sueca, ao anunciar o nome de Modiano como Nobel da Literatura deste ano.
O galardão será entregue numa cerimónia em Estocolmo, a 10 de dezembro, dia do aniversário de Alfred Nobel, que instituiu o galardão.


"J'aimerai savoir pourquoi ils m'ont choisi."
                                                                                                              Patrick Modiano


O laureado deste ano é também autor de livros infantis, argumentos para cinema e ainda de letras de canções, como a que aqui apresentamos na voz de Françoise Hardy.

 
 
No grande ecrã, Modiano fez trabalhos pontuais como ator, no filme do realizador Raoul Ruiz em Genealogias de um Crime, de 1977. Foi coautor, com Louis Malle, no filme de 1974, "Lacombe Lucien" sobre um colaboracionista francês na II Guerra Mundial, que foi vencedor dos prémios BAFTA e Meliès nesse mesmo ano e que acabou nomeado a Oscar de melhor filme estrangeiro de 1975. E no ano 2000, Modiano integrou o júri do Festival de Cannes. 
 
 
Agora que o Leitor ficou a conhecer um pouco melhor
Patrick Modiano,
que tal conhecer a sua obra?
 
 
De momento os seus livros estão esgotados para empréstimo domiciliário, mas
o Leitor pode fazer a sua reserva por telefone ou por email.
 
 
 Bom Fim de Semana
 
 
  


outubro 03, 2014

MATARAM O REI! MATARAM O REI!

 
"A família real e a sua comitiva tomaram o comboio, no Alentejo, no dia 1 de fevereiro de 1908. A inquietação pairava, apesar terem recebido uma carta de João Franco garantindo que o ambiente político em Lisboa acalmara. Seria mesmo assim?
As dúvidas agravaram-se quando o comboio descarrilou em Casa Branca, no Alentejo. Houve gente que pensou tratar-se de sabotagem e o rei ficou tão apreensivo que não voltou a falar com ninguém até chegar a Lisboa.
Ao desembarcar no Terreiro do Paço apressou-se a perguntar ao chefe da polícia de serviço: Isto como vai? A resposta terá sido: Meu senhor, isto vai muito mal...
Foi portanto com uma expressão grave que o rei recebeu cumprimentos dos vários ministros que o aguardavam e teve uma pequena conversa com João Franco. Em seguida abraçou D. Manuel, que tinha ido esperar a família ao cais, e depois subiram todos para a carruagem, que ali se encontrava para levar a família real ao palácio das Necessidades.
 
 
Estava muita gente nas ruas e a atmosfera carregada de sentimentos fortes; medo, raiva, ansiedade, excitação. O cocheiro agitou as rédeas para que os cavalos iniciassem a marcha. A carruagem seguiu lentamente por entre a multidão, que se alinhava nos passeios. De repente destacou-se um homem de barba preta que entreabriu a capa, onde escondia uma carabina, e disparou.
Gerou-se de imediato a maior das confusões. Gritos, berros, um tiroteio cerrado. Do passeio do lado oposto saiu outro homem, que correu em direção à carruagem, saltou para o estribo e despejou o carregador da sua pistola nas costas do rei D. Carlos. O príncipe Luís Filipe ainda se pôs de pé e tentou defender-se a tiro, mas também ele foi abatido. A rainha ergueu-se desvairada, agitando no ar um ramo de flores enquanto gritava: Infames! Infames! 
Por entre magotes de gente em pânico as autoridades surgiram por fim, alvejando primeiro os agressores e depois transeuntes ao acaso. Aflitíssimas e desorientadas as pessoas fugiam, chocavam umas com as outras, tropeçavam, caíam, atravessavam-se no caminho dos trens, provocando acidentes em cadeia. E o mesmo grito ecoou pelas ruas da cidade: Mataram o rei! Mataram o rei!"

António Reis, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
 In, O 5 de Outubro e a Primeira República
 
 
 
 O que aconteceu a seguir e que culminou no dia 5 de Outubro de 1910,
com José Relvas a proclamar às 11 da manhã da varanda da Câmara Municipal de Lisboa:
"Unidos todos numa mesma aspiração ideal, o Povo, o Exército e a Armada acabou de,
em Portugal, proclamar a República."
poderá o Leitor ficar a conhecer melhor se nos visitar e requisitar os livros
 da mostra bibliográfica que preparámos para si.
 


 
 
Aguardamos a sua visita




 

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