Já antes do dia 28 de fevereiro, o Irão esteve no centro da atenção internacional devido às profundas tensões políticas e sociais que atravessam o país. A repressão sobre a sociedade civil, as restrições à liberdade de expressão, as limitações impostas aos direitos individuais, a corrupção e o aumento dos preços continuam a marcar o quotidiano da maioria da população. Nesses confrontos entre o povo e a guarda revolucionária, só nos dias 8 e 9 de janeiro morreram mais de 30 mil pessoas.
Em particular, a situação das mulheres é um dos símbolos mais visíveis dessa luta pela liberdade e pela dignidade.
As mulheres iranianas têm desempenhado um papel central nos movimentos de contestação que emergiram dentro e fora do país, reclamando direitos fundamentais, tais como autonomia sobre as suas próprias vidas e igualdade perante a lei.
As manifestações desencadeadas após a morte de Mahsa Amini, em 2022, trouxeram novamente para a agenda internacional as restrições impostas às mulheres no Irão, desde normas rígidas de vestuário até às limitações em vários domínios da vida pública e privada.
É neste contexto que ganha especial relevância a divulgação de um livro, publicado originalmente em 2007 e traduzido para várias línguas, entre elas o inglês, árabe, italiano, turco e em português em 2008.
da jornalista iraniana Camelia Entehabifard.
Neste livro autobiográfico, a autora relata a sua experiência pessoal de confrontação com o regime iraniano, descrevendo as pressões, perseguições, ameaças e a prisão de que foi alvo devido ao seu trabalho de jornalista e de defesa da liberdade de expressão.
" No dia anterior à minha libertação, o meu inquisidor tinha vindo combinar os nossos "encontros" lá fora. E também para me fazer um ultimato: libertavam-me na condição de eu assinar o meu tak nevesi e de fazer espionagem para o Ministério do Serviço de Informações".
Camelia Entekhabifard é uma jornalista, analista e escritora nascida em Teerão em 1973.
Deixou o Irão em 2000, e estudou jornalismo e relações internacionais em Universidades como New York University e Columbia University.
Vive entre Nova Iorque e o Dubai trabalhando como jornalista, comentadora e analista internacional.
É crítica do atual sistema político iraniano mas não defende uma intervenção militar externa como solução para o seu país.
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| Teerão, maio de 2000 |
A Biblioteca Municipal convida todos os leitores a descobrir esta obra marcante, que nos lembra que a liberdade de expressão e os direitos das mulheres continuam a ser conquistas que exigem vigilância, coragem e solidariedade.
Ler este livro é também uma forma de compreender melhor o mundo e as lutas que nele se travam todos os dias.



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