Mostrar mensagens com a etiqueta LEITURA DE FIM-DE-SEMANA. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta LEITURA DE FIM-DE-SEMANA. Mostrar todas as mensagens

agosto 21, 2026

PÉS DE BARRO



60 anos da Ponte sobre o Tejo… 
e um livro para atravessar a História



No passado dia 6 de agosto, a Ponte sobre o Tejo completou 60 anos.
Inaugurada em 1966, aquela que hoje conhecemos como Ponte 25 de Abril transformou para sempre a paisagem de Lisboa e a ligação entre as duas margens do Tejo.






Mas como era viver e trabalhar em Lisboa quando a ponte ainda estava a nascer?

É precisamente nesse tempo que nos leva Nuno Duarte, no seu romance Pés de Barro, vencedor do Prémio LeYa 2024.
Estamos em 1962, num Portugal marcado pelo Estado Novo, quando começa a construção da primeira grande ponte suspensa sobre o Tejo. Cerca de três mil homens são necessários para erguer aquela obra monumental. Entre eles está Victor Tirapicos, um jovem serralheiro de 22 anos, através de cujos olhos acompanhamos o crescimento da ponte e, ao mesmo tempo, as vidas, dificuldades, sonhos e contradições de quem habitava os pátios operários de Alcântara.
Este romance é, assim, muito mais do que a história de uma ponte. É um retrato de um país em transformação, onde uma ponte une enquanto uma guerra separa, com a Guerra Colonial como pano de fundo.


60 anos depois da inauguração da Ponte sobre o Tejo, talvez seja uma boa altura para voltar a atravessá-la… através da leitura.




 


Nuno Duarte nasceu em Sintra, em 1973. Cresceu rodeado de livros, descobrindo desde cedo a literatura através dos livros que o pai tinha em casa, de autores como John Steinbeck, Fiódor Dostoiévski, Ernest Hemingway, Ferreira de Castro e José Saramago, mas também através da banda desenhada, com autores como Goscinny, Hergé, Edgar P. Jacobs, Christin e Moebius. 
Estudou Design Gráfico no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual e iniciou uma carreira na área da publicidade. Trabalhou como diretor criativo em algumas das principais agências do mercado, tendo recebido diversas distinções nacionais e internacionais. 
Apesar de a literatura e a escrita fazerem parte da sua vida há muitos anos, foi apenas na idade adulta que decidiu dedicar-se à escrita literária. Aos 51 anos, Nuno Duarte estreou-se como romancista — e fê-lo da melhor forma possível: conquistando o Prémio LeYa 2024 com o seu primeiro romance, Pés de Barro e que hoje sugerimos para leitura no seu fim de semana
Esta estreia tardia é, talvez, um dos aspetos mais interessantes do seu percurso: demonstra que nunca é tarde para começar uma nova aventura e transformar uma paixão antiga num projeto literário.
O romance que marcou a sua estreia foi ainda finalista do Prémio Wook Novos Autores 2025 e nomeado para o Prémio Livro do Ano Bertrand 2025.



"Um retrato muito dinâmico e vivo do Portugal dos anos 1960"
                                                                                  Manuel Alegre, Presidente do Júri






Venha descobri-lo e conhecer, através da literatura, as histórias das pessoas que ajudaram a construir uma das obras mais emblemáticas de Portugal.




julho 24, 2026

MORTE NO PARQUE

 O autor português mais lido da nossa Biblioteca em 2025 está de volta!

Depois de conquistar os leitores da nossa Biblioteca e de se tornar
  o autor português mais requisitado 
Lourenço Seruya regressa com um novo e eletrizante thriller:  


Livro gentilmente oferecido pela MJReads com dedicatória
aos leitores da BM da Marinha Grande

Tudo começa numa residência literária em Serralves, onde seis escritores procuram inspiração. Mas a tranquilidade é interrompida pela descoberta de um cadáver. O assassino continua no parque… e cada página aproxima o leitor da verdade, numa investigação repleta de suspense, reviravoltas e segredos.
Assim que começa a investigar os escritores e os funcionários, o inspetor Bruno Saraiva conclui que nenhum deles tinha motivos para desejar aquela morte. Terá a escuridão confundido o assassino, levando-o a matar a pessoa errada?
Apesar de todo o esforço, a Polícia não consegue fazer progressos na investigação. Até que é encontrado outro cadáver... 



Se já é fã de Lourenço Seruya, esta é uma leitura imperdível. 

Se ainda não conhece a sua escrita, Morte no Parque é o convite perfeito para descobrir um dos nomes mais cativantes da literatura policial portuguesa da atualidade.


Visite a Biblioteca, descubra este novo livro e deixe-se envolver por um mistério do qual será impossível escapar. 
Esperamos por si!




junho 12, 2026

NOITES BRANCAS

 Para leitura do seu fim de semana, sugerimos um livro curto, delicado e profundamente humano.
é uma das mais belas histórias sobre a solidão, o sonho e a esperança no amor.


Mas será o amor suficiente para transformar um sonho em realidade?

Nesta novela, acompanhamos um jovem solitário que vagueia pelas ruas de São Petersburgo durante as luminosas noites de verão. Numa dessas caminhadas, conhece Nástienka, uma jovem que também carrega as suas inquietações de desejos. Ao longo de quatro noites e uma manhã, nasce entre ambos uma ligação intensa, feita de confidências, ilusões e promessas.
Publicado em 1848, é uma história breve, mas cheia de emoção, que nos faz refletir sobre a necessidade de sermos vistos, compreendidos e amados.


Em 1957 o realizador italiano Luchino Visconti adaptou esta obra ao cinema, com Marcello Mastroianni e Maria Schell nos protagonistas e ganhou o Leão de Prata no Festival de Cinema de Veneza. A banda sonora foi assinada por Nino Rota, o compositor preferido de Federico Fellini.

Uma leitura perfeita para quem acredita no poder dos encontros inesperados e na beleza, por vezes dolorosa, dos sonhos



"Era uma noite maravilhosa, uma dessas noites que apenas são possíveis quando somos jovens, amigo leitor. O céu estava tão cheio de estrelas, tão luminoso, que quem erguesse os olhos para ele ver-se-ia forçado a perguntar a si mesmo: será possível que sob um céu assim possam viver homens irritados e caprichosos?"

Fiódor Dostoiévski nasceu a 11 de novembro de 1821, em Moscovo, na Rússia e é hoje considerado um dos maiores escritores da literatura universal. A sua obra mergulha profundamente na alma humana, explorando temas como a culpa, a liberdade, a fé, a pobreza, o sofrimento e a redenção.
Filho de um médico miliar, cresceu num ambiente disciplinado, mas desde cedo revelou uma grande sensibilidade literária. Formou-se em Engenharia Militar, em São Petersburgo, mas abandonou a carreira para se dedicar à escrita.
Em 1849, a sua vida sofreu uma reviravolta dramática: foi preso por participar em círculos intelectuais considerados subversivos pelo regime czarista. Condenado à morte, viveu o trauma de um falso fuzilamento, sendo a sentença comutada, no último momento, para quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Esta experiência marcou profundamente a sua visão do mundo e influenciou todo a sua obra literária.
Após o regresso do exílio, Dostoiévski enfrentou dificuldades financeiras, problemas de saúde já que sofria de epilepsia, e uma forte dependência do jogo. Apesar disso, escreveu alguns dos romances mais importantes da história da literatura, que o leitor pode encontrar na nossa Biblioteca Municipal. 
Os seus romances são verdadeiras explorações filosóficas e tratados psicológicos do comportamento humano. Por isso é frequentemente estudado não só na literatura , mas também na filosofia, psicologia e teologia.
Fiódor Dostoiévski morreu a 9 de fevereiro de 1881, em São Petersburgo, deixando uma obra que continua a fascinar leitores em todo o mundo, que reconhecem nele um autor que soube compreender como poucos as contradições da condição humana.

Noites Brancas 
é sobre como um momento breve de amor, ou melhor, 
como um momento breve de ilusão de amor, pode deixar marcas para a eternidade.




maio 07, 2026

AS LIGAÇÕES CULINÁRIAS




E se a cozinha fosse o palco de uma rivalidade amorosa?

"- É simples, é muito simples. O facto de aquelas ondas de odor a salsa terem sido capazes de penetrar na minha varanda através da barreira aromática de jasmim, gardénia e Deus sabe que mais flores é que você tem do seu lado, já é de per si um indicador de uma considerável quantidade de salsa, o que, por sua vez, indica que essa salsa se destina a salada e requer um longo e minucioso corte antes de tombar na saladeira, com um pouco de alho - um ou dois dentes, esmagados e misturados com mão de mestre - e uma pitada de sal, um pouco de azeite e sumo de limão para lhe dar o toque final."



Em As Ligações Culinárias, Andreas Staïkos convida-nos para uma história deliciosa, onde o amor, o ciúme e a sedução se misturam com receitas requintadas e jogos de poder.
Neste romance divertido, dois homens apaixonam-se pela mesma mulher e entram numa competição inesperada: Conquistar o seu coração através da arte culinária. Entre pratos elaborados, estratégias subtis e encontros cheios de humor, a narrativa transforma a gastronomia numa linguagem de sedução e numa arma de rivalidade.
Este romance destaca-se por incluir receitas completas da culinária tradicional grega no final de cada capítulo, como a salada de salsa, folhas de videira recheadas e alcachofras à Constantinopla.

Uma história leve, inteligente e cheia de ironia é a 
nossa sugestão de leitura para o fim de semana


Andreas Staïkos nasceu em 1944, em Atenas, Grécia, e é um reconhecido escritor, dramaturgo e argumentista grego, cuja obra se distingue pelo humor refinado, pela ironia e por uma atenção especial aos prazeres da vida, especialmente a gastronomia, o amor e a convivência social.
Formou-se em Direito e Ciência Política, mas cedo se dedicou à escrita e ao teatro. Ao longo da sua carreia, destacou-se sobretudo como dramaturgo, tendo as suas peças sido representadas em diversos países europeus. Paralelamente, ganhou notoriedade internacional como romancista, sendo traduzido em várias línguas. 

A nossa sugestão de leitura para o seu fim de semana, As Ligações Culinárias, foi, em 2010 adaptada ao cinema (em grego: Epikindynes Mageirikes) e realizado por Vassilis Tselemegos.


Uma leitura saborosa, perfeita para quem acredita
 que os grandes encontros e desencontros 
acontecem muitas vezes à volta de uma mesa



março 27, 2026

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL JÁ FAZ PARTE DA NOSSA VIDA




A Inteligência Artificial deixou de ser ficção científica para se tornar parte do nosso quotidiano. Está nos algoritmos que escolhem o que lemos, no trabalho que muda, nas decisões que se automatizam. 

E o que acontece à inteligência humana quando convivemos com máquinas cada vez mais "inteligentes"? 

São a estas perguntas que Mariano Sigman, neurocientista, 
e Santiago Bilinkis, empreendedor tecnológico, respondem neste livro provocador e acessível.


Santiago Bilinkis
Mariano Sigman



Artificial não é um manual técnico nem um texto alarmista, é antes um convite à reflexão crítica sobre a fronteira, cada vez mais difusa, entre o humano e a máquina.
Ao longo do livro, os autores exploram temas como a consciência, a criatividade, o trabalho, a ética e a tomada de decisões, mostrando que a IA não é neutra nem inevitável. Pelo contrário, ela reflete as escolhas, os valores e as responsabilidades humanas. Ignorá-la não nos protege, apenas nos afasta do debate que já está a moldar o nosso presente e o nosso futuro.
O livro que hoje divulgamos aos nossos leitores e que sugerimos para leitura no seu fim de semana,  fala como a IA pode mudar a forma como trabalhamos, pensamos, aprendemos e nos relacionamos uns com os outros, e quais são os riscos que isso acarreta.
A tecnologia não é um destino inevitável que nos sucede sem controle, ela é moldada pelas escolhas humanas. Daí, uma das mensagens mais importantes que os autores passam é que não podemos ser indiferentes. Ignorar a IA não  faz com que ela deixe de transformar o mundo, só faz com que deixemos de compreender e influenciar esse processo. 


Disponível na nossa Biblioteca para empréstimo domiciliário

Este é um livro para leitores curiosos, críticos e atentos ao mundo em transformação. Não ficar indiferente à inteligência artificial é um ato de cidadania e a sua leitura é um excelente ponto de partida.


Uma leitura para quem não quer ficar indiferente ao futuro.

Pensar a tecnologia é também pensar o que nos torna humanos.





novembro 28, 2025

CANÇÃO DO PROFETA

 


Paul Lynch nasceu a 9 de maio de 1977, em Limerick, Irlanda.
É conhecido pela sua prosa intensa, poética e profundamente emocional. Antes de se dedicar totalmente à ficção, foi crítico de cinema e jornalista.
Autor de vários romances premiados, venceu em 2023 o Booker Prize, um dos mais importantes prémios britânicos para livros em língua inglesa, com o romance Canção do Profeta, a nossa sugestão de leitura para o fim de semana.
Escrito quase sem pausas, com descrições imagéticas e sensoriais, o romance cria uma República da Irlanda num regime totalitário após a ascensão da extrema-direita ao poder.

Segundo os jurados, a obra "é um triunfo da narrativa emocional, estimulante e corajosa. Com grande vivacidade, Canção do Profeta capta as ansiedades sociais e políticas do nosso momento atual. Os leitores acharão isso comovente e verdadeiro, e não esquecerão tão cedo os seus avisos."

Em 2024, foi nomeado Distinguished Writing Fellow da Universidade de Maynooth e eleito para a Aosdána, a academia irlandesa das artes que honra artistas distintos. Os seus romances estão traduzidos em mais de 30 línguas.


Numa noite escura e chuvosa em Dublin, a cientista e mãe de quatro filhos Eilish Stack abre a porta de sua casa e depara-se com dois oficiais da recém-formada polícia secreta da Irlanda que pretendem interrogar o seu marido, um sindicalista. Depois do marido, também o seu filho mais velho desaparece.
A Irlanda está a desmoronar-se. O país está sob o domínio de um governo que se inclina para a tirania e Eilish só pode assistir impotente enquanto o mundo que conhecia desaparece.
Até onde irá ela para salvar a sua família? E o que - ou quem - está disposta a deixar para trás para o conseguir?


"Eu estava a tentar ver o caos atual. A agitação nas democracias ocidentais. O problema da Síria - a implosão de uma nação inteira, a escala da sua crise de refugiados e a indiferença do Ocidente. A invasão da Ucrânia nem sequer tinha começado. Não consegui escrever diretamente sobre a Síria, por isso simulei o problema na Irlanda." 


"(...) Não tenho o direito de entrar nesta casa. Certo. Isso pensa você. Não sou eu que penso, é um facto perante a lei. Um facto. Sim, há um Estado de direito, não pode infringir os nossos direitos desta maneira. Um Estado de direito. Exatamente. Diz essa palavra, direito, como se compreendesse o que significa, ora diga-me lá que direitos nasceram com o homem, mostre-me lá em que tábuas estão inscritos, onde é que a natureza decretou que é assim."



"Um dos romances mais importantes desta década."
                                                                                                      Ron Rash


novembro 14, 2025

SÓ NESTE PAÍS

"Chorávamos de tanto rir conforme nos íamos lembrando de mais histórias esquecidas da política portuguesa. Foi um jantar épico, ainda na década de 2010 (por sinal, num restaurante japonês, como se ali me fosse adivinhado o futuro), e assim se fez a três o acordo, por unanimidade e aclamação, de que voltaríamos a fazer um livro em conjunto, desta vez sobre o labo B da política portuguesa (B de bizarro, boçal, balbúrdia, bárbaro, bobo, banzé, biltre, burlesco, biruta, bazófia, barafunda, baderna, bagunça, bem-humorado)."


"Cada um tem a Marinha Grande que merece. No caso de Mário Soares, em janeiro de 1986, foi na Marinha Grande, e em grande: um estalo em cheio na cara, mais dois guarda-costas agredidos por operários das fábricas de vidro, enquanto o socialista dava o corpo ao manifesto. No caso de André Ventura, em janeiro de 2021, foi em Setúbal, e em pequeno: manifestantes que protestavam à distância acertaram no candidato do Chega... com uma caixa de pastilhas. Para Soares, foi a sorte grande - esse foi o momento de viragem para a sua vitória. Para Ventura, não foi sequer a terminação."


"Por muito bizarros, extravagantes ou inacreditáveis que pareçam os episódios
 que aqui contamos, estão documentados e registados.
 São património nacional, como os políticos que os protagonizaram. 
Isto só neste país."

Leitura descontraída que também ensina, ou recorda, os momentos mais desconcertantes e inesperados da política em Portugal.
É a nossa sugestão para o seu fim de semana.


Os autores, Filipe Santos Costa e Liliana Valente, jornalistas experientes e profundos conhecedores dos meandros políticos nacionais, passaram horas a folhear jornais, recolhendo histórias improváveis, inverosímeis, insólitas, mas nunca insossas.


"Diz-se que rir é o melhor remédio, qualquer que seja a maleita. Não faltam diagnósticos sobre o estado da nossa democracia e, na generalidade, o prognóstico é reservado. O futuro é incerto, o presente é instável, e o passado não é brilhante. E no entanto, chegámos aqui."


Tem curiosidade sobre a política portuguesa? 
Este livro é para si.



outubro 31, 2025

O QUE TERÁ JANTADO ...

"(...) Comecei a questionar-me sobre o que poderiam dizer aqueles que estavam na cozinha em momentos chave da História. O que poderia estar a borbulhar nos tachos enquanto se jogavam os destinos do mundo? 
(...) Rapidamente, surgiram outras perguntas. O que terá comido Saddam Hussein depois de ter mandado gasear dezenas de milhares de curdos? Não terá tido dores de barriga? E o que comia Pol Pot na época em que quase dois milhões de Khmers morriam à fome? E o que jantou Fidel Castro quando pôs o mundo à beira de uma guerra nuclear? qual deles gostava de comida picante? Quem comia muito e quem se limitava apenas a debicar o que punha no prato? (...)
Não tinha escolha. Tantas eram as perguntas à espera de resposta que tive de ir à procura dos cozinheiros dos ditadores."


Witold Szablowski é um premiado jornalista e escritor polaco nascido em 1980. É conhecido pelas suas reportagens que cruzam história, política e experiências humanas marcantes. Trabalhou como repórter no jornal Gazeta Wyborcza, onde se destacou pelo olhar sensível e crítico sobre a realidade pós-comunista.


"(...) Levei quase quatro anos a escrever este livro. Durante esse tempo, passei por quatro continentes: desde uma aldeola esquecida por todos na savana queniana, às ruínas da antiga Babilónia no Iraque, ou à selva do Camboja, onde se esconderam os últimos Khmers Vermelhos.
(...) Foi-me difícil convencê-los a conversar comigo. Alguns ainda não tinham recuperado do trauma de trabalhar para alguém que podia matá-los a qualquer momento.
 (...) Graças às conversas com os cozinheiros, compreendi como os ditadores aparecem no mundo. É um conhecimento importante num tempo em que, segundo o relatório da organização americana Freedom House, há quarenta e nove países governados por ditadores. Ainda por cima, este número tem crescido constantemente. O ambiente atual é favorável a ditadores e vale a pena sabermos o mais possível sobre eles."

Para leitura no seu fim de semana, escolhemos um livro que apresenta as histórias
 dos cozinheiros que trabalharam para Saddam Hussein (Iraque), Idi Amin Dada (Uganda), 
Enver Hoxha (Albânia), Fidel Castro (Cuba) e Pol Pot (Camboja). 

O livro mostra-nos que até na cozinha dos ditadores há histórias 
que dizem muito sobre o século XX e sobre a condição humana.



 
Um livro de leitura compulsiva a que não falta, 
mesmo sob um pano de fundo de horrores, uma pitada de humor.




outubro 03, 2025

COMO PODIA AQUILO TER ACONTECIDO?


Continuamos a dar destaque às novas aquisições e hoje 
sugerimos para leitura do seu fim de semana,
 o romance de estreia de Leonor Sampaio da Silva,
 finalista do Prémio Leya em 2023

Passagem Noturna



Certa noite, um fenómeno natural súbito e inexplicável deixa um hotel completamente isolado e rodeado por uma cratera funda, o que não só resulta numa perda de liberdade de movimentos para os hóspedes (que não podem sair e têm de passar a ocupar posições específicas para não desequilibrarem um edifício em perigo de derrocada), mas também num convívio forçado entre pessoas de contextos e gerações muito diferentes que eventualmente nunca chegariam a conhecer-se.
O "sinistro"- como virá a ser referida a catástrofe - é pressentido pela filha do Engenheiro responsável pela construção do hotel, uma pré-adolescente que perdeu a mãe em circunstâncias pouco claras dois anos antes; leitora voraz e de imaginação fértil, a Menina Sem Sorte Nenhuma crê que recebeu a mensagem do abalo e, cansada das namoradas do pai, resolve lançar-se numa aventura, pondo-se em contacto com a Guia Turística que se encontra sitiada no hotel.




"No dia seguinte, ninguém sobreviveu. Assim poderia começar este livro - com a história de um crime em tudo oposto à ficção de Saramago. Mas não foi dessa maneira que as autoridades competentes classificaram o acontecimento. Uma catástrofe. Uma tragédia. Um credo na ponta da língua. Uma desgraça, meu Deus, nas pontas de outras línguas. Um agora-é-arregaçar-as-mangas-e-aprender-com-os-erros-do-passado, nas línguas mais práticas. Diria Saramago que aprenderam sobretudo os que não sobreviveram e que pouco nos valerá a lição, pois não estarão cá para no-la contar. Mas eu estou e, tendo sobrevivido, contarei a minha versão."



Leonor Sampaio da Silva é natural de Ponta Delgada, ilha de São Miguel.
É professora Associada no Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Universidade dos Açores. Além do seu trabalho académico, dedica-se à escrita literária, contando com várias obras publicadas, nos géneros do conto e da poesia. Estreou-se como escritora com o livro de contos Mau Tempo e Má Sorte - contos pouco exemplares, que foi distinguido com o Prémio de Humanidades Daniel de Sá em 2014.
Passagem Noturna é o seu romance de estreia e foi finalista do Prémio LeYa em 2023.

"Do outro lado da cratera, o Senhor Engenheiro fez uma recomendação surpreendente: pediu ao Diretor do Hotel que mandasse todos os hóspedes para os seus quartos. Com o peso dos turistas concentrados no lóbi, o edifício inclinara-se para sul e ele ainda não decidira se essa seria a melhor direção da derrocada"


BOA LEITURA



setembro 05, 2025

JÁ LEU ESTES LIVROS?

 


E estes também?




Venha conhecer o novo romance de
uma das autoras mais lidas na nossa biblioteca





É a nossa sugestão para leitura do seu fim de semana

Entrelaçando passado e presente, O vento conhece o meu nome conta-nos a história de duas personagens inesquecíveis, ambas em busca da família e de um lar. É uma sentida homenagem aos sacrifícios que fazemos em nome dos filhos e uma carta de amor às crianças que sobrevivem a perigos inimagináveis - sem nunca deixar de sonhar.

Viena, 1938. Samuel Adler tem apenas 5 anos quando o pai desaparece, na infame Noite de Cristal - a noite em que a sua família perde tudo. Para garantir a segurança do filho, a mãe consegue-lhe lugar num comboio que transporta crianças judias para fora do país, agora ocupado pelo regime nazi. Samuel embarca sozinho, deixando a família para trás, tendo o seu violino como única companhia. 

Arizona, 2019. Anita Díaz e a mãe tentam entrar nos EUA, fugindo à violência que reina no seu país, El Salvador. No entanto, são separadas na fronteira, ao abrigo de uma nova lei que regulamenta a emigração, forçando à separação das famílias. A mãe desaparece sem deixar rasto e Anita é colocada em sombrias instituições de acolhimento. O caso desperta a atenção de Selena Durán, uma californiana de ascendência latina, e de Frank Angileri, um promissor advogado, que tudo farão para reunir de novo mãe e filha. Juntos, vão conhecer de perto a violência que muitas mulheres sofrem em silêncio, sem que dela consigam escapar.




Isabel Allende é uma das escritoras latino-americanas mais lidas e traduzidas em todo o mundo. Nasceu a 2 de agosto de 1942, em Lima, no Peru, onde o seu pai, Tomás Allende, era diplomata chileno.
Após a separação dos pais, mudou-se ainda criança para o Chile, país com o qual se identifica profundamente.
Trabalhou como jornalista em revistas e televisão antes de se dedicar à literatura. Em 1981, após o golpe militar de Pinochet, partiu para o exílio na Venezuela, experiência essa que marcou fortemente a sua obra.
A estreia literária aconteceu em 1982 com o romance A Casa dos Espíritos, que rapidamente se tornou um "clássico contemporâneo" e um exemplo do realismo mágico latino-americano.  A obra deu lugar a um filme, realizado por Bille August, com Jeremy Irons, Meryl Streep, Winona Ryder e Antonio Banderas como protagonistas, tendo grande parte do mesmo sido filmado em Lisboa e no Alentejo.

A sua escrita cruza ficção histórica, memória pessoal e critica social, sempre com personagens femininas fortes, explorando temas como o exílio, a identidade, a liberdade e a justiça. Está traduzida em 40 línguas e vendeu mais de 75 milhões de exemplares, sendo a escritora mais lida em língua espanhola.

Recebeu mais de 60 prémios internacionais:
  • Prémio Nacional de Literatura do Chile em 2010, 
  • Prémio Hans Christian Andersen em 2012 na Dinamarca
  • A Medalha da Liberdade nos Estados Unidos atribuída por Barack Obama em 2014
  • Em 2018 tornou-se a primeira escritora de língua espanhola premiada com a medalha de honra do National Book Award, nos Estados Unidos, pelo seu enorme contributo para o mundo das letras.

Atualmente vive nos Estados Unidos, onde fundou a Fundação Isabel Allende, dedicada a causas sociais e de defesa dos direitos das mulheres e das crianças.


Ler é sempre uma boa ideia





agosto 08, 2025

O QUE É QUE ELES TÊM EM COMUM?

 


Gostam de GATOS


Hoje, dia 8 de agosto, celebra-se o Dia Internacional do Gato
É uma data que visa homenagear esses companheiros elegantes, misteriosos e carinhosos que há séculos fazem parte da nossa vida. Muito mais do que simples animais de estimação, os gatos conquistaram um lugar especial nas famílias, oferecendo companhia, afeto, momentos de ternura e tranquilidade.



Ter um gato em casa é ter um amigo silencioso (às vezes) que respeita o nosso espaço (nem sempre), mas que também sabe aninhar-se no colo (sempre) e ronronar em sinal de afeto. 
Estudos mostram que a presença de um gato em casa pode ajudar a reduzir o stress e a ansiedade, além de proporcionar alegria e bem-estar aos seus tutores.
Discretos, elegantes e carinhosos à sua maneira, os gatos são muito mais do que animais de estimação. Eles são parte da família.





Este fim de semana deixe-se envolver pelo ronronar de boas histórias.



Sabia que 
escritores como  Haruki Murakami, Ernest Hemingway, Doris Lessing e T.S. Eliot, e muitos outros, eram apaixonados por gatos
E que em muitas das suas obras o gato é o protagonista?









Venha à Biblioteca Municipal e escolha um livro cujo protagonista é um gato ou autores  que encontraram nos gatos a sua melhor companhia e que não viveriam sem eles.



Porque um bom livro com um gato ao colo fazem qualquer dia mais feliz







Se ainda não tem um gato ... 
talvez esteja na hora de deixar um conquistar o seu coração.

Visite uma associação e adote um gato




LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...