janeiro 21, 2026

SUSAN SONTAG, 1933-2004

 



Foi uma das mais influentes ensaístas, críticas culturais e intelectuais do século XX, destacando-se pela forma como pensou a literatura, a arte, a fotografia, o cinema, a doença, a guerra e a responsabilidade moral do intelectual.
Nasceu a 16 de janeiro de 1933, em Nova Iorque mas cresceu em Los Angeles. Demonstrou desde cedo grande precocidade intelectual: entrou na Universidade da Califórnia em Berkeley com apenas 15 anos e continuou os estudos na Universidade de Chicago, onde se formou em Filosofia, Literatura e História. Mais tarde estudou em Harvard, tendo passado por Paris e Oxford, o que contribuiu para a sua forte ligação ao pensamento europeu.
Susan Sontag tornou-se uma figura central da vida cultural norte-americana a partir dos anos 1960, com a publicação do ensaio "Notes on camp" (1964), que a consagrou como uma voz inovadora na crítica cultural.
Para além de ensaios, escreveu romances, contos e peças de teatro.
Da autora fazem parte do fundo bibliográfico da BM as seguintes obras, disponíveis para empréstimo domiciliário: 
Foi também realizadora de cinema e manteve um forte envolvimento político, posicionando-se contra a Guerra do Vietname e denunciando violações de direitos humanos em vários contextos internacionais. Durante a Guerra da Bósnia, viveu em Sarajevo sitiada, onde encenou a peça À Espera de Godot, num gesto simbólico de resistência cultural.

Ao longo da sua carreira recebeu vários prémios:

Susan Sontag faleceu a 28 de dezembro de 2004, em Nova Iorque, vítima de cancro.



É a biografia definitiva de uma das mais importantes e estimulantes intelectuais do século XX, 
que hoje divulgamos aos nossos leitores.






Neste livro, Prémio Pulitzer de Biografia 2020, Benjamin Moser, brilhante biógrafo e escritor, narra os acontecimentos e o trabalho sobre o qual a reputação de Susan Sontag se construiu.
Inclui várias fotografias e inúmeras entrevistas conduzidas pelo mundo inteiro, tem como fontes os arquivos privados da autora e testemunhos inéditos de várias pessoas que com ela privaram.

Sontag, Vida e Obra é o grande romance americano sob a forma de biografia.






Quando a biografia se torna uma reflexão cultural




janeiro 15, 2026

O MISTÉRIO DOS SETE RELÓGIOS

 





Meio século após a morte da Rainha do Crime,
 as suas obras continuam a editar-se em todo o mundo e a inspirar filmes e séries.


É o caso deste romance policial, disponível para empréstimo domiciliário, originalmente editado em 1929, uma das grandes apostas da Netflix para 2026.
Os Sete Relógios, uma minissérie de apenas 3 episódios que estreia hoje, dia 15 de janeiro.






Agatha Christie: onde cada página esconde um segredo





Agatha Christie (1890-1976) foi uma das escritoras mais populares e influentes da história da literatura, reconhecida mundialmente como a "Rainha do Crime". Nascida a 15 de setembro de 1890, em Torquay, no sul de Inglaterra, Agatha Mary Clarissa Miller cresceu num ambiente confortável e culturalmente estimulante. Teve educação sobretudo em casa e desde cedo revelou gosto pela leitura e pela escrita. Durante a Primeira Guerra Mundial trabalhou como enfermeira voluntária e, mais tarde, numa farmácia hospitalar, experiência que lhe deu um profundo conhecimento de venenos - elemento recorrente nas suas histórias policiais. Em 1914 casou com Archibald Christie, de quem herdou o apelido pelo qual se tornaria famosa.



O seu primeiro romance data de 1920, O Misteriosos Caso de Styles deu a conhecer ao público o icónico detetive belga  Hercule Poirot, uma das personagens mais célebres da literatura policial. Pouco depois criou outra figura inesquecível: Miss Marple, uma idosa perspicaz que resolve crimes aparentemente insolúveis numa tranquila aldeia inglesa.
A vida pessoal de Agatha Christie conheceu momentos difíceis, nomeadamente o divórcio em 1928 e o misteriosos desaparecimento de onze dias em 1926, episódio que nunca foi totalmente esclarecido e que alimentou o fascínio em torno da autora. Em 1930 casou com o arqueólogo Max Mallowan, com quem viajou pelo Médio Oriente, experiências inspiraram vários dos seus romances.
Em 1971 foi consagrada Dama do Império Britânico pela Rainha Isabel II.

Ao longo da sua carreira, Agatha Christie escreveu 66 romances policiais, 14 coletâneas de contos, peças de teatro, entre as quais A Ratoeira, em exibição contínua em Londres há décadas e, romances sentimentais sob o pseudónimo Mary Westmacott.
É a escritora mais vendida de todos os tempos, com mais de dois mil milhões de livros vendidos. Só é superada por William Shakespeare e pela Bíblia.
Morreu  aos 85 anos, a 12 de janeiro de 1976.





Ler Agatha Christie é duvidar de todos ...  até da última página




janeiro 08, 2026

NEM TODAS AS ÁRVORES MORREM DE PÉ


Conhecida do grande público como cantora e compositora, reconhecida tanto em Portugal como internacionalmente pelo seu trabalho como artista e criadora de músicas marcantes, Luísa Sobral tem vindo a afirmar-se também como escritora, revelando uma relação profunda e sensível com a palavra escrita. A sua entrada na literatura surge de forma natural, revelando uma forte sensibilidade e cuidado com a linguagem, a emoção contida e a atenção ao detalhe que já marcavam as suas canções.
A escrita sempre esteve no centro da sua criação artística. As letras das suas canções são intimistas, com narrativas muito cuidadas do ponto de vista linguístico e funcionaram como uma ponte natural para a literatura.
Em 2025 deu os primeiro passos na ficção para adultos, publicando o seu primeiro romance, onde explora as relações familiares, a memória, a fragilidade humana e a identidade.
Este é um romance sobre duas mulheres unidas pela desilusão e pelos cinquenta anos mais tristes da história da Alemanha. Com uma estrutura original e uma galeria de personagens inesquecível, Nem Todas as Árvores Morrem de Pé, marca a sua estreia na ficção portuguesa.


"Tenho alguns amigos que, além de partilharem comigo as suas vidas,
 partilham histórias de outros, poemas, livros, artigos ou qualquer outra fonte 
que me possa servir de ponto de partida para uma nova canção. 
Este livro nasceu assim."




Emmi, que nasceu pouco antes de Hitler ascender ao poder na Alemanha, perde o pai na guerra e tem uma adolescência difícil, trabalhando desde muito cedo para ajudar em casa. É num bar aonde vai com os amigos depois do trabalho que conhece Markus, um homem de Berlim Leste que lhe escreve cartas maravilhosas e por quem se apaixona perdidamente. Apesar de a mãe torcer o nariz ao seu casamento, num momento em que a Guerra Fria está ao rubro, a irmã apoia-a, e Emmi acaba por ir viver com Mischa, como lhe chama, para a RDA. Inicialmente, tudo corre bem, mas, depois de o Muro de Berlim ser erguido, a separação da família e a chegada de uma carta anónima deixam-na na mais profunda depressão.
M. nasce após a divisão das duas Alemanhas e é o fruto perfeito do socialismo: com uma mãe ausente e educada por uma ama que adora plantas, M. idolatra o pai, desconhecendo por completo o mundo ocidental e crescendo ao sabor de uma realidade distorcida. Até que um dia, ao ouvir o testemunho chocante de uma rapariga, descobre que, afinal, não é só o Muro que tem um outro lado.


A Biblioteca convida os seus leitores a descobrirem Luísa Sobral 
como escritora, numa viagem onde a palavra ganha voz própria
 e onde a leitura se transforma num espaço de escuta, reflexão e encontro.





dezembro 19, 2025

PARABÉNS DANIEL SILVA

 

Daniel Silva é um escritor norte-americano, conhecido pelos seus thrillers de espionagem cheios intriga política, arte e conflitos internacionais.
Os seus livros, que são escritos à mão, combinam espionagem internacional com terrorismo e geopolítica, história recente da Europa com arte e património cultural. O seu estilo é cinematográfico, bem documentado, o que agrada tanto a leitores de suspense como a leitores que se interessam por política internacional.
Iniciou a sua carreira como jornalista da United Press International (UPI) e produtor da CNN onde cobriu temas de política internacional e sobre o Médio Oriente. Trabalhou em São Francisco, em Washington e foi colocado no Cairo para cobrir a Guerra do Golfo Pérsico. 
Para além das suas experiências no Médio Oriente enquanto jornalista, passa muito tempo nas cidades que vão ser pano de fundo dos seus livros.



O seu primeiro livro, O Espião Improvável, é um thriller que junta um espião escolhido por Churchill e uma viúva nazi que está sob as ordens diretas de Hitler, numa corrida para desvendar os planos para o dia D.

Daniel Silva está regularmente nas listas dos mais vendidos do New York Times, está traduzido em dezenas de línguas e é considerado um dos grandes nomes contemporâneos do thriller político e de espionagem.


Gabriel Allon, um espião israelita da Mossad, restaurador de arte nas horas vagas, 
é a personagem principal dos seus romances.


Daniel Silva, um dos autores mais requisitados na Biblioteca Municipal, é filho de pais açorianos que emigraram para os Estados Unidos. Nasceu a 19 de dezembro de 1960 no Michigan.







dezembro 10, 2025

SILÊNCIO NO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS



Lénia Rufino nasceu em 1979, em Lisboa Cresceu nos subúrbios, rodeada de livros. Devia ter estudado Psicologia Criminal, a sua grande paixão a par da escrita, mas acabou por se licenciar em Publicidade e Marketing. Aos dez anos, escreveu o seu primeiro conto e decidiu que, um dia, haveria de ser escritora. Demorou trinta e dois anos a conseguir.
Em 2021, publicou o seu primeiro romance, O Lugar das Árvores Tristes, que a Biblioteca tem para empréstimo domiciliário e a 28 de fevereiro de 2024 há uma publicação neste Blogue sobre esse mesmo livro.

Hoje voltamos a falar de Lénia Rufino para divulgar o seu mais recente romance

  Silêncio no coração dos Pássaros
"Entreguei muito de mim a este livro. Ele não conta a minha história, mas claro que o sangue que lhe corre dentro também é meu. As personagens a que dei vida aqui, a Laura, o Álvaro, o Thomas, são pedaços de muita gente. Não sou eu no livro, mas esta história, o final deste amor e as infinitas possibilidades que acontecem quando um caminho acaba para que outro comece, podia ser minha. Podia ser de todos nós. Amores começam. Amores terminam. Já todos passámos por este fim, que é sempre um recomeço. E foi por isso que quis escrever este livro, desfiar este novelo, mergulhar nesta melodia".



Quando decide pôr fim a um casamento de vinte e sete anos, Laura, uma prestigiada violinista, revisita os principais momentos da sua vida: em criança, o amor pelo violino, o único capaz de preencher os silêncios de uma infância solitária; na transição para a idade adulta, a busca por respostas - ou talvez a compreensão de como se formulam melhor as perguntas; e a certeza de que é na música, sempre na música, que verdadeiramente se encontra.
No prolongamento da catarse, a chegada à maioridade, Álvaro e uma história de amor sem grandes sobressaltos, mas também sem grande entusiasmo; uma parceria apática em casa e na orquestra; e o início do fim: a digressão que faz sozinha pela Europa, a relação com Thomas, um clarinetista austríaco mais novo do que ela, e a tomada de consciência de que é sempre possível fazer voltar a vibrar uma corda que há muito que se calou.

"Espero, do fundo do coração, que entendam a Laura, o Álvaro, o Thomas 
e todas as entrelinhas, os espaços entre eles, os sons e os silêncios."
                                                                            Lénia Rufino




dezembro 05, 2025

CARO LEITOR ...



Para garantir que todos os leitores da Biblioteca Municipal tenham acesso ao fundo documental, pedimos a sua colaboração no cumprimento dos prazos de devolução dos livros.
Os livros na Biblioteca circulam graças a cada leitor que os requisita e os devolve a tempo.
Quando um livro não regressa na data prevista, outro leitor fica impossibilitado de o consultar, de estudar, de o requisitar para o ler em casa. Um único atraso pode afetar muitos leitores.


Pedimos por isso a colaboração de todos:
  • Verifique os prazos de devolução dos livros que tem consigo
  • Sempre que for necessário, faça o pedido de renovação dos livros por mail ( biblioteca.mgrande@gmail.com) ou por telefone (244573322)
  • Devolva os livros em atraso o mais rapidamente possível


Se tiver dificuldade em devolver ou localizar algum dos livros da Biblioteca Municipal, fale connosco, estamos aqui para o ajudar a encontrar a melhor solução.

A Biblioteca Municipal é um espaço partilhado. Cada livro devolvido a tempo vai beneficiar toda a comunidade.
Obrigada por contribuir para um serviço mais acessível, justo e agradável para todos.

Atenciosamente
A Equipa BM




novembro 28, 2025

CANÇÃO DO PROFETA

 


Paul Lynch nasceu a 9 de maio de 1977, em Limerick, Irlanda.
É conhecido pela sua prosa intensa, poética e profundamente emocional. Antes de se dedicar totalmente à ficção, foi crítico de cinema e jornalista.
Autor de vários romances premiados, venceu em 2023 o Booker Prize, um dos mais importantes prémios britânicos para livros em língua inglesa, com o romance Canção do Profeta, a nossa sugestão de leitura para o fim de semana.
Escrito quase sem pausas, com descrições imagéticas e sensoriais, o romance cria uma República da Irlanda num regime totalitário após a ascensão da extrema-direita ao poder.

Segundo os jurados, a obra "é um triunfo da narrativa emocional, estimulante e corajosa. Com grande vivacidade, Canção do Profeta capta as ansiedades sociais e políticas do nosso momento atual. Os leitores acharão isso comovente e verdadeiro, e não esquecerão tão cedo os seus avisos."

Em 2024, foi nomeado Distinguished Writing Fellow da Universidade de Maynooth e eleito para a Aosdána, a academia irlandesa das artes que honra artistas distintos. Os seus romances estão traduzidos em mais de 30 línguas.


Numa noite escura e chuvosa em Dublin, a cientista e mãe de quatro filhos Eilish Stack abre a porta de sua casa e depara-se com dois oficiais da recém-formada polícia secreta da Irlanda que pretendem interrogar o seu marido, um sindicalista. Depois do marido, também o seu filho mais velho desaparece.
A Irlanda está a desmoronar-se. O país está sob o domínio de um governo que se inclina para a tirania e Eilish só pode assistir impotente enquanto o mundo que conhecia desaparece.
Até onde irá ela para salvar a sua família? E o que - ou quem - está disposta a deixar para trás para o conseguir?


"Eu estava a tentar ver o caos atual. A agitação nas democracias ocidentais. O problema da Síria - a implosão de uma nação inteira, a escala da sua crise de refugiados e a indiferença do Ocidente. A invasão da Ucrânia nem sequer tinha começado. Não consegui escrever diretamente sobre a Síria, por isso simulei o problema na Irlanda." 


"(...) Não tenho o direito de entrar nesta casa. Certo. Isso pensa você. Não sou eu que penso, é um facto perante a lei. Um facto. Sim, há um Estado de direito, não pode infringir os nossos direitos desta maneira. Um Estado de direito. Exatamente. Diz essa palavra, direito, como se compreendesse o que significa, ora diga-me lá que direitos nasceram com o homem, mostre-me lá em que tábuas estão inscritos, onde é que a natureza decretou que é assim."



"Um dos romances mais importantes desta década."
                                                                                                      Ron Rash


novembro 19, 2025

EU VOU ENCONTRAR-TE



Estão no segredo dos Deuses as filmagens da nova série da Netfilx 
de mais um thriller de Harlan Coben

 


Enquanto isso ... 

a Biblioteca Municipal tem para empréstimo domiciliário o mais recente e alucinante thriller que a Netflix irá apresentar possivelmente em 2026 

Seja o primeiro a saber se ele o vai encontrar




"Mathew tem três anos e vive com os pais, David e Cheryl Burroughs. A vida da família parece um sonho, mas... o pior acontece: David acorda a meio da noite, coberto de sangue do filho, e é condenado a prisão perpétua. Ele sabe que é inocente, mas as provas põe-no atrás das grades. 
Cinco anos passam, e a irmã de Cheryl visita David na prisão. Consigo, leva uma fotografia que uma amiga tirou. No fundo da imagem, está um menino. Esse menino parece-se muito com Matthew. David sente imediatamente que o filho está vivo, tem a certeza, e a única solução é fugir parta o encontrar.
Qual será a verdade?  
Conseguirá rever Matthew e provar a sua inocência?
Quem está por trás de tudo aquilo?"



"A história e a forma como está contada são de génio"
                                                                                                       Financial Times







Harlan Coben é um dos autores mais requisitados na Biblioteca Municipal.
Nasceu a 4 de janeiro de 1962, em Newark, Nova Jersey. Ao longo dos anos construiu uma carreira de sucesso escrevendo thrillers cheios de mistério e suspense, com personagens cativantes. A sua escrita tem um estilo dinâmico que envolve e prende o leitor do principio ao fim.
Foi o primeiro autor a vencer os três mais prestigiados prémios da literatura policial nos Estados Unidos da América: o Edgar Award, o ShamusAward e o Anthony Award.
Tem mais de 80 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo e a sua obra está traduzida em 45 línguas.



"- E o quê? - A voz de Cheryl era puro gelo. - Viste um miúdo parecido com o meu filho morto e resolveste dar cabo da vida de toda a gente?
Da tua vida, não, pensou Rachel, mas achou que era melhor não o dizer."











novembro 14, 2025

SÓ NESTE PAÍS

"Chorávamos de tanto rir conforme nos íamos lembrando de mais histórias esquecidas da política portuguesa. Foi um jantar épico, ainda na década de 2010 (por sinal, num restaurante japonês, como se ali me fosse adivinhado o futuro), e assim se fez a três o acordo, por unanimidade e aclamação, de que voltaríamos a fazer um livro em conjunto, desta vez sobre o labo B da política portuguesa (B de bizarro, boçal, balbúrdia, bárbaro, bobo, banzé, biltre, burlesco, biruta, bazófia, barafunda, baderna, bagunça, bem-humorado)."


"Cada um tem a Marinha Grande que merece. No caso de Mário Soares, em janeiro de 1986, foi na Marinha Grande, e em grande: um estalo em cheio na cara, mais dois guarda-costas agredidos por operários das fábricas de vidro, enquanto o socialista dava o corpo ao manifesto. No caso de André Ventura, em janeiro de 2021, foi em Setúbal, e em pequeno: manifestantes que protestavam à distância acertaram no candidato do Chega... com uma caixa de pastilhas. Para Soares, foi a sorte grande - esse foi o momento de viragem para a sua vitória. Para Ventura, não foi sequer a terminação."


"Por muito bizarros, extravagantes ou inacreditáveis que pareçam os episódios
 que aqui contamos, estão documentados e registados.
 São património nacional, como os políticos que os protagonizaram. 
Isto só neste país."

Leitura descontraída que também ensina, ou recorda, os momentos mais desconcertantes e inesperados da política em Portugal.
É a nossa sugestão para o seu fim de semana.


Os autores, Filipe Santos Costa e Liliana Valente, jornalistas experientes e profundos conhecedores dos meandros políticos nacionais, passaram horas a folhear jornais, recolhendo histórias improváveis, inverosímeis, insólitas, mas nunca insossas.


"Diz-se que rir é o melhor remédio, qualquer que seja a maleita. Não faltam diagnósticos sobre o estado da nossa democracia e, na generalidade, o prognóstico é reservado. O futuro é incerto, o presente é instável, e o passado não é brilhante. E no entanto, chegámos aqui."


Tem curiosidade sobre a política portuguesa? 
Este livro é para si.



novembro 05, 2025

CRIME NAS CORRENTES D'ESCRITAS

"Foi no ano em que as ainda jovens escritoras Tânia Ganho e Gilda Barata participaram pela primeira vez nas Correntes d' Escritas que ocorreu o inesperado e misteriosos desaparecimento do manuscrito que o veterano jornalista e também famoso ficcionista, Mário Zambujal, pretendia apresentar à direção do celebrado evento, pensa-se que com vista à obtenção de um patrocínio da parte da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim destinado à sua publicação."


Germano Almeida nasceu a 31 de julho de 1945 na ilha da Boa Vista e é um dos mais importantes escritores cabo-verdianos contemporâneos.
Formou-se em Direito na Universidade Clássica de Lisboa e, depois de regressar ao seu país, exerceu advocacia e foi mais tarde procurador da República.
Além da carreira jurídica, destacou-se na literatura e retrata de forma singular a sociedade cabo-verdiana, com humor, ironia e com um olhar crítico sobre as contradições do seu país.
Pelo conjunto da sua obra, reconhecida pela originalidade, humor e profundidade social, foi em 2018 distinguido com o Prémio Camões, o mais importante galardão literário em língua portuguesa.
Tem obras publicadas no Brasil, França, Espanha, Itália, Alemanha, Suécia, Holanda, Noruega, Dinamarca, Cuba, Estados Unidos, Bulgária e Suíça.

"Desde a primeira edição das Correntes d' Escrita que fui sucessivamente convidado a nela participar, pelo que devo seguramente contar umas vinte presenças. (...) E foi desses dias de agradável convívio que me surgiu a ideia de escrever uma paródia que deveria passar-se durante os quatro dias de uma edição das Correntes, e que decorreria à volta de um misterioso desaparecimento de um manuscrito  pertencente a um dos escritores convidados."



Este romance, que hoje divulgamos, é uma divertida e irónica homenagem ao próprio mundo literário e ao famoso festival de escritores que se realiza 
na Póvoa de Varzim - as Correntes d' Escritas. 
O romance mistura ficção policial e sátira e mostra como se comportam 
os escritores quando se reúnem para falar de literatura.



"A gente tem que aprender com quem sabe como se faz, e olha que ninguém vai estranhar, nem mesmo esses pretos, eles estão, não diria já habituados, direi antes, já treinados para serem acusados de qualquer coisa má que aconteça em qualquer lugar e recebem a acusação sem refilar. (...)
Está bem, contemporizo, vamos então arranjar outra mais convincente, deixemos os palops gozarem as Correntes d' Escritas em paz, acabaremos por encontrar alguma outra vítima que nos sirva, é pena não estar nenhum escritor cigano nestas jornadas literárias".








outubro 31, 2025

O QUE TERÁ JANTADO ...

"(...) Comecei a questionar-me sobre o que poderiam dizer aqueles que estavam na cozinha em momentos chave da História. O que poderia estar a borbulhar nos tachos enquanto se jogavam os destinos do mundo? 
(...) Rapidamente, surgiram outras perguntas. O que terá comido Saddam Hussein depois de ter mandado gasear dezenas de milhares de curdos? Não terá tido dores de barriga? E o que comia Pol Pot na época em que quase dois milhões de Khmers morriam à fome? E o que jantou Fidel Castro quando pôs o mundo à beira de uma guerra nuclear? qual deles gostava de comida picante? Quem comia muito e quem se limitava apenas a debicar o que punha no prato? (...)
Não tinha escolha. Tantas eram as perguntas à espera de resposta que tive de ir à procura dos cozinheiros dos ditadores."


Witold Szablowski é um premiado jornalista e escritor polaco nascido em 1980. É conhecido pelas suas reportagens que cruzam história, política e experiências humanas marcantes. Trabalhou como repórter no jornal Gazeta Wyborcza, onde se destacou pelo olhar sensível e crítico sobre a realidade pós-comunista.


"(...) Levei quase quatro anos a escrever este livro. Durante esse tempo, passei por quatro continentes: desde uma aldeola esquecida por todos na savana queniana, às ruínas da antiga Babilónia no Iraque, ou à selva do Camboja, onde se esconderam os últimos Khmers Vermelhos.
(...) Foi-me difícil convencê-los a conversar comigo. Alguns ainda não tinham recuperado do trauma de trabalhar para alguém que podia matá-los a qualquer momento.
 (...) Graças às conversas com os cozinheiros, compreendi como os ditadores aparecem no mundo. É um conhecimento importante num tempo em que, segundo o relatório da organização americana Freedom House, há quarenta e nove países governados por ditadores. Ainda por cima, este número tem crescido constantemente. O ambiente atual é favorável a ditadores e vale a pena sabermos o mais possível sobre eles."

Para leitura no seu fim de semana, escolhemos um livro que apresenta as histórias
 dos cozinheiros que trabalharam para Saddam Hussein (Iraque), Idi Amin Dada (Uganda), 
Enver Hoxha (Albânia), Fidel Castro (Cuba) e Pol Pot (Camboja). 

O livro mostra-nos que até na cozinha dos ditadores há histórias 
que dizem muito sobre o século XX e sobre a condição humana.



 
Um livro de leitura compulsiva a que não falta, 
mesmo sob um pano de fundo de horrores, uma pitada de humor.




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